1. PONTO DE PARTIDA DA RTP E RDP
| Em 2002, a RTP e RDP deparavam-se com uma forte crise
de identidade, de estratégia e de organização.
Como consequência, os operadores públicos encontravam-se
numa situação extremamente negativa a vários
níveis: |
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Indefinição quanto à missão
dos operadores públicos de rádio e televisão
no panorama audiovisual. Inexistência de orientações
quanto ao posicionamento a adoptar
e de objectivos empresariais concretos. |
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Incumprimento das obrigações
de serviço público, apostando em modelos
de conteúdos em concorrência directa com os operadores
privados e reproduzindo mimeticamente a sua programação. |
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Progressiva perda
de influência:
- Audiências da RTP1+2 decrescentes de 44% em 1995 para 26%
em 2002;
- Audiências da RDP decrescentes de 17% em 1995 para 10% em
2002. |
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Falência
técnica da RTP e situação financeira desastrosa:
- Prejuízos acumulados desde 1990 de 1.200 milhões de
euros;
- Situação líquida negativa de 900 milhões
de euros em 2002;
- Aumento descontrolado do passivo financeiro: de 359 milhões
de euros em 1996
para 1.003 milhões de euros em 2002;
- Existência de 9 empresas participadas, 6 das quais criadas
nos últimos anos. Todas
elas deficitárias e somando resultados negativos de 16 milhões
de euros em 2001;
- Situações de incumprimentos recorrentes face a instituições
externas (instituições
financeiras, fornecedores, parceiros). |
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Custos de funcionamento
muito elevados e em evolução descontrolada:
- Custos operacionais da RTP em 2001: 343 milhões de euros
(tendo crescido
de 218 milhões de euros em 1996);
- Custos operacionais da RDP em 2001: 59 milhões de euros;
- Contribuição activa para a perturbação
do sector, através da aquisição de programas
e recrutamento de pessoas a preços incomportáveis;
- Inexistência de instrumentos de gestão e mecanismos
de controlo adequados. |
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Situação
de recursos humanos fortemente desadequada:
- Recursos humanos sobredimensionados, com cerca de 2.300 trabalhadores
na RTP e empresas participadas e 1.000 trabalhadores na RDP;
- Elevados níveis de absentismo;
- Elevado recurso a trabalho extraordinário e remunerações
acessórias;
- Reduzida polivalência de funções;
- Política de promoções por antiguidade e não
por mérito;
- Cultura de desresponsabilização . |
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Elevada instabilidade ao nível
da gestão da RTP: 5 administrações e 12 direcções
de programas e informação de 1995 a 2002. |
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