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RELATÓRIO INTERCALAR

DIRECTOR DE PROGRAMAS
José Fragoso


1. INTRODUÇÃO
Dando continuidade à prática que vem sendo seguida com os Directores com responsabilidades directas em matéria de conteúdos, elabora-se um ponto de situação relativo às emissões do Canal 1 e da RTP Internacional. Este balanço traduz a selecção das principais questões a resolver naquelas emissões, apresentando, por outro lado, um custo de resolução avaliado como razoável segundo o entendimento do Provedor.

2. PRINCIPAIS QUESTÕES
a) A questão de charneira – aliás, comum às duas emissões – é, sem dúvida, a ausência de interactividade entre a emissão do Canal 1 e da RTP Internacional e os seus telespectadores. São inúmeras as queixas dirigidas ao Provedor, dando conta de uma total falta de informação em antena quer sobre a sequência da emissão, quer sobre a oferta relativa a dias subsequentes.

Os telespectadores não compreendem que através de recurso a voz off ou tickers essa informação não seja disponibilizada, assim como não consideram as promoções de programas esclarecedoras relativamente aos programas que promovem.

Relativamente a esta última questão, é recorrente a queixa de telespectadores da RTP Internacional sobre a falta de informação sobre horários de emissão, problema que assume particular acuidade numa emissão tão abrangente quanto a da RTP Internacional.

Também nesta ordem de ideias se torna importante dar explicações e pedir desculpas, na emissão, por situações de anormalidade verificadas – os telespectadores não podem ser confrontados com um erro que pôs no ar um programa enganado e a emissão seguir o seu curso como se nada fosse!

b) Ainda relacionado com a RTP Internacional, tem particular impacto negativo o conteúdo da emissão, o qual é considerado por uma generalidade como totalmente desadequado da realidade da actual diáspora portuguesa.

Desde logo porque ignora a existência de segundas e terceiras gerações de portugueses com necessidades culturais distintas dos seus pais e que não se contentam mais com programas como PRAÇA DA ALEGRIA e PORTUGAL NO CORAÇÃO, os quais nada lhes dizem. Mais: telespectadores destas gerações mais novas dizem-se envergonhados perante os povos no seio dos quais vivem!

Depois ainda porque a emigração portuguesa tem sofrido alterações quanto ao tipo de português que emigra – não se trata mais do indiferenciado, mas pelo contrário de trabalhadores e académicos altamente qualificados, os chamados públicos classe A e B.

Por fim, e como terceiro aspecto desta problemática, é impressionante o pedido de programas infantis falados em português feito por pais que querem ensinar a língua portuguesa aos seus filhos, mas que não têm instrumentos de apoio que possam competir com os apelos de outras culturas; neste particular, é de relembrar o caso de um casamento misto em que a mãe (portuguesa) queria concorrer com o marido – sem sucesso! – na disputa do ensino da primeira língua aos filhos de ambos.

c)Também a repetição de programas é matéria recorrente nas queixas dirigidas ao Provedor. E se bem que possa considerar-se haver um entendimento de que as repetições se tornam necessárias por razões de ordem orçamental – este argumento é facilmente entendido pelos telespectadores -, não há razões que consigam sustentar certos critérios de repetição. Nesta matéria, o caso mais gritante é MR. BEAN, transmitido semanalmente ao Domingo e que desencadeia um sem número de reacções negativas. Os telespectadores consideram que o número de repetições do mesmo programa só pode ser considerado uma falta de respeito para com quem vê o Canal 1 da RTP.

d)Uma das últimas questões que têm vindo a ser colocadas pelos telespectadores diz respeito ao divórcio entre o conteúdo de certos programas emitidos e a realidade económica e social da generalidade o povo português.

Programas como o SENTIDO DO GOSTO têm sido considerados uma afronta às dificuldades com queos portugueses se debatem, ao apresentarem como vulgares e normais situações de grande luxo e riqueza, apenas ao alcance de uma minoria.
Os telespectadores sentiram-se humilhados pela RTP por ter emitido um conteúdo daquela natureza.

Igualmente situações de ostentação desencadeiam posições muito veementes por parte de telespectadores, como foi o caso do presente de aniversário recebido em directo pelo Apresentador Jorge Gabriel e que deu já origem a uma tomada de posição por parte do Provedor.
Os telespectadores lidam mal com a ostentação que consideram uma manifestação de novo-riquismo e traduz uma falta de respeito pelos outros.

e) Uma última questão inúmeras vezes referida pelos telespectadores tem a ver com o som de emissão da publicidade. Trata-se, de facto, de uma posição difícil de desligar de intuitos meramente comerciais, e que os telespectadores não compreendem numa televisão de serviço público. Sentem-se agredidos pelo aumento de volume de som, tanto mais que os jingles utilizados nos filmes publicitários são já por si particularmente absorventes.

3. CONCLUSÕES
As questões elencadas, longe de esgotarem a panóplia de queixas de telespectadores, traduzem apenas um conjunto de situações que, conforme entendimento do Provedor, serão de mais fácil intervenção no sentido de obter uma melhoria no relacionamento da RTP como seu público.



RELATÓRIO INTERMÉDIO DO PROVEDOR DO TELESPECTADOR DA RTP
PARA: DIRECTOR DE INFORMAÇÃO DA RTP
Luís Marinho



RELATÓRIO INTERMÉDIO DO PROVEDOR DO TELESPECTADOR DA RTP
PARA: DIRECTOR DE PROGRAMAS
Nuno Santos