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PARECERES

PROVEDOR DO OUVINTE
Pareceres, Provedor do Ouvinte - Provedores, Comunicação, RTP
2010-10-25 10:15:10

Pareceres, Provedor do Ouvinte

PARECER CONJUNTO DOS PROVEDORES DO TELESPECTADOR E DO OUVINTE DA RTP


Os provedores do Telespectador e do Ouvinte da Rádio e Televisão de Portugal, confrontados com a promoção da Antena 1, neste momento em difusão na RTP, particularmente com um spot que alude a efeitos de uma manifestação no trânsito, consideram seu dever tomar a seguinte posição:

1. O conteúdo desse spot veicula uma mensagem de tom antidemocrático, violadora de um direito constitucional;
2. Dado o teor publicitário da campanha, os provedores olham com a maior reserva para a respectiva interpretação por um jornalista profissional;
3. Em diferentes intervenções internas e externas, os dois provedores têm-se manifestado favoráveis ao aproveitamento das sinergias promocionais resultantes da fusão da RDP e da RTP;
4. Da aludida promoção publicitária, contudo, os provedores não têm dúvidas de que resultam feridos princípios e direitos que devem ser superiormente respeitados, em especial por operadores com o estatuto de serviço público.

Nestes termos, os provedores do Telespectador e do Ouvinte são de parecer de que o spot publicitário em causa deve ser imediatamente retirado.

O Provedor do Ouvinte,
Adelino Gomes

O Provedor do Telespectador,
José Manuel Paquete de Oliveira




ANTENA 2 - PARECER DO PROVEDOR

PROGRAMA EM NOME DO OUVINTE

FEVEREIRO 2009



A programação da Antena 2 foi fortemente visada nas mensagens dos ouvintes, durante o ano de 2008. Já o mesmo acontecera em 2007. Como verificará quem quiser consultar o relatório anual que elaborei referente aos meses de 2008 em que exerci o meu mandato (relatório que pode consultar na página dos provedores, na Internet, em www-rtp.pt), mais de um quarto do total das mensagens sobre a Antena 2 contestam a orientação geral da estação. Na realidade, pode considerar-se, aliás, muito superior esta percentagem, dado que grande parte das críticas a programas específicos contém referências, directas ou indirectas, às opções gerais dos programadores.

E mais adiante escrevo no referido relatório:

Os programas objecto de mais mensagens negativas (especificamente a eles dirigidas e por referências que lhe são feitas no quadro de críticas gerais) são Império dos Sentidos, seguido de Música Contemporânea. O mesmo acontece com o item Cumprimento de horários. Embora em número reduzido em termos absolutos, Matrizes, Vibrato, Arte da Música e Música Æterna salientam-se pela alta percentagem de mensagens elogiosas que concitam. Um Certo Olhar mistura elogios (a maioria), com protestos.

Disse, logo numa das primeiras emissões que dediquei à Antena 2,que o que está aqui e agora em causa não é este ou aquele programa, mas a filosofia da grelha da estação.

Os erros neste ou naquele programa, nesta ou naquela rubrica são relativamente fáceis de emendar.

Mais problemático é mudar as grandes linhas que orientam a programação.

Os actuais responsáveis da Antena 2 alteraram essas linhas gerais. Fizeram-no num sentido que havia sido já desenhado pelo último director João Pereira Bastos. Mas foram mais fundo e mais longe: nos conteúdos, na forma, nos públicos-alvo.

Fizeram-no, em resumo, abrindo os microfones a todas as formas de arte. Das consagradas às mais vanguardistas. E também, de algum modo, ás mais populares. E usando, para tanto, as linguagens e os géneros radiofónicos correntes. Nomeadamente, programas e reportagens em directo, a entrevista, o debate, a crítica. O jornalismo entrou como nunca antes na rádio clássica. Algumas vezes, até, em mangas de camisa.

Esta dessacralização do templo musical em que a rádio clássica se tornara ao longo das décadas agradou a alguns. Mas desagradou a outro

É muito claro que a Antena 2 divide hoje os seus ouvintes.

Não estou em condições de dizer se são mais os que gostam ou mais os que detestam o que nela ouvem. Mas afigura-se-me óbvio que entre os que se pronunciam são muitíssimo mais os que não gostam.
Pelo menos a maioria que vem à praça pública - quer aos media quer, sobretudo, ao endereço do provedor (e é por aí que me oriento, naturalmente) - a maioria que vem á praça pública é para dizer mal.

E entre os que dizem mal há uma alta percentagem que o faz sem qualquer complacência. Isto é, não se limitam a pedir melhorias. Reclamam o afastamento dos actuais responsáveis.

Antes de prosseguir, fazendo uma sugestão que trago como principal contributo meu para o debate, deixem-me definir a minha própria posição.

Acho que o importante não é a opinião pessoal do provedor, que vale o que vale. Concordo em absoluto com a posição do provedor do jornal francês Le Monde, Robert Solé, que escreveu:
o importante são as reacções, as explicações e as interrogações citadas na crónica (no caso no programa do provedor).
Do que se trata é de reflectirmos em voz alta e em conjunto sobre a rádio que ouvimos. E dessa forma chamarmos à pedra aqueles que em nosso nome programam, para nós, a estação.

Entre os ouvintes, há quem me tenha incitado a fazer sangue. Um professor de Lisboa escreveu-me mesmo a dizer, preto no branco: só acredito que o provedor serve para alguma coisa se fizer uma limpeza da direcção da Antena 2.

Há aqui uma óbvia ignorância, intencional ou não, das competências do provedor.
A este compete dar parecer e não decretar a demissão ou o despedimento de quem quer que seja.
Mesmo que a defendesse, a "limpeza" - para usar o termo desagradável do ouvinte - só se faria se acaso a administração o entendesse.

Acontece que não a defendo. Encontro erros - na linguagem, nas posturas, na escolha de horários de transmissão. Devo dizer, no entanto, que estou de acordo, no geral, com as grandes linhas de orientação iniciadas, repito, há um pouco mais de 10 anos, na Antena 2.

Mas acontece também que há um problema. Esta rádio, a Antena 2, tal como está a ser feita, desagrada a uma parte importante do auditório.

O director, Rui Pêgo, disse a estes microfones, que as novas linhas de orientação conquistaram um novo público, que já se aproximou até, nos estudos de audiência, da mítica barreira do 1 por cento.

(Estamos a falar de números baixíssimos e que ainda por cima neste momento estão muito longe de serem alcançados, mas são os números que existemw)

Rui Pêgo disse ainda, respondendo ao antigo secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, que a rádio clássica não pode limitar-se a ser uma sala de concertos. Queria ele dizer que não pode falar apenas para uma elite musicalmente cultivada.
Não posso estar mais de acordo.
Mas penso também que será inútil à comunidade fazer-se a melhor rádio do mundo - no sentido da mais moderna ou vanguardista - que ninguém ouça.
Ora, se alguma coisa mostram - e tudo isto deve ser sempre lido com muita prudência - se os números das audiências e a correspondência que recebo alguma coisa mostram é que a Antena 2 actual está em riscos de alienar os ouvintes de outrora e não parece entusiasmar os outros ouvintes que se propôs conquistar.

Nestes termos, após seis programas em que ouvimos mensagens de ouvintes chegadas à provedoria nos últimos meses e as réplicas explicativas dos responsáveis, eis o meu parecer final:

1. Os ouvintes pronunciaram-se. Os responsáveis da Antena 2 não podem nem devem desprezar as vozes críticas que este programa foi pondo no "ar" ao longo do último mês e meio.

2. Entendo que não há retorno ao passado. E que vale a pena lutar por uma rádio clássica que fale de cultura para mais públicos.

(Seja multiplicando a actual Antena 2 - criando outros canais temáticos, como fez a BBC, por exemplo, seja - enquanto isto não for possível ...e não vejo porquê, mas claro que a decisão será política, não depende apenas da Administração da RTP,SA. Ultrapassa-a até - seja , enquanto isto não for possível, conciliando na grelha de programação os diferentes interesses dos diferentes públicos a que uma antena cultural se dirige.

Mas este é um diagnóstico fácil. O complicado é encontrar os caminhos certos que levem mais gente a interessar-se pela música, pelas letras, pelas artes. Caminhos que apostem na divulgação, mas não cedam à banalização ou, para empregar o termo de Mário Vieira de Carvalho, à "macdonaldização" da cultura.)

3. Se estivesse no lugar dos responsáveis, metia ombros à organização de uma espécie de Estados Gerais da Rádio Clássica em Portugal.
Uns Estados Gerais que envolveriam actuais e antigos profissionais da Antena 2; actuais e antigos colaboradores da estações (e há figuras eminentes entre eles); personalidades da música, da literatura e das artes plásticas; e também os ouvintes. Cuja voz poderia ser escutada e estudada através de um inquérito nacional ao auditório (uma hipótese: aos milhares que recebem o boletim Tons da Dois).
Uns Estados Gerais, sugiro. Mas que se realizem. E a sério. E em breve.

O Provedor do Ouvinte,
Adelino Gomes



por : RTP

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