25 ESPÉCIES: 25 PRIORIDADES DE CONSERVAÇÃO PARA A QUERCUS FAUNA - VERTEBRADOS PRIÔLO (PYRRHULA MURINA) Espécie classificada como "Criticamente em Perigo", dado tratar-se de uma ave endémica da ilha de São Miguel, com uma área de distribuição circunscrita e limitada às zonas de altitude dos concelhos de Nordeste e Povoação. A ameaça à sua sobrevivência deve-se fundamentalmente à
perda de habitat favorável, pois a floresta laurissilva é fortemente pressionada, entre outros factores, pela proliferação de espécies vegetais invasoras. Está em curso um extenso programa de preservação da espécie, que envolve uma organização não governamental de ambiente e entidades públicas.
MORCEGO DOS AÇORES (NYCTALUS AZOREUM) É um endemismo do Arquipélago dos Açores. Este morcego encontra-se ameaçado devido ao isolamento geográfico que limita a área de distribuição, encontrando-se 100% da população neste arquipélago. A perturbação das colónias em períodos críticos, destruição dos abrigos, destruição dos habitats de alimentação e a utilização excessiva de pesticidas são outros dos factores relevantes à sua sobrevivência.
A BOGA-PORTUGUESA (IBEROCHONDROSTOMA LUSITANICUM) Espécie dulciaquícola de distribuição limitada a pequenos cursos de água de características mediterrânicas nas bacias hidrográficas do Tejo e Sado. É uma espécie cujas populações se encontram em franca regressão, possuindo um baixo efectivo populacional, altamente fragmentadas, sujeitas a fortes pressões antrópicas que resultam numa degradação da qualidade do habitat. Como tal encontra-se classificada como "Criticamente em Perigo". A Quercus está a intervir reproduzindo a espécie em cativeiro e pretende avançar com a recuperação de linhas de água para posterior reintrodução dos espécimes reproduzidos.
FREIRA DA MADEIRA (PTERODROMA MADEIRA) É uma ave endémica da Madeira, que se reproduz única e exclusivamente nas áreas mais altas da ilha. É considerada uma das espécies de aves marinhas mais ameaçadas da Europa. Esta ave no passado foi muito afectada pela predação resultante da introdução de espécies não autóctones, como o gato e o rato, assim como pela predação feita pelo próprio homem. Hoje o efectivo populacional em idade reprodutora é inferior a 250 indivíduos.
SARAMUGO (ANAECYPRIS HISPANICA) Uma espécie endémica da Península Ibérica, circunscrita à bacia do Guadiana. É um peixe dulciaquícola adaptado a cursos de água de características intermitentes, contudo as alterações no habitat, resultantes das alterações do regime de fluxo associadas à regularização do rio, poluição e introdução de espécies exóticas contribuíram para a diminuição do efectivo populacional e sua classificação como espécie "Criticamente em Perigo". A Quercus pretende colaborar na preservação da espécie, através da recuperação de linhas de água e da remoção
das ameaças.
FURA-BUCHO OU PARDELA DAS BALEARES (PUFFINUS MAURETANICUS) É uma espécie invernante que a nível global se encontra "Criticamente em Perigo". O estado de ameaça desta ave invernante deve-se à mortalidade dos indivíduos em artes de pesca, à vulnerabilidade à poluição por hidrocarbonetos e a sobre-pesca que implicam uma redução no efectivo populacional reprodutor que nidifica nas Baleares.
ESCALO DO MIRA (SQUALIUS TORGALENSIS) É uma espécie endémica de Portugal, circunscrita à bacia do rio Mira. É um peixe com estatuto de ameaça em virtude da degradação do habitat, nomeadamente devido à introdução de barragens, escassez de água nos períodos mais quentes do ano, perda de qualidade da água e introdução
de espécies exóticas como factor de competição. A Quercus está a intervir reproduzindo a espécie em cativeiro e pretende avançar com a recuperação de linhas de água para posterior reintrodução dos espécimes reproduzidos.
ESCALO DO ARADE (SQUALIUS ARADENSIS) É uma espécie endémica de Portugal, cuja ocorrência se restringe aos rios Arade, Seixe, Algibre, Bordeira, Algezur, Alvor e Quarteira. É um peixe "Criticamente em Perigo" em virtude da degradação do habitat, nomeadamente devido à introdução de barragens, escassez de água nos
períodos mais quentes do ano, perda de qualidade da água. A Quercus está a intervir reproduzindo a espécie em cativeiro e pretende avançar com a recuperação de linhas de água para posterior reintrodução dos espécimes reproduzidos.
BOGA DO SUDOESTE (IBEROCHONDROSTOMA ALMACAI) Espécie endémica de Portugal circunscrita às bacias dos rios Mira e Arade. É um peixe "Criticamente em Perigo" em virtude da degradação do habitat, nomeadamente devido à introdução de barragens, escassez de água nos períodos mais quentes do ano, perda de qualidade da água e introdução de espécies exóticas. A Quercus está a intervir reproduzindo a espécie em cativeiro e pretende avançar com a recuperação de linhas de água para posterior reintrodução dos espécimes reproduzidos.
RUIVACO DO OESTE (ACHONDROSTOMA OCCIDENTALE) Embora não seja uma espécie descrita no Livro Vermelho dos Vertebrados, é uma espécie a ter em consideração na nossa abordagem. Trata-se de uma espécies dulciaquícola endémica de Portugal, circunscrita aos pequenos rios costeiros Sizandro, Safarujo e Alcabrichel. É uma espécie com populações extremamente reduzidas, isoladas em pequenos locais em zonas mais a montante dos cursos de água onde as fontes de poluição urbana e da agro-pequária são menos intensas, e onde o corredor ripícola apresenta algum estado ecológico favorável à sobrevivência do escalo. Devido aos factos apresentados esta é uma espécie que deve ser considerar como "Criticamente em Perigo". A Quercus está a intervir reproduzindo a espécie em cativeiro e vai
avançar com a recuperação de linhas de água para posterior reintrodução dos espécimes reproduzidos.
ESTRELINHA DA ILHA DE SANTA MARIA (REGULUS REGULUS SANCTAE-MARIAE) Este equeno passeriforme endémico da ilha de Santa Maria, nos Açores, é uma espécie criticamente em perigo dada a sua pequena área de distribuição, e alteração no habitat devido à substituição de áreas de floresta por áreas de pastagem e expansão de espécies exóticas
invasoras.
LINCE-IBÉRICO (LYNX PARDINUS) Espécie endémica da Península Ibérica, é o felino mais ameaçado a nível global. É uma espécie "Criticamente Em Perigo", em consequência da destruição e fragmentação do habitat favorável, assim como devido à forte regressão na população de coelho, principal presa do lince. Está em curso um extenso programa de conservação em curso, com o envolvimento de várias entidades públicas e privadas, que envolve uma componente
ex situ e a realização de acções que visam a melhorar o habitat e a disponibilidade de presas para a espécie.
O LOBO-MARINHO (MONACHUS MONACHUS) É uma espécie criticamente em perigo de extinção a nível global, com um baixo efectivo populacional, que surge como residente no arquipélago da Madeira. Os factores de ameaça que fectam esta espécie prendem-se com a captura acidental em artes de pesca, poluição com
hidrocarbonetos e alteração na dinâmica de distribuição de presas.
FLORA VASCULAR LEUZEA LONGIFOLIA Endemismo lusitano. Planta vivaz, com floração de Abril a Julho, mas que pode demorar alguns nos a ocorrer. A espécie pode ser observada em matos higrofílicos. Os núcleos populacionais estão em geral isolados, sendo constituídos em cada local disjunto por poucos indivíduos. A Quercus pretende intervir na conservação da espécie.
MARSILEA QUADRIFOLIA Distribui-se por toda Europa. É uma espécie semi-aquática, que ocorre em locais permanentemente inundados. Encontra-se em estado crítico. Pensa-se que poderá estar extinta na natureza. Apesar de intensa prospecção, desde 1994, foi localizada apenas num local na margem do Douro, em Trás-os-Montes. A Quercus aguarda autorização para conservar a espécie
ex situ.
OMPHALODES KUZINSKYANAE Endemismo lusitano. Apresenta o seu óptimo ecológico em terrenos arenosos em situações de sub-coberto sem exposição directa à luz solar. Pode ocupar ainda solos moderadamente evoluídos de margas e calcários compactos. Espécie geográfica e demograficamente rara. As
populações são demograficamente tão pequenas que correm um sério risco de desaparecimento devido a acção humana, a fenómeno catastrófico, ou pela evolução de fenómenos biológicos e ambientais estocásticos.
PLANTAGO ALGARBIENSIS Endemismo ibérico. Os indivíduos agrupam-se em pequenos núcleos distando normalmente vários metros, mais raramente dezenas de metros. A espécie ocorre sobre solos argilosos, sujeitos a forte encharcamento temporal durante o Inverno e princípio da Primavera e em terrenos sujeitos a perturbação recente. Espécie geográfica e demograficamente rara, a qual corre um sério risco de desaparecimento devido a qualquer acção humana, por um fenómeno catastrófico humano ou natural. A sua área de distribuição restringe-se a cerca de 30 hectares, na vizinhança de Tunes, Guia e Algoz. A Quercus pensa intervir na conservação desta espécie.
PLANTAGO ALMOGRAVENSIS Endemismo lusitano. Ocorre na faixa costeira em solos incipientes de arenitos argiláceos, com considerável encharcamento sazonal e coloniza clareiras de urzais baixos. Espécie geográfica e demograficamente rara. Actualmente parece subsistir uma única população na parte setentrional
da área de distribuição. A população é tão diminuta que corre um sério risco de desaparecimento devido a qualquer acção humana, por um fenómeno catastrófico humano ou natural. Estão neste momento a decorrer trabalhos para se instalarem novas populações em locais adequados à espécie. A Quercus pensa colaborar na sua preservação.
TUBERARIA MAJOR Endemismo lusitano. Ocorre em solos arenosos ou cascalhentos ácidos, sobretudo nas clareiras de matos. Espécie heliófila, que responde favoravelmente a fogos, atingindo densidades invulgares em situações pós-fogo. A germinação das sementes é estimulada por choque térmico.
Elevado risco de extinção, com área de ocorrência muito limitada e descontínua, com as estações conhecidas apresentando alterações e perturbações de dimensão variável. A Quercus pensa intervir na salvaguarda desta espécie.
PILULARIA MINUTA Em Portugal as suas populações colonizam charcos temporário mediterrânicos assente Surge em comunidades anfíbias e é considerada uma planta rara e ameaçada, conhecendo-se poucas populações. A Quercus aguarda autorização para conservar esta espécie
ex situ.
NARCISSUS WILKOMMII O Narciso do Algarve (Narcissus wilkommii) é uma espécie endémica do Algarve, sendo que que, actualmente, a única população mundial conhecida se localiza ao longo das margens da ribeira de Quarteira. Em meados do século XX, teve uma distribuição mais alargada, ocorrendo próximo de Loulé e na vertente Sul da Serra de Monchique, onde parece estar extinta. A expansão da cana (Arundo donax) que, ao expandir-se, ocupa as margens das linhas de água, desalojando vegetação autóctone, é particularmente preocupante porque está a afectar as populações de Narciso do Algarve. A Quercus aguarda autorização para conservar a espécie ex situ e pretende intervir no local onde ocorre para remover as ameaças à sua sobrevivência.
NARCISSUS PSEUDONARCISSUS SUBSP. NOBILIS Endemismo ibérico. O principal habitat são os cervunais sujeitos a pastagem e/ou fenagem, estando a espécie muito dependente da manutenção dos sistemas agro-pastoris de montanha. A Quercus já está a intervir na espécie, existindo neste momento um protocolo para manutenção de uma população com um criador de gado que produz queijo da Serra da Estrela.
LINARIA RICARDOI Endemismo lusitano muito raro e localizado na região de Beja. Conhecem-se poucos núcleos populacionais, pelo que, à luz do conhecimento actual sobre a espécie, esta encontra-se em perigo de extinção. Trata-se de um planta anual, que floresce em Março e Abril, e ocorre preferencialmente em searas de trigo e de aveia com baixa intervenção humana, em sob-coberto de olival ou de montado e bermas dos caminhos circundantes. A Quercus adquiriu dois terrenos para preservar esta espécie e outras que regionalmente estão ameaçadas.
VERONICA MICRANTHA Ocorre em sítios um pouco húmidos e sombrios em carvalhais dos 500 a 1070 de altitude. A redução progressiva dos carvalhais portugueses conduz à rarefacção de algumas espécies características destes carvalhais, onde se inclui esta espécie. A Quercus pensa intervir na protecção desta espécie, nomeadamente através do fomento de uma gestão sustentável dos carvalhais onde ocorre.
SILENE ROTHMALERI Endemismo lusitano, cuja área de ocorrência está restrita à costa sudoeste litoral. Ocorre em rechãs, fendas de rochas e cascalheiras, em arribas e vertentes costeiras estáveis. Verifica-se uma assinalável diminuição da diversidade genética nas suas populações.
OUTRAS ESPÉCIES COM ESTATUTO DE AMEAÇA QUE ESTÃO A SER OBJECTO DE INTERVENÇÃO PELA QUERCUS FRANCELHO (FALCO NAUMMANII) É uma pequena ave de presa, com 29-32 cm de comprimento e 58-72 cm de envergadura, migradora, e cuja área de distribuição estival se estende desde a Península Ibérica até à Mongólia e ao Nordeste da China. Sofreu nos últimos 30 anos uma regressão drástica em toda a sua área de distribuição e chegou inclusivamente a extinguir-se em vários países. A Quercus está a desenvolver um projecto de recuperação de uma colónia na Zona de Protecção Especial de São Vicente, concelho de Elvas. Este projecto irá ser alargado à conservação de outras espécies características da pseudo-estepe, nomeadamente a abetarda, o sisão, o alcaravão, o rolieiro, entre outras, e a mais locais no Alto Alentejo. Este projecto tem a colaboração do FAPAS.
GARÇA-VERMELHA (ARDEA PURPUREA) A garça-vermelha é uma ave de porte médio/grande (média de comprimento 79 cm e envergura 114 cm), classificada como em perigo de extinção no nosso País. As suas populações estão dispersas em colónias situadas nas principais zonas húmidas do país. A garça vermelha nidifica em colónias e os ninhos são construídos no chão em zonas de caniçal, habitat fundamental para esta ave. Trata-se de uma ave migradora que inverna na África subsahariana. A Quercus está a
preservar a espécie na Lagoa Pequena (uma parte de uma lagoa costeira importante na costa da Península de Setúbal - a Lagoa de Albufeira e vai iniciar em breve a restauração um caniçal em Riachos, onde a espécie nidifica.
CÁGADO-DE-CARAPAÇA-ESTRIADA (EMYS ORBICULARIS) O Cágado-de-carapaça-estriada é uma das duas tartarugas de água doce existentes em Portugal. Esta espécie, em perigo de extinção de acordo com livro vermelho dos vertebrados, prefere habitats dulceaquícolas de águas paradas ou corrente lenta e necessita de boa cobertura de vegetação aquática. Muito rara a norte do rio Tejo, aparece com maior abundância nas bacias hidrográficas do Guadiana, entre os rios Mira e Arade e está particularmente em perigo nos charcos temporários do Sudoeste.
CEGONHA-PRETA (CICONIA NIGRA) Espécie afro-eurasiática migradora. Em Portugal possui o estatuto de vulnerável. Pode nidificar em árvores ou rochas, ocorrendo em escarpas de linhas de água ou de serras, como em áreas de montado, matagais ou pinhais. No nosso país apenas se alimenta em zonas húmidas, nomeadamente linhas de água, charcas e albufeiras. A Quercus está a proteger a espécie no Tejo Internacional, criando pequenas charcas.
GRALHA-DE-BICO-VERMELHO (PYRRHOCORAX PYRRHOCORAX) A gralha-de-bico-vermelho é uma ave em forte regressão a nível nacional e internacional. A publicação do Livro Vermelho dos Vertebrados tem vindo a reflectir a regressão na distribuição da espécie, que de acordo com as categorias da UICN, em 1990 atribuiu-se-lhe o estatuto de "Vulnerável" e em 2006 a espécie passou a inscrever-se na categoria de "Em Perigo". Uma estimativa fiável de 2007 apontava para a existência de 700 a 1000 indivíduos e de 140 a 285 casais reprodutores. As causas apontadas para a regressão da espécie parecem estar ligadas ao abandono do pastoreio extensivo e da agricultura tradicional, com a consequente desenvolvimento dos estratos herbéceos e arbustivos, à intensificação da agricultura associada ao uso de agro-químicos. Está em execução uma parceria entre Quercus, a Vodafone e a Cooperativa Terra Chã que visa gerir actividades de pastoreio, utilizando cabras serranas (raça autóctone), para criar habitat de alimentação para a gralha-de-bico-vermelho na serra dos Candeeiros, espécie que se encontra em forte regressão pelo abandono das actividades agropastoris.
por : Raquel Bulha