Semana Internacional

Os momentos que marcaram o Mundo na última semana

2008-04-11 18:04:20

Semana de 07-04 a 11-04

Manifestações pela causa tibetana apagam trajecto da tocha olímpica em Paris

As manifestações em defesa da causa do Tibete frustram a passagem da tocha olímpica por Paris. Os tumultos na capital francesa obrigam as autoridades a encurtar o percurso dos portadores da chama, que acaba por ser transportada até ao seu destino final, o Estádio Charléty, a bordo de um autocarro.

Depois dos incidentes vividos no domingo em Londres, as autoridades francesas implementaram um apertado dispositivo de segurança em torno do cerimonial da passagem do testemunho da tocha olímpica pelas ruas de Paris. Na véspera, milhares de manifestantes pró-Tibete haviam deixado a sua marca ao longo dos cerca de 48 quilómetros percorridos pela tocha na capital britânica, desde o Estádio Nacional de Wimbledon, no Norte da cidade, até à O2 Arena, no Sul. Pelo menos 37 pessoas acabaram detidas.

 

Perto de três mil efectivos da polícia, a pé, de moto ou de patins, são destacados para acompanhar o trajecto da tocha olímpica, 28 quilómetros entre a Torre Eiffel e o Estádio Charléty a percorrer por 80 portadores do testemunho. Porém, cedo se percebe que os incidentes de Londres terão nova edição em Paris.

Os protestos contra repressão movida pelas autoridades chinesas no Tibete fazem-se sentir logo na Torre Eiffel, num prenúncio de mais um fiasco para os organizadores dos Jogos Olímpicos de Pequim. Depois de sucessivas interrupções - a tocha olímpica chega a ser extinguida em pelo menos três ocasiões por "razões técnicas", com a chama a ser transferida para uma lanterna de segurança -, as autoridades decidem confinar o símbolo das Olimpíadas a um autocarro. E será esse o derradeiro portador do testemunho em solo francês. Pelo meio, a tocha foi recebida com faixas de protesto da associação Repórteres Sem Fronteiras desfraldadas nos Campos Elíseos, no Hôtel de Ville e mesmo na fachada da Catedral de Notre-Dame. Na Assembleia Nacional, quatro dezenas de deputados de todas as formações políticas juntam-se às manifestações, pedindo "liberdade para o Tibete", para depois entoarem a Marselhesa.

Pelo menos 20 pessoas são detidas pela polícia, entre activistas pró-Tibete e membros da associação Repórteres sem Fronteiras. Um operador de câmara da France 2 fica ferido durante uma intervenção das forças policiais.

A chama deixará Paris ao início da noite a bordo de um avião com destino a São Francisco, nos Estados Unidos. A próxima escala da tocha olímpica não será mais pacífica. Logo na segunda-feira, um grupo de activistas trepa os cabos da ponte Golden Gate para aí colocar faixas pró-Tibete. Os sete activistas serão detidos passadas duas horas.

Em declarações citadas pela agência Nova China, um porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros não poupará críticas aos protagonistas das acções de protesto.

"Condenamos firmemente as perturbações da estafeta da chama olímpica por grupos separatistas pró-independência do Tibete em desprezo do espírito olímpico e das leis francesa e britânica", declara Jiang Yu.

Presidente francês pode boicotar abertura dos Jogos

No dia em que a chama olímpica fez um percurso acidentado em Paris, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner, voltou a deixar claro que o Presidente Nicolas Sarkozy admite faltar à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em Agosto.

"O Presidente Sarkozy afirmou que está a manter em aberto todas as opções e que todos os caminhos devem ser prosseguidos, de acordo com o desenvolvimento da situação", disse o chefe da diplomacia francesa.

Em causa está a resposta das autoridades chinesas à recente vaga de manifestações violentas no Tibete e em várias regiões da China habitadas por comunidades tibetanas, que tiveram início a 10 de Março em Lhassa. Pequim insiste no balanço de 20 vítimas mortais, enquanto que o Governo tibetano no exílio em Dharamsala, na Índia, aponta para 150 pessoas mortas durante as acções de repressão das autoridades chinesas.

Cancelamento da viagem da chama olímpica em cima da mesa

Na terça-feira, a vice-presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Gunilla Lindberg, admitirá pela primeira vez a possibilidade de o percurso mundial da tocha olímpica ser interrompido.

Acendida a 24 de Março na Grécia, a chama deverá ser transportada na tocha olímpica num périplo de 137 mil quilómetros por 20 países antes de ser empunhada na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, a 08 de Agosto.

A decisão sobre o percurso da chama será tomada na reunião da comissão executiva do COI, que decorrerá entre quarta e sexta-feira na capital chinesa.

"Vamos, com certeza, discutir o percurso da chama olímpica. Não o fazer seria incompreensível", afirma, em Pequim, o presidente do Comité Olímpico Internacional, Jacques Rogge.

O comité organizador dos Jogos de Pequim assevera, por seu turno, que "nenhuma força" será capaz de interromper a viagem da chama olímpica até à capital chinesa.

Na véspera, pouco antes dos tumultos de Paris, o presidente do COI apelava "a uma resolução rápida e pacífica da crise no Tibete, que espoletou uma vaga de protestos no Mundo". "Qualquer que seja a razão, a violência não é compatível com os valores da chama olímpica ou dos Jogos Olímpicos", acrescentava.

Vinte e quatro horas depois, Kevan Gosper, membro da comissão executiva do COI, reserva todas as críticas aos manifestantes pró-Tibete: "Eles exprimem apenas o seu ódio, seja qual for o assunto na ordem do dia. E o ódio contra o país anfitrião recai sobre a nossa tocha".

"Perturbadores profissionais" - é esta a designação escolhida por aquele responsável para qualificar os milhares de activistas que saíram às ruas de Londres e Paris.

por: Carlos Santos Neves, RTP

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