Entrevista ao secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Carlos Nuno Oliveira
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Não foi assim mas foi quase. 17 (dezassete) minutos depois do avião do Papa levantar voo, o staff do Centro de Imprensa avisava os jornalistas que as portas iam fechar. Isto é: já não há Papa, não estão aqui a fazer nada.
Depois do esforço para receber bem, que incluiu um questionário para avaliar o grau de satisfação dos jornalistas, o final não podia ser pior. Quem ainda trabalhava resistiu meia hora, mas até a iluminação foi desligada e as limpezas já estavam a ser feitas há bastante tempo. A maneira como tentaram "expulsar" os jornalistas foi de uma enorme indelicadeza e incompreensão por quem estava ali a trabalhar. Quem organiza um Centro de Imprensa deve saber quais são as necessidades dos jornalistas. Não foi o caso.
É certo que estava a começar o fim-de-semana judaico (na tarde da véspera de Shabat não se trabalha), mas o acontecimento que levou os jornalistas a Jerusalém não se compadece com essas coisas e não se esgotava no momento da partida de Bento XVI. Houve muito trabalho que teve de ser terminado no hotel ou num qualquer sítio que permitisse abrir um computador e ligar a Internet.
Os maus modos já se tinham feito sentir aquando do regresso de Belém a Jerusalém passando por uma das portas do Muro: o check point do Túmulo de Raquel. A militar que estava numa pequena casota ignorou a dúzia de jornalistas que pretendia passar e a porta esteve longo tempo fechada. Chegou mesmo a responder agressivamente a quem tentava falar com ela. Tratados como animais: esperem e calem-se!
Um elemento da Sala de Imprensa do Vaticano também provou o sabor deste check point. Tentou abreviar a espera dos jornalistas que acompanham o Papa em permanência, exibiu o passaporte do Vaticano, mas foi mal sucedido. Igualmente ignorado.
Com momentos assim, não há imagem que resista.
por: José Manuel Rosendo, RTP/Antena 1, Jerusalém
Shimon Peres elogiou a presença do Papa em Israel, não contrariou directamente nada do que Bento XVI disse, mas sublinhou que religião e terrorismo são aspectos que é preciso separar.
O presidente de Israel emocionou-se na parte final do discurso em que se despediu de Bento XVI no Aeroporto Internacional Bem-Gurion. Ficaram a faltar 4 linhas do texto distribuído aos jornalistas, onde estava incluída uma citação do profeta Isaías. Peres apenas conseguiu pronunciar o "Shalom" final.
Antes, tinha agradecido a presença do Papa: "Esta visita constitui um contributo significativo para as novas relações entre o Vaticano e Israel e entre católicos e Judeus. Foi uma profunda demonstração de apoio ao diálogo entre o povo judeu e centenas de milhões de cristãos em todo o mundo. Os seus discursos durante a visita têm uma força substancial. Em particular a sua declaração de que o Holocausto, a Shoa, não pode ser esquecido nem negado. E o anti-semitismo e discriminação, seja qual for a forma, em qualquer lugar, devem ser fortemente combatido. Isso tocou fundo nos nossos corações e mentes".
Ao contrário de alguns jornais e políticos que criticaram os discursos de Bento XVI, Peres não o fez, mas deixou claro quais são as preocupações em relação aos temas abordados pelo Papa: "Nos nossos dias, os líderes políticos e espirituais enfrentam um profundo desafio: como separar a religião do terror. Como evitar que os terroristas se apoderem da consciência religiosa levando a que um acto de terrorismo possa ser um falso pretexto de uma missão religiosa. Vossa Santidade, acredito que a sua liderança espiritual possa influenciar um espírito de compaixão nos homens. Pode ajudar as pessoas a reconhecerem que este Deus não está no coração dos terroristas. Esta é uma missão histórica que assenta na sua grande capacidade para inspirar os outros".
Estava justificada a construção do Muro (Barreira de Segurança, na versão de Israel).
por: José Manuel Rosendo, RTP/Antena 1, JerusalémPrimeiro despediu-se dos anfitriões e discursou. O Papa utilizou todos os momentos desta viagem para fazer passar a mensagem de Paz. Uma mensagem de quem não está disposto a fechar os olhos às injustiças.
Bento XVI pediu para que o deixassem fazer um apelo: "Não mais o banho de sangue, não mais confrontos, não mais o terrorismo nem a guerra. Apague-se o círculo vicioso da violência, construa-se a paz duradoura baseada na justiça. Que seja genuína e sanada a reconciliação. Que seja reconhecido internacionalmente que o Estado de Israel tem o direito de existir e de gozar de paz e segurança com fronteiras internacionalmente estabelecidas. Reconheçamos igualmente que o povo palestiniano tem direito à soberania de uma terra independente, a viver com dignidade e a deslocar-se livremente. Que a solução dois Estados seja uma realidade e não apenas um sonho. Deixemos que a paz se estenda a estes territórios, que seja uma luza para as Nações, trazendo esperança para as muitas outras regiões afectadas pelo conflito.
Outro aspecto que o Papa não esqueceu na hora da despedida foi o Muro: "Uma dos aspectos mais tristes da minha visita por estas terras foi o Muro. Quando passei por ele, rezei por um futuro em que as pessoas da Terra santa possam viver juntas em paz e harmonia sem necessidade destes instrumentos de segurança e separação, mas com respeito e confiança entre todos, renunciando a todas formas de violência e agressão".
Às 14h43 (menos duas horas em Lisboa) o avião da EL AL pôs-se em movimento para a viagem de regresso do Papa.
por: José Manuel Rosendo, RTP/Antena 1, Jerusalém