
"Tenho 23 anos , uma relação há quase 7 anos e sou do Norte.
Sempre fui uma pessoa muito presa pois sou filha única. Comecei a sair de casa quando comecei a namorar com o meu namorado. Mas sempre com horas muito restritas. Passamos ferias juntos desde o 2º ano.
Logo no nosso primeiro ano eu tive uma depressao, o que fez com que me "agarra-se" muito a ele e ficasse com enorme medo de o perder, acho que por causa disso mudei o meu feitio, tornando-o igual ao dele... mais agressiva.
Desde o nosso 3 ano que sinto necessidades que ele nao me preenche, nomeadamente carinho, que fui encontrando em outras pessoas que foram passando pela minha vida. A nossa relação tem altos e baixos. Quase não conversamos pois o feitio dele é andar sempre ao berros, é muito agressivo. O ano passado por motivos de trabalho tive que me deslocar para Lisboa e ai comecei a perceber que ainda me faltava viver muitas coisas. As nossas discussoes eram diarias, chegando mesmo a chorar no trabalho e me sentir muito sozinha.
Como temos altos e baixos sempre pensei que fosse uma fase pela qual ele estivesse a passar, ou entao trabalho. Sempre lhe arranjei desculpas. Surgiu uma oportunidade e resolvemos comprar casa, pois estava em casa da minha sogra aos fins-de-semana e achei que se tivessemos privacidade as coisas melhoravam.
Entretanto regressei ao Norte. Estou ca a trabalhar desde Novembro e as coisas nao melhoraram. Pelo contrario, comecei a ficar com medo dele, pois as atitudes estao cada vez mais agressivas, e desde que o vi dar um murro na mesa à minha frente e dizer que foi pra nao fazer pior fiquei muito assustada.
Ja tentei conversar com ele, mas ele diz que eu é que sou a culpada, porque nao lhe falo direito e que o provoco, coisa que nunca me apercebo mas no fim acabo por me sentir mesmo culpada sem saber muito bem porque. Mas quando as coisas estao bem arrependo-me e acho que exagero nas alturas em que estamos mal.
Começámos a morar juntos há uma semana e a coisa não está a resultar muito bem. Sou eu que tenho que lhe pôr a roupa pronta, por o comer para ele levar no dia a seguir, e esta sempre a reclamar por certas coisas nao estarem limpas e eu nao fazer nada em casa.
Venho de um ano sozinha, pelo que começo a sentir-me muito pressionada e acho que nao vou aguentar isto muito mais, junto com as ameaças do "vai ja" e "ve la senao vais por onde vieste", ate porque a casa é dos dois. Ja para nao falar que implica com toda a roupa que nao seja calças.
Mas aconteceu-me uma coisa pela qual nao estava à espera. Estou a sentir algo por um colega de trabalho, que também é recíproco. Aconteceu tudo muito rápido, numa questao de dias. Ainda nao se passou nada além de abraços e conversas. Sinto da parte dele uma compreensão enorme, e identifico-me muito com ele. Sinto-me ligada a ele. Ja falamos sobre isso e ele diz que espera por mim o tempo que for preciso ate porque nos devemos conhecer melhor antes de eu tomar qualquer decisao, pois ainda nos conhecemos pouco e quer que goste dele por inteiro e nao so por esta parte boa que para ja identifico.
Estou sem saber o que fazer.
Comecei uma vida a dois à uma semana e neste momento sinto-me uma adolescente apaixonada por esta nova pessoa, nas nuvens, alegre e uma parva, mesmo como uma adolescente...
Os melhores momento do meu dia são quando estou com ele.
Mas de outro lado tenho uma relação de quase 7 anos que tenho medo de estar a perder por exageros meus, pois problemas todos têm certo? Pode-me ajudar a entender melhor isto? Como é possivel duas pessoas se ligarem tao depressa?"
por : Raquel Bulha