Grandes Adeptos

promocao

Miguel Guedes, Jaime Mourao-Ferreira e Telmo Correia

2012-05-03 16:58:49 Ouça aqui o programa

Um título muito sofrido mas que honra os "Dragões"





PORTO JÁ É CAMPEÃO

A conquista do título pelo Porto é merecida porque premeia quem acabou por errar menos no último terço do campeonato e melhor soube aproveitar os deslizes alheios. É certo que a equipa nunca foi aquela que melhor futebol praticou e que Vítor Pereira, contratado à pressa, porventura quase sem contar, nunca foi consensual entre os jogadores, a massa associativa e alguns “notáveis”.
Também não nos podemos esquecer que, ao contrário do que aconteceu com Villas-Boas, Vítor Pereira esteve sempre demasiado sozinho ao longo da época, sem um adjunto de verdadeira qualidade. Só agora, na parte final, é que beneficiou da ajuda efectiva de um Paulinho Santos mais interventivo a tentar motivar e agarrar os jogadores. Não é por acaso que Pinto da Costa teve de descer tantas vezes ao balneário para segurar o grupo. Nesse sentido, o longo abraço entre ambos e os múltiplos agradecimentos do treinador ao presidente, nomeadamente o “obrigado pela confiança” bem audível por todos, é auto-explicativo e bem revelador da instabilidade vivida por Vítor Pereira durante toda a época.
A sua continuidade vai depender essencialmente, em minha opinião, da forma como a Direcção portista equacionar a nova equipa técnica e de quem será o adjunto escolhido para trabalhar com Vítor Pereira, que terá de ser um homem que traga uma verdadeira mais-valia ao grupo. Por outro lado, penso que se Pinto da Costa optar pela saída do treinador esta será sempre pela porta grande, pois aquele nunca deixa cair um treinador vencedor e, assim, saberá encontrar uma saída airosa para Vítor Pereira naquele emaranhado de agentes do futebol em que o Porto se movimenta com tanto à-vontade.

O TRISTE “CASO” U. LEIRIA

Apesar de considerar lamentável e preocupante o momento por que está a passar o clube do Liz não faço um juízo de valor apenas em relação à U. Leiria, pois parece-me que o clube é porventura dos que estão mais isolados, sendo talvez o elo mais fraco que porventura se pode abater. À semelhança de outras actividades, no futebol também há ausência de uma entidade reguladora forte e eficiente no apuramento e fiscalização dos clubes e dos orçamentos que lhes permitam competir de acordo com as regras estabelecidas.
E se as consequências em termos da verdade desportiva da competição não são mais gravosas – apesar de ser indiscutível o prejuízo real da Académica neste cenário, pois o Feirense, seu adversário directo, defrontou uma equipa com apenas 8 jogadores – isso deve-se apenas a um pormenor de sorte. Com efeito, se houvesse um abandono da U. Leiria o Benfica era prejudicado, pois perdia três pontos e o Braga aproximava-se ficando apenas a um dos “encarnados”. Por isso, o empenho do Benfica neste caso obrigando e bem os seus jogadores a comparecer e assim arrastando outros atrás deles. Ao defender compreensivelmente os seus interesses, acaba por defender também os interesses da estabilidade minimamente exigível à competição. Neste sentido, o quórum até final do campeonato parece-me garantido e só desejo que até lá tudo se possa resolver da melhor maneira para todos.
Seja como for, a mancha é vergonhosa e mais uma vez abateu-se indecorosamente sobre o futebol nacional, sendo óbvio que tudo isto está a ser comandado nos bastidores por mão ínvia, à boa maneira mesquinha do futebol português num caso em que ninguém escapa: Direcção do clube, Sindicato, Liga, Federação, interesses ocultos “não tão ocultos assim” e jogadores que “aparentemente” preferem nada receber do que os 3 meses de salários prestes a serem acordados.

GUARDIOLA DEIXA O BARÇA

À semelhança do que acontece em qualquer país, excepto em Inglaterra onde o futebol parece pertencer a outro planeta e onde a estabilidade é palavra de ordem, a saída de Pep Guardiola do Barcelona marca o fim de um ciclo. Porém, diga-se que Guardiola sai por sua vontade, pois percebeu que só conseguirá atingir uma dimensão mundial noutras paragens com outros jogadores não formados na região. Isto é, sentiu que é manifestamente insuficiente ser o grande senhor de uma região, pois para ser o grande senhor do mundo tem de vencer e convencer além-fronteiras. Isto significa também que por detrás desta saída de Guardiola paira ainda e sempre a sombra tutelar de José Mourinho.

A SEMANA:

MELHOR: A bela carreira do Sporting na Liga Europa, só interrompida por dois golos fora de horas e um árbitro caseiro; a honra merecida ao Porto pela vitória num campeonato sofrido; os estóicos 8 jogadores do Leiria a impedirem que os bastidores dessem uma goleada à verdade desportiva; e o título europeu de Telma Monteiro.
A Figura da Semana é Pep Guardiola. 13 títulos que ainda podem ser 14 e 4 anos depois, Guardiola sai de Barcelona como o grande senhor e o enorme treinador que é. Mas o grande desafio da emancipação começa agora para quem quer ser um símbolo do mundo e não apenas de uma região. Merece ter sorte.

PIOR: O vergonhoso “caso U. Leiria” que está para durar; a situação melindrosa de Vítor Pereira e Jorge Jesus a quem ninguém quer dar descanso; o espalhanço ao comprido do Braga; e a arbitragem tendenciosa do sr. Atkinson em San Mamés, com claro prejuízo para o Sporting.




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