Grandes Adeptos

promocao

Miguel Guedes, Jaime Mourao-Ferreira e Telmo Correia

2012-05-23 18:24:39 Ouça aqui o programa

"Derrota do Sporting não podia acontecer"





TAÇA DE PORTUGAL

  

A derrota do Sporting foi um rude golpe em primeiro lugar e acima de tudo para os adeptos. Uma massa associativa tão fiel e apaixonada no apoio à equipa não merecia de maneira alguma este desenlace. Todos os que encheram o Jamor, e eram larguíssimos milhares numa onda de entusiasmo extraordinário, queriam e precisavam de ver a equipa erguer a Taça e sentir essa imensa alegria de conquistar um troféu com tanto significado. Também esta Direcção não merecia a derrota, pois é justo reconhecer que tudo tem feito tudo pelo engrandecimento clube, quer em termos técnicos, desportivos e de aproximação com os adeptos.

Por outro lado, este desaire tem consequências nefastas no planeamento da próxima época, uma vez que a equipa vai ter de começar a preparação mais cedo, por força da participação no play-off da Liga Europa.

Finalmente, "last but not least", não se pode esquecer que qualquer insucesso do Sporting torna mais fortes os "inimigos" do clube, inimigos esses que são muitos e dos mais diversos quadrantes, como se viu com a nomeação provocatória de Paulo Baptista para arbitrar a final. Um árbitro que tinha boicotado o clube em solidariedade com João Ferreira.

É evidentemente muito difícil explicar o que aconteceu. Tratava-se de uma final que o Sporting tinha forçosamente de ganhar, não só pelos motivos referidos anteriormente mas também porque defrontava uma Académica claramente inferior, que tinha acabado de evitar "in extremis" a descida à segunda liga após 16 jornadas consecutivas sem vencer para o campeonato.

Talvez a explicação possa encontrar-se neste facto: enquanto os jogadores da Académica estiveram apenas concentrados na final e nada mais tinham que lhes desviasse a atenção, os do Sporting passaram a semana rodeados de condicionantes. Na verdade, há jogadores em final de contrato que não sabem o que lhes vai acontecer, outros em revisão salarial fruto das boas exibições durante a época, outros a serem cobiçados e eventualmente transaccionados para grandes clubes europeus, e ainda outros que estarão ao serviço das suas selecções no Euro sabendo que a sua temporada ainda se vai prolongar por Junho adentro.

Será que tudo isto poderá ter desviado um pouco o foco da final, sobretudo tratando-se de jogadores que chegaram há pouco a Portugal e que ainda não interiorizaram plenamente a necessidade imperiosa de conquistas de que o Sporting carece? Julgo, porém, quanto mais não fosse como medida preventiva para que tal não sucedesse e como forma de reforçar o espírito de grupo e de conquista, que talvez tivesse sido avisado fazer um estágio de vários dias longe de Lisboa e da Academia, blindando o grupo a outro tipo de preocupações e solicitações.

 

GARRA PARA O SPORTING

  

Terminado o campeonato, com as equipas já a pensarem no futuro, pergunta-se qual deve ser a prioridade de Porto, Benfica e Sporting para este defeso.

No caso do Sporting, julgo que passa tudo pela implantação interna de uma forte e exigente cultura sportinguista que leve a equipa a superar-se nos momentos cruciais e a conquistar os títulos que os seus adeptos merecem. Para isso acontecer os jogadores têm que sentir a enorme honra e responsabilidade de vestir a camisola "leonina", pois parece-me que não é possível perder a Taça de Portugal com falta de garra e espírito de vitória. E também não são aceitáveis os lamentáveis episódios protagonizados por Adrien, antes e durante o jogo, uma outra face da mesma moeda. Sá Pinto tem tudo para conseguir impor e passar esta mensagem e não pode facilitar. 

 

CHAMPION CHELSEA

  

No jogo com o Bayern de Munique o Chelsea mais uma vez não jogou bonito, foi de novo feliz, mas acima de tudo soube assumir as suas limitações. Para cúmulo, acabou por vencer com um golo marcado no único canto de que dispôs contra 20 dos alemães!

No cômputo geral este foi um jogo em que o Bayern desperdiçou todas as oportunidades de ouro de que dispôs, falhando inclusive um penálti no prolongamento, por isso só pode queixar-se de si próprio. Já no penálti decisivo, ver Schweinsteiger desperdiçá-lo com uma paradinha é algo de irónico vindo de um "panzer" como ele. Em vez de resolver o lance à bomba como tão bem faz, desafiou o destino com um movimento ao jeito brasileiro e, claro, deu-se mal.

De realçar que esta grande conquista do Chelsea é também um pouco de José Mourinho, pois esta ainda é hoje no seu núcleo duro a equipa montada pelo grande treinador português.

  

A SEMANA:

  

MELHOR: O Chelsea campeão europeu e o Montpellier pela primeira vez campeão francês, a demonstrarem que no futebol tudo é possível; o Sporting como nova potência nacional de judo a conquistar o bicampeonato; e o ambiente saudavelmente festivo na final da Taça de Portugal.

A Figura da Semana é Didier Drogba. Em 2002 ainda jogava na 2ª divisão francesa, mas dois anos depois Drogba já estava às ordens de Mourinho que faria dele o grande campeão que é. O portentoso golo do empate do Chelsea frente ao Bayern aos 89' e a conversão do penálti decisivo são o culminar brilhante de uma carreira ímpar.

 

PIOR: Um Sporting cinzento e sem brilho, passando ao lado de uma final que era para ganhar; a nomeação do "boicotador" Paulo Baptista para arbitrar a final da Taça, numa intolerável provocação ao Sporting; e o anúncio do abandono das competições de Casey Stoner, campeão Moto GP em título, já no final da época e em pleno auge da carreira.



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