quinta, 11 março 2010 | 23:07

De Trivela

Manuel Queiroz

2010-03-11 12:09:02

Activos e passivos

Activos e passivos
ReutersNicklas Bendtner, do Arsenal e Bruno Alves, do FC Porto Arsenal-FC Porto, 5-0; Manchester United-Milan, 4-0. À primeira vista pode até fazer-se um paralelo entre ambos os resultados. À segunda vista até se pode dizer que é mais pesado (por história, por orçamento, por duas derrotas) o naufrágio do Milan do que o do FC Porto.

Tudo isto é verdade, mas o FC Porto tem que encontrar outras explicações. A catástrofe do Emirates Stadium não pode deixar de suscitar outras reflexões a um clube que se habituou a tratar por tu os grandes da Europa. Com o mal dos outros podemos todos bem, diz o ditado, e reconstruir o FC Porto é uma tarefa imediata.

Os culpados não começam, desculpem lá, em Jesualdo Ferreira. O treinador tem as suas culpas, mas as primeiras decisões não foram dele. No seu quarto ano, o treinador nunca conseguiu os equilíbrios das épocas anteriores, nunca conseguiu verdadeiramente dar a ideia de que a equipa era capaz de dar um salto de qualidade. Quando as coisas pareciam melhorar, uma lesão, uma suspensão, ou um resultado negativo inibiam a equipa. E assim chegou a Março com um conjunto em crise de confiança que, mesmo assim, foi capaz de ganhar ao Arsenal no Dragão. 

Mas para lá disso houve coisas que não correram bem. O clã argentino - Prediger, Tommy Costa,  Mariano Gonzalez, Farias, Valeri, Belluschi, acabou por ser uma desilusão cara, de uma ponta à outra. São muitos milhões de euros que se converteram em pó.

E depois Bruno Alves e Raúl Meireles, Que eram uma espécie de espinha dorsal e foram acumulando problemas ao ponto de serem apontados a dedo. Uma gestão nestes casos não brilhante da parte da administração levou a que o nº2 e o nº3 se transformassem, de grandes activos, em sujeitos passivos. Com isto tudo, as coisas não podiam correr melhor.



por : Manuel Queiroz
Tags : FCPorto,Liga dos Campeões

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2010-03-09 08:32:06

Hulk não chega

Hulk não chega
Getty ImagesManuel Almunia, guarda-redes do Arsenal À conferência de Imprensa de ontem foi o guarda-redes Almunia, de forma a dar um sinal de que não se pode repetir aquilo a que o The Times chamou "a noite de comédia" do Dragão, há umas três semanas atrás com Fabianski como protagonista. Fabregas e Gallas (dois dos mais importantes jogadores da equipa) ficam de fora, mas no fundo Wenger não está preocupado com o FC Porto. Ele acha - e não é o único - que  o Arsenal não terá demasiadas dificuldades em dar a volta ao resultado da primeira mão destes "oitavos" da Liga dos Campeões - a derrota por 2-1 do Dragão.

O FC Porto não tem hipóteses? Não muitas. As expectativas são baixas, sobretudo depois de conseguir sofrer cinco golos em dois jogos seguidos para o Campeonato antes de jogar perante um dos ataques mais emocionantes da Europa.  Quer dizer: Jesualdo sempre teve a preocupação fundamental dos equilíbrios de jogo, para chegar aqui bem longe de ter um sistema defensivo estável. Não falo de linha defensiva, falo de sistema defensivo, que é coisa bem diferente.

Pode ajudar que o Arsenal está hoje mais focado na Premier League - Wenger disse ontem que era mais fácil ganhar o campeonato do que a Liga dos Campeões - e pode ser que se distraia.

O FC Porto tem Hulk, mas nem sei muito bem como vai Jesualdo desenhar o onze, porque Hulk obriga a decisões difíceis mas inevitáveis. Joga Falcao? Para isso só faz sentido jogar em 4-3-3, o que não é habitual para os jogos em Londres. Vai jogar Guarin? É costume haver surpresas destas nestes encontros - e se não pertenço ao clube de fans do colombiano, como é notório, este pode ser o tipo de jogo para ele. Vai jogar Meireles na posição 6, lugar habitual do lesionado Fernando? A verdade é que essa parece uma solução, depois de se ver outra vez um desatento Tommy Costa a tentar fazer de médio de cobertura para o que lhe falta concentração competitiva.

por : Manuel Queiroz

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2010-03-06 14:28:01

Villas-Boas e a convicção

Villas-Boas e a convicção
Foto: Reuters PicturesO treinador da Académica volta a ser dado como sujeito do interesse do Sporting Diz a Imprensa de hoje que André Villas-Boas é o futuro treinador do Sporting, ou seja, o presidente José Eduardo Bettencourt voltou à sua escolha inicial quando teve que pensar na substituição de Paulo Bento e tentou contratar o antigo membro das equipas técnicas de José Mourinho.

Villas-Boas fez um bom trabalho na Académica, mas não algo do outro mundo – com os jogadores de que dispunha era obrigatório, ou quase, melhorar muito a posição na tabela classificativa. De qualquer maneira, isso não foi muito relevante na escolha do Sporting, acho eu, que já estava disposto a apostar nele mesmo com poucas semanas de experiência como treinador principal.

No futebol de hoje conta muito a comunicação e Villas-Boas comunica bem e tem boa imagem, mais que não seja por ter feito parte dessa equipa técnica do Special One. Mas depois contam os resultados e esse é o desafio maior. O Sporting de JEB fez uma promessa de investimento forte, confirmada no mercado de Inverno, o que lhe aumentará a responsabilidade e também as possibilidades de êxito.

André Villas-Boas é, apesar de tudo, uma aposta no escuro. Mas parece ser relativamente consensual entre os sportinguistas neste momento. Carlos Carvalhal não construiu, ao longo da sua carreira, uma imagem de alguém capaz de ultrapassar todos os obstáculos e levar em frente qualquer projecto e estas duas últimas vitórias por 3-0, ao Everton e ao FC Porto, acabaram por não lhe salvar o lugar. André Villas-Boas tem a vantagem de ser uma folha quase em branco.

O mundo de hoje procura convicções, mais do que história. E Villas-Boas transmite isso.

por : Manuel Queiroz
Tags : André Villas-Boas,Sporting

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2010-03-04 09:44:09

O direito ao assobio

O direito ao assobio
APHugo Almeida e Cristiano Ronaldo no particular com a China Carlos Queiroz não gostou, os jogadores não gostaram, mas o facto é que público de Coimbra assobiou a Selecção em certas fases do jogo de ontem de preparação com a China. Portugal ganhou 2-0, mas o povo não gostou muito. E está, digo eu, no seu direito.

Devíamos acabar com este choradinho nacional de que os espectadores do futebol vão aos estádios para bater palmas - ou, pior, para estarem mudos e quedos. Quer dizer, o povo paga o bilhetinho e ainda devia ter que se comportar segundo as regras que alguns acham que são gerais e mundiais.

O público da Selecção não é, desde logo, igual ao dos clubes. É outra gente, que vai à procura do divertimento, talvez antes de procurar a vitória. Não assobia porque a equipa perde, assobia porque as suas expectativas mínimas de exibição não são cumpridas. E esse púbico tem todo o direito de reagir como entende. E uns assobios até fazem bem aos nossos internacionais, que assim percebem que o seu púbico está lá e os segue de forma activa. Aplaude quando gosta, vai para a pateada quando não gosta.

O povo da Selecção vai ao estádio para participar, não para aplaudir cegamente. Dir-me-ão que em Inglaterra os espectadores cantam e dançam e fazem uma grande festa a apoiar as suas equipas. Pois, talvez eles sejam assim. Nós não somos.

Como se um cantor ou um actor tivesse que ser sempre aplaudido, mesmo quando canta mal ou interpreta erradamente os seus papéis. Não, o público é parte do espectáculo e geralmente não é acéfalo. Aguentem os assobios e joguem à bola. Se o fizerem, o povo apoiará com gosto.

por : Manuel Queiroz
Tags : Carlos Queiroz,Selecção,Portugal

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2010-03-02 13:18:11

Quanto vale Falcao?

Quanto vale Falcao?
Foto: EPA/José Sena GoulãoFalcao, marcado pelo defesa do Sporting Grimi, no clássico de Alvalade, a contar para a Liga, que terminou com a vitória dos anfitriões por 3-0. Escrevi aqui em tempos não suspeitos que Radamel Falcao não valia tanto dinheiro quanto estavam a pagar por ele. Depois de ter marcado 16 golos em 20 jogos, tenho que dar a mão à palmatória, porque na área é, de facto, um matador. Mas não chega ainda, em minha opinião, para ser um jogador indiscutível.

O jogo com o Sporting ilustra o que quero dizer, como vários outros jogos anteriormente. O FC Porto nunca conseguiu esticar o jogo, porque Falcao também nunca conseguiu segurar uma bola à primeira e assim permitir que os seus colegas subissem no campo. Essa incapacidade é hoje o seu grande defeito e o seu grande limite como ponta-de-lança. E explica, em boa parte, os maus resultados do FC Porto fora do Dragão. O sistema da equipa não o ajuda e ele não ajuda o sistema.

Hoje nenhuma equipa joga com um ponta-de-lança fixo, de referência, porque as marcações são impiedosas. Só o Benfica, com Cardozo, porque mete muita gente na frente e Cardozo tem uma envergadura que lhe permite segurar a bola e fazer de pivot do jogo ofensivo. De outro maneira, não é possível. O ponta-de-lança moderno é mais Lisandro e menos Falcão, ainda que este tenha vantagens nos jogos em casa, onde a equipa joga mais próxima dele e consegue fazer-lhe muitos cruzamentos.

Falcao é um grande jogador de área, mas tem que ter uma equipa a jogar para ele ou aprender - e está a fazê-lo - a jogar noutros terrenos. Para já o seu raio de acção é muito limitado. E num sistema que fazia do contra-ataque a sua arma, Falcão tem muitas dificuldades. Se a equipa não o ajuda, se não jogar mais perto dele, não tem hipóteses de criar muitos problemas a não ser em lances de bola parada.

por : Manuel Queiroz
Tags : Futebol Clube do Porto,Falcao

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2010-02-27 17:26:42

Everton e Costinha

Everton e Costinha
Foto: LusaCostinha, durante a conferência de imprensa de apresentação aos sócios Raramente se vê uma equipa portuguesa ser tão superior a uma equipa inglesa como no Sporting-Everton. Por virtudes próprias e defeitos alheios, como sempre, mas o Sporting ganhou bem o jogo e a eliminatória, porque no global dos dois jogos foi superior em golos e em jogo e com diferença. Essa é que essa e em duas semanas duas equipas portuguesas bateram duas equipas inglesas (a outra foi o Arsenal, derrotado pelo FC Porto).



Uma grande alegria para os sportinguistas e que dá uma força suplementar à equipa para o resto da época e, desde já, para o clássico de amanhã, com o FC Porto que, digo eu, é bastante melhor do que o Everton.

O Sporting apresentou no dia seguinte o seu novo director-desportivo, Costinha, de seu nome de baptismo Francisco da Costa. É sportinguista embora nunca tenha jogado no clube e isso cai sempre bem. Mas é preciso ter cuidado.

Mesmo sabendo-se que Costinha é alguém que sempre teve mais interesses do que apenas o jogo em si, não se lhe pode pedir o mundo, neste novo lugar, porque naturalmente não está preparado para ele. Não se passa do relvado para a secretária de um dia para o outro.

É preciso conhecer o clube, as pessoas, os jogadores, mas noutra perspectiva, a de alguém que tem que se preocupar simultaneamente com tarefas administrativas e desportivas. Ou seja, tem que pensar na equipa numa perspectiva radicalmente diferente daquela que tinha até agora, tem que se adaptar a tomar decisões bem diferentes daquelas que tomou até hoje.

Tem todas as condições para fazer o lugar, mas tem uma óbvia inexperiência que o vai obrigar a ter resultados rapidamente. E tenho dúvidas de que a melhor porta de entrada seja através de um empresário (Jorge Mendes) que também tem interesses diferentes dos do clube e, por extensão, do director-desportivo.

Ou seja, uma boa ideia, que tem perigos e escolhos que os principais dirigentes do Sporting devem, com certeza, ter acautelado.

por : Manuel Queiroz
Tags : Costinha,Everton,Sporting,FCP

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2010-02-25 10:38:55

Maior que a vida

Maior que a vida
ReutersLuciano d'Onofrio (à direita) Luciano d'Onofrio é daqueles personagens que os americanos chamam "maiores do que a vida". Foi jogador, foi empresário, é dirigente do Standard de Liège, cidade que acolheu a família toda há muitos anos.


Já tenho falado dele aqui neste blogue e das suas máximas. Uma das que aprendi com ele é esta: "Il cálcio sono opinioni". Que é como quem diz, "O futebol são opiniões". É uma grande máxima e sobretudo uma máxima que dá jeito a um empresário - ou a um jogador - porque tudo se subsume, não oao rendimento, não ao resultado, mas à opinião de cada um, que pode ser discutida até onde quisermos. Mas no fundo também é verdade, porque é preciso, no futebol, ter opinião antes de (antes do jogo, antes de contratar um jogador ou um treinador, antes de decidir quem vai ser o dirigente) para não se falhar.

Com todas as transacções de futebolista que já fez, Luciano é um dos maiores empresários do mundo, porque sempre foi ouvido por alguns dos senhores mais poderosos do futebol, da Juventus, ao Milan, ao Marselha. Nunca quis aparecer, mas esteve em muitas das maiores transacções que se foram fazendo ao longo dos tempos. Em Portugal trabalhou muito com o FC Porto, mas também com o Benfica e o Sporting e, creio, não só. Quem faz negócios faz com toda a gente que tiver dinheiro.

Luciano, devo dizer, é uma das poucas pessoas de que gosto muito no futebol mundial. Porque tem filosofia própria, pensa pela sua cabeça e porque conhece o jogo, os jogadores e os presidentes, esse triângulo essencial para se entender o futebol profissional. É um homem que vê para além do comum dos mortais e que é capaz de coisas extraordinárias. Como essa de ter levado o Standard de Liège a campeão depois de quase trinta anos de jejum e de, como ele me dizia há tempos, mesmo assim ter 20 milhões no banco para construir um estádio novo. 

 



por : Manuel Queiroz
Tags : Luciano d´Onofrio

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2010-02-23 13:22:55

Ir ou não ao Mundial

Ir ou não ao Mundial
Foto: EPA/Paulo Novais Sempre tivemos, nas últimas décadas do futebol português, grandes jogadores para os corredores dos campos de futebol. Defesas ou avançados, não faltam esses homens que têm que ser rápidos, evoluidos tecnicamente, e que também têm que marcar golos.

O jogador mais rápido - não o melhor, mas o mais rápido extremo que vi no futebol português - foi um senhor chamado Seninho, um angolano branco que nos anos 70, depois de ter feito até o serviço militar (coisa que não acontecia com muitos) teve ainda tempo para uma grande
carreira no FC Porto e no Cosmos de Nova Iorque. A sexta velocidade ainda tinha uma "reprise" que nunca vi repetida.

Mas quanto a extremos, não preciso de falar nos muitos que o futebol português tem produzido ao longo das últimas décadas. Varela, o "Drogba da Caparica", é uma confirmação agora. Grande velocidade, grande controlo da bola, boa capacidade de remate. Uma sensação de jogador forte, capaz de desequilibrar. E há três-quatro anos ninguém diria que era capaz de chegar até este ponto - daí compreender-se que o Sporting, onde se formou, não tenha acreditado nele. Se calhar, foi isso, essa necessidade de provar o seu valor, que o levou a excelente rendimento na época passada no Estrela da Amadora. E agora continua, no FC Porto, a brilhar no campeonato (oito golos) e na Liga dos Campeões (marcou ao Arsenal com a ajuda do guarda-redes Fabianski).

Há quem diga que Varela tem que ir ao Mundial. Não digo que não, mas a verdade é que temos muitos jogadores que podem aspirar a esse lugar e Varela só conseguirá esse objectivo, pelo seu percurso, se mantiver um altíssimo rendimento até ao final da temporada.

É assim a vida e um seleccionador não pode mudar de grupo a todas as horas e não dispõe assim de tantos jogos e treinos para ver como ele se integra na equipa nacional. Mas se há jogadores que podem ter esse objectivo fora daqueles que fizeram o percurso da qualificação, Varela é seguramente um dos poucos. Porque cada dia que passa está melhor, mais forte, mais decisivo.

por : Manuel Queiroz
Tags : Mundial 2010,Silvestre Varela

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2010-02-21 01:30:58

A interpretação da CD

A interpretação da CD
Foto: Getty ImagesHulk Deixem-me fazer um exercício de parcialidade a propósito da Comissão Disciplinar da Liga e das punições a Hulk (quatro meses) e Sapunaru (6 meses):


- Neste caso dos incidentes deste ano no túnel do Estádio da Luz havia um problema fundamental para a punição, que era o de saber se os "stewards" eram ou não agentes desportivos (porque se não fossem a pena seria completamente diferente). A CD entendeu que sim e deste modo foi para longas punições em tempo (e não em jogos);

- No "Apito final", havia a dúvida sobre a utilização das escutas, que era controversa - a CD entendeu que podiam ser utilizadas e assim punir com base nelas, coisa que é muito controversa e outras instâncias da Justiça já recusaram. (A CD diz que utilizou muita outra prova, mas é óbvio que, quem ler os acórdãos, percebe que isso é um eufemismo);

- Lisandro Lopez foi o primeiro - e até agora o único jogador da Liga Sagres - a cumprir um jogo de castigo por simulação de um penalti. A CD acha que cumpriu todos os cinco items cumulativos para essa punição, coisa que mais nenhum jogador conseguiu em imensos jogos antes e depois desse FC Porto-Benfica da época passada!

São três decisões diferentes em que as interpretações da CD têm todas um dado comum - defende a interpretação menos favorável ao FC Porto. Se calhar com razão, mas em três casos diferentes, a conclusão é a mesma.

Mas se nestes casos a interpretação é assim, o caso mais grave é outro, em meu entender: a suspensão a Vandinho. O brasileiro do Sporting de Braga é punido com base em imagens que são tudo menos claras, com uma severidade que também é da interpretação da própria CD - bastava que houvesse provocação (coisa bem possível, até na forma verbal) do treinador-adjunto do Benfica ao jogador para a punição ser completamente diferente. Mas a CD, num estilo muito justiceiro, não teve dúvidas numa situação em que quem vê as imagens tem imensas dúvidas. Era assim tão importante punir um jogador que tem um cadastro quase limpo? A Justiça desportiva não se deve fazer com mais evidência e mais prova?

Ou seja: não se trata aqui só de aplicar os regulamentos, como diz Ricardo Costa, o presidente da CD - porque é que nunca aparece mais ninguém da CD a defender as decisões? - , mas bem mais de interpretação antes da aplicação da lei.

E essa interpretação teve sempre um mesmo sentido nestes quatro casos fundamentais. Estou a constatar um facto, nada mais do que isso, porque as decisões são todas defensáveis. Tenho imensas dúvidas que sejam todas justas e correctas, acho mesmo que algumas são do tipo persecutório, mas são todas defensáveis.


por : Manuel Queiroz
Tags : Futebol Clube do Porto,I Liga,Comissão Disciplinar da Liga,Hulk,Ricardo Costa

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2010-02-18 17:50:31

Passar a escrito

Passar a escrito
EPA/Paulo NovaisMartin Hansson ouve das boas de Arsène Wenger depois do polémico segundo golo do FCPorto ao Arsenal Não faltam exemplos, até na Liga dos Campeões, de golos iguais àquele  segundo de ontem do FC Porto - o último de que me recordo é o do  Barcelona, frente ao Sporting, na época passada, também na Liga dos Campeões. Como não faltam exemplos de lances do género que os árbitros  anulam, ou matam à nascença.


Como sempre tenho dito - e este caso mais uma vez comprova - é que nas  regras do futebol falta muita codificação para definir critérios 
claros e objectivos em lances como este. Todos sabemos que o espírito da lei é que o jogo pare o menos possível, que a bola esteja em jogo o  maior número de minutos possível e por isso que a decisão do famoso  Martin Hansson - o da mão de Henry no França-Irlanda - está  respaldada. Mas o espírito não é a lei, esse espírito devia ter, em casos como este, tradução escrita em qualquer parte. E, que eu  conheça, não têm.

Uma coisa é certa: deve ter grandes padrinhos na UEFA esta Suécia que consegue meter este Hansson no próximo Mundial. O delegado da UEFA ao jogo de ontem era um norueguês e recordei-me então que os noruegueses não têm nenhum árbitro, quando até são árbitros reconhecidamente bons.

Porque Hansson não é um grande árbitro, não teve uma boa performance  no Dragão porque teve asneiras a mais (independentemente do golo) e  mesmo assim é muito considerado.

Mais vale cair em graça do que ser  engraçado, como sabe muito bem um certo Michel Platini...

por : Manuel Queiroz
Tags : Martin Hansson,Arbitragem,Arsenal,Futebol Clube do Porto,Liga dos Campeões

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MANUEL QUEIROZ
Manuel Queiroz é jornalista desde 1981 e tem uma carreira ligada sobretudo a jornais. Começou em "O Comércio do Porto", passou depois por "O Jogo" e "Semanário" até integrar a equipa fundadora do "Público" em 1990. No final do ano de 2000 foi convidado para ser subdirector do diário desportivo "Record" e em 2003 passou a desempenhar as mesmas funções no Correio da Manhã. Hoje tem uma colaboração extensa com o Diário de Notícias.
Nascido no Porto em 1960, sempre viveu, estudou e trabalhou na Invicta. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês/Alemão) pela Faculdade de Letras, tem também vasta colaboração publicada em jornais estrangeiros, como "L'Équipe", "Tuttosport", "Corriere dello Sport", "Sport", várias revistas japonesas ligadas ao desporto e também em rádios francesas.
Mas a rádio e a televisão vieram por acréscimo de carreira. Fez comentários a jogos de futebol na TSF e na RR, além de crónicas sobre temas desportivos, colabora com a TVI com regularidade e com a RTP N em programas de temas variados e ainda com a Antena 1 - a falada, com comentários aos jogos de futebol, e a escrita.

André Villas-BoasCardozoGutiBrasilManuel MachadoEvertonÁrbitros de balizaRui AlvesBerlim2009Mundiais atletismoUsain BoltPatricLuís FigoTreinadorBobby RobsonLuisãoPedro EmanuelFederação Portuguesa de FutebolRicardo QuaresmaVarelaBolattiFiorentinatúnelKleberMartin HanssonSilvestre VarelaCostinhaLiga EuropaAngolaTogoCANDiegoJuventusCalcioRed Bull Air RaceTiago CraveiroCD LigaRicardo CostaDiego MaradonajornalismoLiga Portuguesa de ClubesLiga Portuguesa de Futebol ProfissionalSporting de BragaPSGLucílio BaptistaFrederico GilKonrad PlautzAdrianoJosé MotaCandido CannavóMundialArbitragemVítor PereiraBruno ChinaRuben MicaelNacional da MadeiraNenéMiguel VelosoLuciano d´OnofrioAntena UmRaul MeirelesLiga espanholaeleiçõesBoa MorteCissokhoNuno CardosoSaviolaBruno CarvalhoEusébioFalcaoLyonLuís Filipe VieiraÁlvaro PereiraPaços de FerreiraReal MadridPepeLiga de HonraYazaldeAntero HenriqueEleições SportingJosé Eduardo BettencourtDias FerreiraPaulo SérgioÁustriaNelson ÉvoraVanessa FernandesVicente MourabasquetebolEUAPlatiniInter de MilãoVítor BaíaMundial 2010Hermínio LoureiroCristian RodriguezPequim400m estilosrecordesAssembleia Geral da LigaCarlos QueirozQuique FloresPablo AimarArrigo SacchiValentim LoureiroMarco FerreiraJogos OlímpicosPequim 2008ChinaNataçãoNuno GomesVukcevicSapunaruJorge JesusLiedsonBruno PaixãoEstrelaUnião EuropeiaDrogbaQuimHulkÁrbitrosCosme MachadoPedro HenriquesDuarte GomesRedknappPortsmouthArsene WengerArsenalLeixõesMiguel LopesSílvioMundial 2018Candidatura IbéricaArgentinaUruguaiHeltonPremier LeagueBragaJoachim LöwJoaquim TeixeiraBoavistaDérbiTaça de PortugalChalanaItáliaBerlusconiRonaldinho GaúchoAcadémicaSoares FrancoLisandro LopezLiga dos CampeõesLucho GonzalezDesmaretsManuel CajudaVitória SCApito DouradoFutebol Clube do PortoSérgio SilvaEuro 2004Cristiano RonaldoTurquiaFatih TerimAragonésEspanhaAlemanhaHolandaManuel QueirozHélder PostigaDias da CunhaComissão Disciplinar da LigaEstrela da AmadoraMessiRijkaardBarcelonaChelseaErikssonManchester UnitedApito finalVitória de GuimarãesBruno AlvesPinto da CostaLisandroSchalke 04Taça UEFAPereirinhaSportingGetafeUEFAJoão LoureiroSumaríssimoTaça da LigaVitória de SetúbalEduardoJesualdo FerreiraPitbullJosé MourinhoGréciaScolariEuro2008SelecçãoPortugalPaulo BentoCarlos CarvalhalRui CostaVieiraBenficaFCPCamachoI LigaBwinQuaresmatrivelaFCPorto
        
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