De Trivela

Manuel Queiroz

2010-04-15 15:30:46

O Jamor tão longe

O Jamor tão longe
Foto: Lusa/Paulo NovaisEdu, herói em Chaves A qualificação do Chaves para a final da Taça de Portugal encerra em si todo o mundo do futebol português. Está a caminho de descer à II Divisão, ou seja, a passar aos campeonatos não profissionais, tem enormes problemas financeiros que levam alguns dos seus adeptos a pensarem que o melhor pode ser acabar com o clube e fundar um novo a partir do zero e, mesmo assim, consegue ter forças e ânimo para chegar ao Jamor depois de vencer duas equipas da I Liga - Paços de Ferreira e Naval.

Está aqui um pouco de tudo e ainda mais: o herói improvável foi um jovem de 19 anos, Edu, rapaz atrevido e com jeito para a bola que sempre jogou no Desportivo, que marcou dois golos nos últimos minutos da segunda mão frente à Naval, na passada terça-feira. Não costumava jogar muito, mas foi ele que se tornou na figura da equipa.

O futebol é muito isto, no sentido em que muitas vezes ganha quem não se espera e da maneira que menos se espera.

As dificuldades dos clubes não são muito diferentes das dificuldades que sentem as empresas em períodos de crise como aquele que atravessamos. Mas a crise do Chaves é como a do país – está para além dessa crise. É anterior e mais complicada e tem a ver com a viabilidade do próprio clube numa zona do País onde tudo se torna muito difícil.

Mas aqui tratamos de futebol e nisso o Desportivo de Chaves tornou-se vedeta nesta semana. A 16 de Maio lá estará na final da Taça de Portugal, com o seu povo. Também aqui está todo o futebol português: pelos vistos ainda ninguém se lembrou que dava muito mais jeito que a final fosse, por exemplo, em Braga, algo quase a meio do caminho entre as cidades do Porto e de Chaves. O Estádio Nacional não serve para mais nada, tem que ter mesmo um jogo especial como a final da Taça para nos lembrarmos que existe.



por : Manuel Queiroz
Tags : Chaves,Taça de Portugal

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2010-04-14 12:28:41

Aimar e Rodriguez

Aimar e Rodriguez
Foto: Reuters PicturesAimar já contornou o guardião Rui Patrício e prepara-se para marcar o golo que pôs o marcador em 2-0, no Benfica-Sporting de 13 de Abril de 2010 Há coisa de um ano escrevi aqui neste blogue que o Benfica tinha feito mal em, no fundo, ter trocado Cristian Rodriguez por Aimar. Hoje a conclusão pode ser diferente, ou mesmo contrária, porque o uruguaio do FC Porto, se deu um contributo importante para o título da época passada, este ano já teve quatro lesões, tem poucos jogos e poucos golos, enquanto Aimar acabou por ser um dos elementos decisivos do Benfica de Jorge Jesus.

O futebol é o momento e, há um ano, o momento era de Rodriguez. Hoje é de Aimar, que ontem entrou ao intervalo e ajudou muito a dar cabo de um Sporting que na primeira parte até tinha sido melhor. E nesses grandes jogos faz toda a diferença. Claro que dificilmente o Benfica fará uma mais-valia com o seu internacional argentino mas, também há um ano eu disse que o FC Porto tinha pago dinheiro a mais (sete milhões) por Cristian Rodriguez.

Na época passada discutia-se o lugar de Aimar na equipa - Quique colocava-o como segundo avançado, coisa que desagradou a muita gente. Este ano, Jorge Jesus começou por fazer dele médio, e Aimar respondeu bem, mas acaba com ele onde o tinha deixado Quique Flores, ou seja, a avançado que, na minha óptica, foi sempre mais o seu lugar. Mas a verdade é que no sistema de Jesus, que tem um inegável e elogiável sentido de ataque, os jogadores sentem-se confortáveis e conseguem fazer várias posições. Como Aimar.

PS - O árbitro João Ferreira, que me recordo de no Marítimo-Benfica ter expulsado Olberdam por palavras ditas a muitos metros dele, ontem perdeu várias boas ocasiões para expulsar jogadores (Luisão foi apenas o caso mais evidente, mas houve bem mais...) por agressões diversas. Com João Ferreira os jogadores ficam a saber que devem olhar para o que dizem, não para o que fazem...




por : Manuel Queiroz
Tags : I Liga,Benfica,Sporting,Pablo Aimar,Cristian Rodriguez

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2010-04-10 16:22:22

Quique, Jesus...

Quique, Jesus...
Foto: Getty ImagesJá sem hipótese de intervir, Sidnei assiste ao golo do Liverpool marcado por Lucas. Foi o segundo dos quatro tentos que atiraram o Benfica para fora da Liga Europa. A eliminação do Benfica da Liga Europa foi dura. A equipa de Jorge Jesus perdeu uma boa oportunidade de voltar a uma final europeia e de a ganhar. Só faltava que fosse agora Quique Flores, o seu antigo treinador, a levantar o troféu com o Atlético de Madrid. Já se viram ironias destas no futebol...


Há para aí muitas criticas a Jorge Jesus pelas suas opções na defesa em Anfield - Ruben Amorim à direita, David Luiz à esquerda, Sidnei e Luisão no meio. Jorge Jesus sabe melhor do que ninguém quais eram as melhores opções, porque ele é que tem todos os elementos para tomar as decisões, como é obrigatório dizer nestas ocasiões.

Mas não deixa de ser estranho que Sidnei, que nunca mereceu a confiança do treinador, fosse o escolhido para jogar num dos encontros mais importantes da época. Ou que Fábio Coentrão seja anunciado pelo treinador como próximo defesa-esquerdo da Selecção Nacional e depois fique no banco nestes encontros.

Mas os treinadores têm estes raciocínios, como teve Jesualdo Ferreira com a colocação de Nuno André Coelho a titular no Arsenal-FC Porto. Ou, tantas vezes, Guarin.

Jorge Jesus costuma ser mais previsível mas também não o conhecemos muito nestas situações, pois não?


por : Manuel Queiroz
Tags : Benfica,Jorge Jesus,Liga Europa

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2010-04-08 15:14:19

Sem ingleses

Sem ingleses
Foto: Getty ImagesO momento em que Cardozo fez o 2-1 ao Liverpool, no jogo da primeira mão As meias finais da Liga dos Campeões não tem ingleses. É a primeira vez que isso acontece nos últimos sete anos e desde 2004-2005 12 dos 20 semifinalistas eram ingleses. Um enorme poder.

É um pouco desse poder que o Benfica enfrenta hoje em Anfield Road. O Liverpool tem vindo a perder terreno e os problemas com os donos americanos são muitos. Tantos que o treinador Rafa Benitez disse ontem que precisava de dinheiro para investir de modo a que a equipa progredisse no terreno, o que não é um discurso verdadeiramente aliciante para quem vai jogar hoje os quartos-de-final da Liga Europa. Mas é assim que estão as coisas na terra dos Beatles, hoje a segunda praça financeira inglesa mas uma cidade à procura de si mesma. Como o clube.

Não tem sido uma grande temporada para os "red devils" que, inclusivamente, já perderam vários jogos em casa. Não é fácil, de qualquer modo, ganhar em Anfield - e quem já sentiu o "Kop" percebe isso melhor do que ninguém - mas o Benfica também não precisa de ganhar. Basta perder por um marcando mais do que um golo, ou empatar. Creio que o Benfica, como tenho dito, tem uma grande oportunidade de ganhar a Liga Europa. Hoje será um momento decisivo para isso. Esperemos que Di Maria, Cardozo, Luisão, estejam em dia sim. Como têm estado, quase sempre, ao longo desta época.



por : Manuel Queiroz
Tags : Benfica,Liga Europa

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2010-04-06 13:19:44

O árbitro

O árbitro
LusaArtur Soares assinala grande penalidade contra o Vitória de Guimarães No futebol português, qualquer decisão arbitral começa por estar sob suspeita até que se prove o contrário. Não devia ser assim, mas é.

Artur Soares Dias é árbitro e filho de árbitro, tem muitas qualidades e é um juiz de campo de penalti fácil: há coisa de um ano até marcou dois para os visitantes num jogo só no Dragão, no FC Porto-Setúbal (Leandro Lima falhou o segundo, mesmo nos últimos minutos de jogo).

É um bom árbitro e muitos dos seus amigos que conheço, directa ou indirectamente, juram pela sua honestidade. Não tenho nenhuma razão para pensar outra coisa e a sua carreira na arbitragem tem sido boa - mesmo prometedora.

No Braga-Guimarães do passado fim-de-semana, porém, as coisas começaram mal e acabaram pior. Artur Soares Dias começou por desdizer uma frase feita, segundo a qual os protestos dos jogadores nunca mudam decisões dos árbitros. No caso mudaram e bem, porque não havia falta nenhuma para a grande penalidade que ele tinha assinalado e para o cartão amarelo que imediatamente mostrara. Se foi por imagens televisivas ou não que a decisão foi mudada, não sei.

Do rol de grandes-penalidades que vi serem marcadas parecem-me duas inexistentes (os dois últimos do Braga) - no primeiro caso, Valdomiro faz a falta toda fora da área (e é bem expulso, mas por ser falta de último homem com jogada prometedora de golo) e na última o árbitro equivocou-se por completo. Nos outros dois (uma para cada lado) dou o benefício da dúvida.

Mas não é bom também para o árbitro equivocar-se a mostrar cartões vermelhos (como fez ao bracarense Rodriguez) em vez de amarelos - que, aliás, na jogada em questão, acho até que nem se justificava cartão nenhum. Mas muitos árbitros acham que qualquer falta de penalti merece cartão amarelo, coisa que não está escrita em lado nenhum e que eu contesto que esteja no espírito e na letra da lei.

Dito isto, a minha ideia não mudou: no fim do campeonato, entre as principais equipas, o deve e o haver dos erros dos árbitros é muito equilibrado. E não me parece bem que Jesualdo Ferreira fale nisso - não é discurso de treinador com tantos anos de profissão.



por : Manuel Queiroz
Tags : Sporting de Braga,Vitória de Guimarães,Artur Soares

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2010-04-01 13:51:08

Final antecipada

Final antecipada
Getty ImagesJorge Jesus durante a conferência de imprensa de antevisão do encontro frente ao Liverpool Benfica-Liverpool, dois ex-campeões europeus, muita história - eis uma eliminatória da Liga Europa que faz sonhar um grande embate. O Benfica tem estado bem todo o ano - mesmo nos jogos que perdeu podia ter ganho, porque foi sempre capaz de criar oportunidades de golo -, o Liverpool nem por isso. E a verdade é que a história não tem sido amiga das equipas que descem da Liga dos Campeões. Como aconteceu ao Liverpool, que esta época já foi até várias vezes derrotado em casa. E quem conhece o mítico "Kop", a maior bancada de topo de um estádio no mundo segundo reza a história, percebe bem que nunca é fácil derrotar ali os "Reds".


Uma final antecipada, diz Jorge Jesus. Pode ser vista assim, de facto, a eliminatória. Ainda há dois espanhóis (Valência e Atlético de Madrid), dois alemães (Wolfsburgo e Hamburgo) mas é indiscutível que o Benfica é, de todos os oito, o que tem feito uma época mais segura. Eliminar o Liverpool era um grande passo para a final e este Benfica tem claramente possibilidades de lá chegar.

O Liverpool, com o treinador Rafa Benitez, taças, não campeonatos. Geralmente começa mal e acaba melhor as temporadas. Tem Gerrard, Torres, Mascherano, Kuyt, Babbel. Tem imensos problemas com os proprietários americanos. É um grande desafio para o Benfica de Luisão, Aimar, Di Maria, Cardozo.

Nesta fase dos quartos-de-final, impõem-se normalmente a consistência táctica da equipa e as individualidades. O Benfica é forte em ambas. Jorge Jesus é tacticamente muito competente mas atenção: este Liverpool há muito que não é britânico no sentido futebolístico do termo e não por acaso tem treinadores estrangeiros há doze anos - seis de Gerard Houllier, outros seis de Benitez (mesmo sem nenhum deles ganhar um único campeonato inglês). É uma equipa cínica, de espera, e o Benfica gosta do ataque. O mais do que provável próximo campeão português terá que ser hoje mais equilibrado do que é costume, refrear-se um pouco porque senão corre sérios riscos.  

 



por : Manuel Queiroz
Tags : Benfica

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2010-03-30 10:56:09

Hulk e Di Maria

Hulk e Di Maria
Getty ImagesHulk Com a vitória mínima sobre o Braga, no passado domingo, o Benfica conseguiu atingir o seu objectivo máximo: já poucos contestam que se trata do novo campeão nacional. Tem seis pontos de vantagem e apesar de um calendário não fácil, a equipa de Jorge Jesus mostra uma força colectiva que mais ninguém mostrou. A única que se aproximou até agora, diga-se, foi o Braga, mas servida por jogadores de menos recursos técnicos. O que faz toda a diferença e mostra o trabalho que a equipa tem.

Disse Jesualdo Ferreira no fim do jogo do Restelo, que antes do jogo da Luz, à 14ª jornada, o FC Porto estava a um ponto do Benfica e do Braga. É verdade. Mas nesse jogo, precisamente, o tetracampeão, ainda com Hulk em pleno, mostrou todas as suas limitações perante um Benfica com vários jogadores de fora (tanto que até jogou Urretavizcaya). Ou seja, esse encontro foi um ponto de viragem mas também foi o momento em que se perceberam as grandes diferenças. A incapacidade do FC Porto foi notória, por muito que o resultado fosse apenas de 1-0 e com um golo estranho (e muitas vezes a sorte também faz toda a diferença, sublinhe-se). A crise do FC já se vinha a desenhar e confirmou-se ali. Confirmou-se sobretudo um Benfica bem mais saudável como equipa, bem mais ambicioso, bem mais ciente da sua força. Quem ganha ao FC Porto sem Aimar e Di Maria, com eles ganha aos outros todos.

Dito isto, andam a ver mal o futebol os que pretendem que o FC Porto com e sem Hulk vale a mesma coisa. Que ideia tão estapafúrdia. É a mesma coisa que dizer que o Benfica é o mesmo sem Di Maria, que o Real Madrid é o mesmo sem Ronaldo ou que o Barcelona não muda nada sem o Messi.

Outra coisa é dizer que, provavelmente, o Benfica sentiria menos a perda de Di Maria  durante três meses do que o FC Porto sentiu a falta de Hulk. Isso já pode ser verdade, sobretudo porque Jorge Jesus conseguiu construir uma equipa com uma coerência própria que prescindiu muitas vezes de alguns dos seus melhores homens. E o FC Porto nunca o conseguiu, sobretudo porque não resolveu nunca o problema chamado Belluschi, ou o patrão do jogo da equipa.

 



por : Manuel Queiroz
Tags : Hulk,Benfica,FCPorto,Dí Maria

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2010-03-25 10:53:08

Evitar um grande sarilho

Evitar um grande sarilho
APO castigo de Hulk foi reduzido pelo CJ da FPF O Conselho de Justiça, com a decisão de ontem, ajudou pelo menos a evitar uma tragédia no futebol português, que era a de considerar elementos menores, pagos por um dos contendores e apenas ao serviço deste, em elementos decisivos do jogo e do campeonato.


O Conselho de Justiça entende que enquadrar os "assistentes de recinto desportivo" - para mim com letra pequena, claro - agentes desportivos, não fazia sentido.  Mas também diz não se sentir confortável de os enquadrar como "público", que também não são e que é a categoria que resta. Mas se os regulamentos estão mal feitos, como a própria Comissão Disciplinar da Liga entende, apesar de tudo, a interpretação tem que levar isso em conta. E se o Conselho de Justiça o fez, a Comissão Disciplinar também o podia ter feito.

Ricardo Costa defenderá o Direito e a forma como o aplicou porque no Direito há sempre forma de defender quase tudo e ainda mais com citações de especialistas estrangeiros em profusão, só que na verdade ninguém compreendeu a sua decisão.

Não houve bom senso, não houve sensibilidade, não houve sentido das proporções. E a Comissão Disciplinar de Ricardo Costa não foi capaz de perceber isto. E ia arranjar um sarilho ainda maior para o futebol português. Qual era o de tornar os "stewards" em pontas-de-lança dos túneis, capazes de marcar golos em prolongamentos fora do relvado.

PS - Dito isto, continuo a considerar que a suspensão a Vandinho, do Braga, é que é o verdadeiro escândalo das decisões da Comissão Disciplinar. Porque essa suspensão, por uma tentativa de agressão inexistente, só se defende recorrendo a argumentos que não são do direito nem da verdade.


por : Manuel Queiroz
Tags : FCPorto,CD Liga

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2010-03-23 10:39:42

Trabalho de treinador

Trabalho de treinador
APFalcao no final do jogo frente ao Benfica que os "encarnados" venceram por 3-0 Diz a Lei de Murphy que em certas situações tudo o que pode correr mal corre mesmo mal - é a história de a torrada cair sempre ao chão com o lado da manteiga para baixo. De alguma forma, isso aconteceu com o FC Porto nesta final da Taça da Liga com a lesão de Varela na véspera e o frango (para falar só de um) de Nuno, que tornou o caminho dos dragões ainda mais a subir do que já parecia antes do jogo do Estádio de Faro.

Tudo isso facilitou a tarefa do Benfica, que está num óptimo momento - aliás ainda não teve maus momentos ao longo da época - e nem teve que se esforçar muito para ganhar a final da Taça da Liga.

Não teve que jogar muito bem, é certo, mas ainda assim teve que jogar. E apesar dos remendos na equipa, respondeu à altura. E aí vê-se o trabalho do treinador. É que já todos tínhamos visto jogar homens como Maxi, Coentrão, Carlos Martins, Ruben Amorim, Aimar e nunca eles jogaram tão bem como jogam hoje. Sei bem que quando as coisas correm bem, correm mesmo bem - a Lei de Murphy também tem o seu contrário - mas não é só isso. É mais do que isso. É uma máquina que joga a alto nível mesmo que sejam Luís Filipe e Urretavizcaya a defrontarem o FC Porto em jogo do campeonato, como aconteceu em Dezembro.

É isto que eu chamo trabalho de treinador. Ter a equipa tão organizada que funciona prescindindo de jogadores importantes. É essa a diferença de Jorge Jesus. Disse no Leixões-Benfica para a Liga, que se jogou a 27 de Fevereiro, que o Benfica podia ganhar campeonato e Liga Europa. Estou hoje mais convencido disso.


por : Manuel Queiroz
Tags : FCPorto,Benfica

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2010-03-18 12:39:43

O último desafio

O último desafio
Getty ImagesJosé Mourinho José Mourinho conseguiu mais uma daquelas vitórias marcantes da carreira. O Inter eliminou o Chelsea da Champions, com uma vitória em Stamford Bridge, vitória que ninguém contestou. Só ganhou um dos últimos seis jogos na liga italiana, mas ganhou os dois últimos da Champions e isso é mais importante.

Mourinho está de saída do Inter, já não tenho dúvidas. Não lhe agrada o ambiente e a forma como o clube se organiza e ainda a maneira de dirigir o clube do presidente Massimo Moratti. Verdadeiramente, Mourinho ainda não conseguiu reunir a sua equipa no Inter e isso, ao fim de dois anos, é demasiado para alguém que tem tanta pressa como o treinador português.

Madrid é, provavelmente, o destino de José Mourinho. O Real precisa de um treinador de primeiríssima linha - Pellegrini não é reconhecido como tal - para uma equipa de primeiríssima ordem e, como Mourinho, haverá só três ou quatro. E o português está disponível para sair de Itália onde nunca se sentiu demasiado à vontade. De facto, as suas manhas tácticas e os seus "mind games" não passam demasiado bem numa Itália em que a Imprensa aprofunda muito as questões e em que as equipas são muito organizadas defensivamente.

Para José Mourinho, este salto, mais do que provável, é o cume de uma carreira de enorme sucesso. A Casa Branca madrilena tem um apelo que mais nenhum outro clube tem. Há apenas um problema, na minha óptica: o Real tem uma cultura de jogar bem, de ganhar e encantar, (mais a mais perante um Barcelona que faz gala disso mesmo) que nem sempre Mourinho tem conseguido na sua carreira. Claro que o mais importante são sempre os resultados. Mas talvez esse seja o último grande desafio da carreira de treinador de José Mourinho: montar uma estrutura que permita atingir esse extremo da perfeição futebolística.    

 



por : Manuel Queiroz
Tags : Liga dos Campeões,José Mourinho

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MANUEL QUEIROZ
Manuel Queiroz é jornalista desde 1981 e tem uma carreira ligada sobretudo a jornais. Começou em "O Comércio do Porto", passou depois por "O Jogo" e "Semanário" até integrar a equipa fundadora do "Público" em 1990. No final do ano de 2000 foi convidado para ser subdirector do diário desportivo "Record" e em 2003 passou a desempenhar as mesmas funções no Correio da Manhã. Hoje tem uma colaboração extensa com o Diário de Notícias.
Nascido no Porto em 1960, sempre viveu, estudou e trabalhou na Invicta. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês/Alemão) pela Faculdade de Letras, tem também vasta colaboração publicada em jornais estrangeiros, como "L'Équipe", "Tuttosport", "Corriere dello Sport", "Sport", várias revistas japonesas ligadas ao desporto e também em rádios francesas.
Mas a rádio e a televisão vieram por acréscimo de carreira. Fez comentários a jogos de futebol na TSF e na RR, além de crónicas sobre temas desportivos, colabora com a TVI com regularidade e com a RTP N em programas de temas variados e ainda com a Antena 1 - a falada, com comentários aos jogos de futebol, e a escrita.

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