Quarta, 16 de Maio de 2012
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Comunidades

Irene Maria F. Blayer, Lélia Pereira Nunes

2012-05-16 02:53:04

"1º. Colóquio do Divino" na Universidade Tiradentes, Brasil

                      

A Universidade Tiradentes - Unit, juntamente com o Instituto Raimundo Mendonça de Araujo - IRMA,  a  Paróquia do Divino Espírito Santo e a Prefeitura Municipal, têm o prazer de convidar Vossa Excelência e família a abrilhantarem com suas presenças o 1º. Colóquio do Divino  a ser realizado na cidade de Indiaroba no estado de Sergipe, conforme programação abaixo.

Contando com suas presenças, antecipadamente agradecemos.

1º. Colóquio do Divino   na Universidade Tiradentes, Brasil



por : Irene Maria F. Blayer - Lelia Pereira Nunes
Tags : Canadá,Brasil,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2012-05-15 23:54:18

Poema do Dia: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A MULHER de Eugénio de Andrade

Comentários de Eduarda Rabelo  e Urbano Bettencourt ;
Dito por: Nelson Cabral

O Projeto Poema do Dia é uma rubrica da Associação Cultural Despe-te-que-suas em coprodução com Antena 1 Açores, com apoio da Direção Regional da Cultura do Governo dos Açores e que o Blog Comunidades tem a satisfação de (re)transmitir


Eugénio de Andrade por Emerenciano




foto: Niko Guido



ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A MULHER / Eugénio de Andrade

Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.

Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.

Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.

Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.

Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.

O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.

Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.

Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.

É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.










por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Açores,Portugal,Brasil,Canadá

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2012-05-14 16:54:18

"Una obra maestra de João de Melo autopsia de un mar en ruinas" -- Traducción de Rebeca Hernández




"Autopsia de un mar de ruinas: Una obra maestra de João de Melo ",  Traducción de Rebeca Hernández. Ediciones Linteo, Ourense, 2011. 386 páginas.


Por nicolás miñambres
Diario de León Lunes, 14 de mayo de 2012



Conviene advertir de entrada un detalle cronológico: esta novela se terminó en Lisboa en 1983, si bien fue revisada en julio de 1992, hace más de un cuarto de siglo y se localiza en el conflicto de la guerra colonial portuguesa (1961-1974).

El hecho de que el autor participara en los servicios sanitarios lo convierte en testigo directo pero, sobre todo, en cronista excepcional. Narra lo vivido y da cuerpo literario a una magnífica «novela de formación. De la formación de los jóvenes de ambos lados...», escribe Rebeca Hernández, autora de una excelente traducción, plena de dificultades por la «agramaticalidad» de la redacción original.

La existencia de dos mundos le sirve al autor para marcar una diferencia literaria. La voz de los soldados portugueses ocupa los capítulos impares, frente a los pares, donde se refleja el sentir de los angoleños.

Uno y otro mundo se convierten en la sustancia temática que el novelista transforma en un resultado expresivo prodigioso, en el que late un hondo desconsuelo: «Aún no era oportuno llegar a las lágrimas». Uno de los recursos más originales tal vez sea el comienzo, en versales, de los capítulos, transformado así en epígrafe.

Sirva de ejemplo el vigésimo tercero: «El día en que yo morí en la guerra, estaba este mismo sol de cloro parado en mis venas».

Autopsia de un mar en ruinas ofrece dos atractivos esenciales. El primero surge de la visión espeluznante de una guerra plena de escenas escalofriantes, salpicadas con detalles de gran ternura.

Es lo que ocurre con los personajes, repartidos entre la limpia condición primaria de los angoleños y la crueldad de los soldados. El segundo tiene que ver con la variadísima riqueza de recursos expresivos de los que hace gala el autor.

El título de la obra (Autopista de un mar en ruinas)es la mejor prueba. En sus páginas abundan descripciones basadas en el uso de una prolijidad minuciosa y descarnada junto al sabio empleo de prosopopeyas, perífrasis poéticas, metáforas inesperadas, metonimias, imágenes impresionistas y un abundante empleo de la anáfora.

Resulta esencial la voz del narrador, especialmente la interpretación del soldado Renato escribiendo una carta a su amor cuando se enfrenta a una muerte inmediata. Lo apuntado conlleva a una conclusión muy clara: Autopsia de un mar de ruinas es una de las grandes novelas de las últimas décadas.

     
 

Autopsia de un mar de ruinas
João de Melo

 
 
Traducción de Rebeca Hernández Alonso

 

Autopsia de un mar de ruinas es la disección de una barbarie en la que se narra con inusual crudeza el sufrimiento de un pueblo que parece emerger del fondo de un mar de ruinas. La prosa es directa, sin eufemismos que suavicen la existencia de los vivos y la realidad perenne de la muerte. Esta novela es un testimonio desgarrado de la guerra colonial portuguesa.

COLECCIÓN: Linteo Narrativa
ISBN: 978-84-96067-62-2
AÑO: 2011, 1ª ed.
PÁGINAS: 388


 
     

 

por : Irene Maria F. Blayer - Lelia Pereira Nunes
Tags : Espanha,Canadá,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2012-05-13 02:54:54

No coração da história e na história de cada coração! ** José Manuel Santos Narciso

No coração da história e na história de cada coração! **José Manuel Santos Narciso

No coração da história e na história de cada coração!


Todos os anos, as Festas do Senhor batem à porta de cada açoriano e de um modo especial de cada micaelense. E neste ano de 2012, ano de todas as crises e de todas as incertezas, batem à porta com a mesma intensidade com que o Provedor da Irmandade dá os toques tradicionais, a pedir às religiosas guardiãs da Imagem que autorizem que esta seja entregue ao povo para que durante dois dias a venere como “Príncipe das Ilhas” e Rei do Universo.
Em cada casa, mesmo na mais pobre, mesmo na mais distante, onde o progresso teima em não chegar, nos acessos e na qualidade de vida, há um cheiro diferente, há um sentir de algo que vai acontecer, porque, embora repetido, em cada ano, no ritual e nos gestos, cada festa do Senhor Santo Cristo é mesmo um acontecimento que marca e que perdura.
Chegam as cartas de longe, regadas de saudade. Tocam os telefones e agora, multiplicam-se os emails. Marcam-se viagens, mesmo quando se exploram, em dinheiro e falta de vergonha as pessoas que nesta data querem vir aos Açores. Acertam-se datas e a espera torna-se alegria incontida que bate à porta dos vizinhos, familiares e amigos que, no dia certo, sem fazer conta de tempo nem de hora, enche o Aeroporto, como outrora já encheu o cais, mãos a acenar, sem saber bem se saudar ou se limpar as lágrimas de tanta saudade que a festa do senhor vem matar por uns dias.
Nos últimos tempos, as festas do Senhor Santo Cristo estão a tornar-se num ponto de encontro diferente mas mais abrangente. Já não são só os emigrantes que regressam, com filhos e netos, descendentes desta aventura açoriana no Mundo. Hoje, já são muitas famílias de imigrantes, dos países lusófonos, dos países do Leste Europeu e de outras proveniências que querem que os seus familiares venham e estejam com eles uns dias, para conhecerem a festa, culto e a devoção ao Senhor que na invocação de Santo Cristo vão aprendendo a amar e a conhecer o dia a dia da sua “diáspora” em São Miguel.
Eles são e vão ser a “nova ilha dos Açores” que precisa de um lugar neste mar de fé para se afirmar, para mostrar as suas próprias tradições e também para serem agentes de transmissão, nos seus países de origem, dos costumes que aqui vieram encontrar.
É o sentido pleno das festas do Santo Cristo que vão ganhando uma dimensão cada vez mais universal, independentemente de alterações que têm vindo a ser introduzidas e que fazem com que determinados ritos vão sendo alterados, como aliás, foram em outras alturas.
Em cada ano, um motivo novo, em cada ano, um pensamento diferente, para novas necessidades, para novos problemas, todos a caber na imensa misericórdia que emana do rosto do Senhor, Ele mesmo com nova e sempre diferente expressão, como só um invulgar escultor poderia ter criado.
Cheira a festa, a convívio a esperança que se adensa neste ciclo de saudade que enforma e informa a gente das ilhas, com o mar por horizonte e a distância como companhia. Os que estão e recordam os ausentes; os que partiram e fazem dos seus pensamentos caminhos de alma a percorrer cada canto, cada rua, cada nesga de altar lavado nas lágrimas do não poder regressar; e ainda os que chegam e de longe vêm e aqui fazem tempo de trabalho e de melhoria de vida.
Gente pobre e humilde, gente a quem tudo parece ter faltado nos seus países de origem, mas gente que sonha com um lugar ao sol, como tantos dos nossos que largaram o sacho, as vacas, a incerteza da mesa vazia, pelo desejo da aventura em países distantes e que levantaram templos e associações, criaram festas, enraizaram tradições, fundaram Impérios, partilharam costumes e afirmaram a açorianidade nos quatro cantos do mundo, em muitos dos quais desapareceu a língua e a ligação à terra, mas manteve-se o culto pelo passado, inculturado e transformado, mas de profunda raiz açoriana.

O Senhor Santo Cristo foi com eles, desde a primeira hora, de várias formas, em quadros, imagens e registos. Hoje, vai para outros países, os países de imigração, pelas mãos de tantos imigrantes que não resistem em levar ou em mandar para as suas famílias, uma foto, uma imagem ou uma simples recordação em que figure o Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Foi um gesto destes que me inspirou este pequeno e despretencioso trabalho. Numa das minhas silenciosas visitas ao Santuário, ao sair de uns momentos junto do Senhor, vi um imigrante com um postal e um terço na mão. Ele vinha da Roda e ia entrar na Igreja. Saudei-o e no curto diálogo soube que era de Cabo Verde. Quando lhe disse que também conhecia algumas ilhas daquele arquipélago país, foi como uma torneira que se abrisse. Que estava cá há quatro anos, que trabalhava na construção mas queria estudar para ir mais longe, que deixou os pais e mais quatro irmãos na ilha e mais, de tudo um pouco, até chegarmos ao senhor santo Cristo. Tocou-me a pergunta que me fez? Como veio este Senhor parar aqui?
Claro que tentei explicar com elementos históricos, mas ficou-me no pensamento e no coração a pergunta: Será que este Senhor é um “Imigrante” em São Miguel? Sim, porque a Sua Imagem veio de longe e nem o nome do Seu escultor se lhe conhece. E fiquei ali a ver a fé daquele homem de Cabo Verde que também viu no “Ecce Homo” um lenitivo para os seus problemas e um lugar para desabafar saudades. Estampa e terço na mão.
Prometi a mim mesmo que este seria o meu testemunho nestas festas do Senhor deste ano, porque os caminhos da vida andam cruzados com mistérios que só o Coração de Deus conhece, e num mundo que tenta esconder e relegar Deus para planos não essenciais da vida, é dos humildes que surge a mais genuína e pura manifestação da Sua presença.
Quem pode mandar e orientar o coração de cada homem e de cada mulher que olha o Senhor na penumbra do altar, dentro das grades do Coro-Baixo , ou no brilho do trono de luz e de glória do seu andor? Quem pode penetrar no sentido de cada olhar, na magia de cada gesto ou no sentimento de cada promessa? O Senhor, nesta Imagem, tornou-se o “Cativo” das Ilhas para libertar outros tantos cativeiros que a linguagem humana não entende.
Veio para o Vale de Cabaços, da Caloura, na bagagem de duas religiosas, e como “Cativo” foi transferido para Ponta Delgada, porque com a pirataria de então que assolavas as zonas mais inóspitas da Ilha, “nem Deus, nos templos e sacrários estava seguro”, como diria António Vieira, falando da guerra.
E hoje continua… vive “Cativo” durante todo o ano. Mas nestes dias, deixa de estar á espera no silêncio dos dias e no escuro das noites.
Sai. Vai ao encontro do povo e deixa-se ser olhado, sem olhar quem nem como…
E este olhar do povo é a coisa mais bela que pode existir e que ninguém tem, sequer a veleidade de julgar, porque “o Amor tem olhos que os olhos deste mundo não alcançam”…

Santos Narciso

In: Jornal Correio dos Açores, de  12 de maio de 2012, Sábado do Senhor.
Ponta Delgada,Açores.

O autor, José Manuel Santos Narciso, é jornalista de profissão, Director Adjunto do ‘Correio dos Açores’.

(*) Fotos  da Procissão Musança da Imagem de 12 de Maio de 2012. http://www.facebook.com/senhorsantocristo



por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Canadá,E.U.A.,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2012-05-12 21:26:43

Manuel Alegre, "Código" - (c/áudio) Por Olegário Paz


Açorianidade - 107 [Manuel Alegre, "Código". Aníbal Raposo, "O meu canto"]







(Andy Warhol -'Vesuvius' 1985)




CÓDIGO

 

Vitorino Nemésio traz Margarida
Pela mão. E vem Raul Brandão
com sua ilha em frente: a mais apetecida.

Mas eu oiço o vulcão a pulsação
a linguagem secreta
transmitida
de poeta a poeta.
Ouço o mistério o cedro a música da lava

o rumor mineral e o canto
subterrâneo. O código e o sinal.
Tudo é ritmo e palavra
celebração imagem lugar santo.

 

 

Manuel Alegre,
Escrito no mar: livro dos Açores,
Lisboa, Sextante Editora, l.da, 2008.

 

 

Manuel Alegre de Melo Duarte (1936), poeta, escritor, político, é natural da cidade de Águeda. Exilado, regressou a Portugal em 1974. Reside e trabalha em Lisboa.





Imagem de:
http://multimedia.museomadre.it/foto/web/opera542_museo_madre.jpg






por : Irene Maria F. Blayer - Lélia Pereira Nunes
Tags : Canadá,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)

Este blogue é  sobre a perspectiva da distância, o olhar de quem vive os Açores radicado na América do Norte, na Europa, no Brasil, ou em qualquer outra região. É escrito por personalidades de referência das nossas comunidades com ligações intensas ao arquipélago dos Açores.

Irene Maria F. Blayer - Canadá
Nasceu na Vila das Velas, São Jorge, Açores. Reside no Canadá desde 1977. Doutorada em Linguística Românica. Professora Catedrática da Brock University, Ontário, Canadá. Neste espaço procura-se a colaboração de colegas e amigos cujos textos, depoimentos, e outros -em Inglês, Português, Francês, ou Castelhano- sejam vozes que testemunhem a  nossa 'narrativa' diaspórica, ou se remetam a uma pluralidade de encontros onde se enquadra um universo  que  contempla uma íntima proximidade e cumplicidade com o nosso imaginário cultural e identitário.--Born in  Velas, São Jorge, Azores, and lives in Niagara-on-the-Lake, Ontario, Canada.  Holds a Ph.D. in Linguistics (1992) and is a Full Professor at Brock University.

 

Lélia Pereira da Silva Nunes - Brasil
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, aposentada, investigadora do Patrimônio Cultural Imaterial (experts/UNESCO,Mercosul), escritora e, sobretudo, uma apaixonada pelos Açores. Este é um espaço, sem limites nem fronteiras, aberto ao diálogo plural sobre as nossas comunidades. Um espaço que, aproximando geografias, reflete mundivivências a partir do "olhar distante e olhar de casa," alicerçado no vínculo afetivo e intelectual com os Açores. Vozes açorianas, onde quer que vivam, espalhadas pelo mundo e, aqui reunidas num grande abraço fraterno, se fazem ouvir. Azorean descent.-- Born in Tubarão(SC) and  lives in Florianopolis, Santa Catarina Island,Brasil. She holds a Master's degreee  in Public Administration, and is an Associate Professor at Federal University of Santa Catarina.

 

--------------------------------------------------------------

Nota: é proíbida a reprodução de textos e fotos deste blogue sem autorização escrita do Multimédia Açores.

Note: Reprint or reproduction of materials from "Comunidades" is strictly prohibited without written permission from Multimedia RTP.

---------------------------------------------------------------

        
DomSegTerQuaQuiSexSab
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031