Sábado, 21 de Novembro de 2009
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Comunidades

Irene Maria F. Blayer, Lélia Pereira Nunes

2009-11-21 00:40:25

SÉRGIO DA COSTA RAMOS, O MANEZINHO DA CRÔNICA Deonísio da Silva



Piloto de Bernunça tem como fio condutor "o bom humor e o assunto são os usos e costumes, modos e maneiras da cultura mané, a língua, e o jeito manezinho de apelidar todo mundo" revela Sergio da Costa Ramos.

O livro traz participações de peso do mundo das artes e literatura brasileira. Assim a Arte da Capa, feita sobre uma pintura de Vera Sabino, é de Vinícius Alves, da Bernunça Editora, inspirado numa ideia do artista George Alberto Peixoto.As ilustrações do texto são de Dante Mendonça. O prefácio é do escritor Deonísio da Silva e pósfacio do também escritor ilhéu Raul Caldas Filho. O pianista Arthur Moreira fez o texto da orelha.

Afinal, sai do prelo Piloto de Bernunça, com selo da Bernúncia Editora O lançamento será dia 24 de novembro, na Fundação Cultural Badesc, a instituição que é a referência cultural da capital catarinense.

O prefácio do escritor Deonísio da Silva fala do "manezinho" da crônica e da intimidade com a sua amada Ilha,mágica,embruxada,única.
Intimidade em bolinar as palavras e usá-las com prazer e delicioso humor falando de coisas tão nossas quanto suas como nestas sessenta e duas crônicas agrupadas em seis blocos e entrelaçadas entre si pelo jeito de ser ilhéu:Para entender Floripa, Glamour Mané, Um Réquiem de Prosa, Domingo de Ramos, Cuspido e escarrado e Passando a régua.

SÉRGIO DA COSTA RAMOS, O MANEZINHO DA CRÔNICA                     Deonísio da Silva

SÉRGIO DA COSTA RAMOS, O MANEZINHO DA CRÔNICA

Sérgio da Costa Ramos retoma numa das crônicas o inventário feito no século XIX pelo o russo de ascendência alemã Georg Heinrich von Langsdorff , que disse sobre a Ilha do Desterro, hoje Florianópolis, cujo nome antigo aludia ao fato de servir de lugar de castigo para criminosos portugueses: “Poucos lugares do globo possuirão praias tão bonitas e de um desenho mais interessante e caprichoso, como a Ilha de Santa Catarina”. O que o russo e o catarinauta têm em comum? O mesmo que Pero Vaz de Caminha tem com os dois: sabem transformar em palavras o que vêem, intuem, sentem.
A crônica é um mar de complexas navegações. Bons escritores já naufragaram nesse mar por considerarem ser a crônica um gênero menor, algo que destilariam entre um romance e um ensaio, entre um conto e um poema. Não é bem assim.
Walter Galvani, cronista gaúcho dos bons, que arrebatou o prestigioso galardão Casa de las Américas com Nau Capitânea, disse que o cronista faz o vôo da gaivota, “rente às ondas até a hora de fisgar o peixe e então voar, mais e mais, sem deixá-lo cair”, escritor-pescador que leva o peixe-texto ao leitor-gourmet, sabendo, entretanto, que o prato deve alimentar todos os leitores e não apenas aqueles que são capazes de degustar alguma refinada ironia.
Sérgio da Costa Ramos nos lembra todavia que nem sempre as coisas foram como as coisas são. Em algo piorou a bela Ilha, mas os usos e costumes melhoraram, e muito, em alguns itens. É tão atento a como as coisas são como o é a como as coisas foram, quando se trata de invocar o passado para iluminar o presente. Ele nos recorda que “até 1920, banhar-se nas águas de qualquer das duas baías, na praia do Vai-quem-quer ou na praia do Müller, era “postura” punida pelo código municipal. Dava multa e até cadeia, “por atentado ao pudor”. Os 62 mil cidadãos da Ilha levavam uma vida tranquila, quase sonolenta, sem o dinamismo da capital da República, cujos bondes já eram elétricos desde 1912. Os navios traziam os jornais dos grandes centros apenas uma vez por semana. Uma vez ou outra eram os aviões Junker da Varig que faziam essa gentileza, aterrissando os jornais na pista do Campeche”.
Na companhia de Luís Fernando Veríssimo, na capa de outro livro do autor, escrevi e reitero: estamos diante de um dos grandes cronistas brasileiros. “Ter nascido nesta Ilha”, diz Sérgio da Costa Ramos em outra passagem, “é ser vizinho de porta do Criador”, onde o manezinho (palavra ausente dos dicionários, como outras 300 mil que aí pululam à espera de lexicógrafos atentos pelo menos aos cronistas, pel´amor de Deus!) profere expressões como estas: “mofas com a pomba na balaia”, “arrombassi, Laíla”, “se é segredo não me contes, se é intriga não me digas”, que às vezes parece falar hebraico, etrusco ou alguma língua extinta que aqui reviveu: “djá hoch”, “garrou a dizê”, “criô nojo”, “arrengou-se”. Ia esquecendo que o primeiro tem um diminutivo: djá hochinho. Na vulgata da língua portuguesa falada no resto da costa brasileira é “ainda há pouco, agorinha”.
Das sextas-feiras dirá: “Basta raiar a aurora de uma sexta-feira e a sua especial atmosfera começa a inocular no ser humano uma urticária de viver”. E do passado nos trará o detalhe absolutamente precioso de que Dom Joaquim Domingues de Oliveira, calçando sapatos Samello, pisava nas procissões de Corpus Christi sobre gloriosos tapetes de “arroz, feijão, milho, lentilhas, pó de café, pó de serragem, flores, conchinhas, barbas de velho, areias tingidas”, precedendo o papa Bento XVI, que calça Prada.
Acrescento, para finalizar mais um rápido relâmpago sobre o manezinho da crônica (será que vai pegar?) que foi uma pena eu não saber disso quando fiz para a revista Playboy o perfil de Wílson Sábio de Mello, que, na companhia do pai, trouxe nas costas o primeiro couro de boi para fundar a empresa que um dia forneceria sapatos ao glorioso arcebispo de Florianópolis por tantas décadas! Mas, pagando o tributo ao cronista que tanto nos entretém, instrui e diverte, lembro que o último sobrenome do turiferado oligarca da Santa Madre Igreja era Belleza, que ele retirou “porque não ficava bem o sobrenome Belleza para um religioso”.
Melhor que um texto solitário de Sérgio da Costa Ramos só mesmo uma coleção de suas crônicas e sua divertida companhia à beira de copos e pratos naqueles lugares que somente ele parece saber onde ficam, em alguns desvãos de sua tão amada e bem conhecida Ilha, da qual ele é um dos capitães literários, ao lado de nomes que honram as letras catarinautas, adjetivo inventado por outro nome solar das letras locais, o ínclito Dante Mendonça, cronista catarinense exilado no Paraná, como Salim Miguel já o foi no Rio de Janeiro, e outros foram em outros estados, incluindo a desatenção que em Santa Catarina têm grandes intelectuais brasileiros, raramente valorizados na terra que habitam ou na qual nasceram.
Mas, querem saber de uma coisa? Vamos ler Sérgio da Costa Ramos! Este é dos bons e seu talento já foi reconhecido alhures. Sabem onde fica alhures? É depois de onde Péricles Prade ou o Diabo, não sei bem qual dos dois, perdeu as botas quando procurava a inspiração que fez dele, de Guido Wilmar Sassi, de Sylvio Back, de Alcides Buss, de Edla van Steen, as personalidades referenciais que são das letras catarinenses, entre muitos outros! (xx)

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Do Autor Deonísio da Silva:"O domínio das técnicas narrativas, o trabalho equilibrado com a tradição e a invenção e a linguagem sólida são algumas de suas qualidades literárias", disse o Nobel José Saramago ao premiar, em 1992, o romance Avante, Soldados: para trás, uma visão cáustica das realidades sociais da guerra do Paraguai, como vencedor do Prêmio Internacional Casa de las Américas.
Deonísio da Silva é catarinense ou "catarinauta," como gosta de dizer. Vive no Rio de Janeiro e é de lá que se faz ouvir do seu jeito ímpar de contar histórias, num tom crítico,perspicaz e bem-humorado. Com mais de 30 livros publicados,está traduzido em espanhol e italiano. Não para de publicar e escrever. A gente o encontra desde o Jornal do Brasil, Observatório de Imprensa até a Revista Caras onde ensina "De Onde Vem as Palavras"
Doutorado em Letras pela USP. É professor e Pró-Reitor de Cultura da Universidade Estácio de Sá,no Rio de Janeiro. Sim, Deonísio da Silva é um homem de Letras por inteiro aos 33 anos de carreira.




por : Lélia Pereira da S.Nunes
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2009-11-20 02:49:58

Folclore, Diversidade Cultural e Políticas Públicas para as Culturas Populares no Século XXI - são os grandes temas do XIV Congresso Brasileiro de Folclore

Lélia Pereira da Silva Nunes



De 24 a 29 de novembro na bonita Vitória, a capital-ilha do Espírito Santo, pesquisadores, professores e folcloristas,mestres do saber popular  do Brasil,da América Latina, América do Norte, Europa e África se encontram em torno  das Culturas Populares, na  Universidade Federal do Espírito Santo, sede do evento.

Folclore, Diversidade Cultural e Políticas Públicas  para as Culturas Populares no Século XXI  - são os  grandes temas do XIV Congresso Brasileiro de Folclore

Os Congressos Brasileiros de Folclore nasceram como uma conseqüência quase natural do crescimento da Comissão Nacional de Folclore, entidade criada em atenção a um apelo da UNESCO, em 1946.

Realizados desde a década de 50 do século passado os Congressos, marcaram definitivamente um campo e um espaço próprio de pesquisa, de referência e de interpretação da cultura popular brasileira.

O  XIV Congresso contará com oficinas, simpósios, conferências, assembléias, mesas especiais, feira de artesanato e de culinária, mostra de documentários, lançamento de livros, exposição e desfiles e apresentações folclóricas capixabas e de todo o País. A programação está concentrada principalmente no campus de Goiabeiras, em locais como o auditório do Centro de Artes, salas do Centro de Educação Física, o Teatro Universitário, o Centro de Vivência, entre outros.
É organizado pela Comissão Nacional de Folclore e a Comissão Espírito-santense em parceria com a Ufes e em cooperação com o Ministério da Cultura, Secretaria de Estado da Cultura e Secretaria de Cultura da Prefeitura de Vitória.
No encerramento do Congresso, o grande momento será a realização da II Festa da Identidade Capixaba e Brasileira que contará com mais de 50 grupos folcloricos capixabas e do restante do Brasil, que estarão reunidos no Centro Histórico de Vitória, no domingo (29), a partir das 12 horas.
Já estão confirmados além dos grupos locais, os nacionais como o Maracatu Leão Coroado de Recife (PE), Guarda do Rosário da Comunidade dos Arturos de Contagem (MG), Teatro Mamulengo do Xeiroso Aracaju (SE), Carimbo (PA), a Cia Folclórica do Rio de Janeiro, além de Grupos do Ceará.
Graças ao apoio do Ministério da Cultura, será ministrado um Curso de Capacitação em Folclore para 100 professores, visando atualizar as informações sobre a cultura popular, conceitos e história, sua importância na sociedade contemporânea e sua utilização no meio educacional, turístico, cultural entre outros.

O Congresso Nacional de Folclore que se realiza, a cada dois anos,num dos estados da federação brasileira, em 2009 pretende:

Atualizar a pauta de discussão do movimento folclórico brasileiro, dinamizando a sua importância e contribuição histórica à formulação das políticas de estado para o folclore no século XXI;

Revelar novos estudos e pesquisas, bem como pesquisadores da cultura popular;

Congregar pesquisadores, agentes públicos, brincantes e portadores;

Mobilizar a opinião pública em torno da importância da preservação deste patrimônio cultural;

Contribuir na definição de uma ação conjunta dos vários atores das políticas públicas de cultura popular no Brasil;

Mobilizar as dezenas de Comissões estaduais de folclore bem como as centenas de entidades voltadas ao estudo, pesquisa e preservação do folclore em todo o Brasil.

O presidente da Comissão Capixaba, Eliomar Carlos Mazoco, junto de uma atuante e competente Comissão Estadual de Folclore e Comissão Científica, organizou uma Programação diversificada e grandiosa,não se deixando abater pela calamidade das intensas chuvas de outubro que assolaram a Grande Vitória, castigando duramente a população.
Confira a programação no site www.folclorecapixaba.org.br

Crédito Imagens e legendas: Acervo da Comissão Espírito-santense de Folclore
Cartaz: Mácara de palhaço; Palhaço de Folia de Reis,Muqui (ES)
Fonte: Boletim Curubitos e "releases" da Comunicação Social de Vanessa Pianca


por : Lélia Pereira da S.Nunes
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2009-11-19 02:47:15

No "Triângulo das Bernunças" de Jorge Coelho, o Prefácio de Sérgio da Costa Ramos:JORGE,CANTADOR E CONTADOR



" Jorge Coelho nos lava a alma com suas canções e versos que traduzem bem o espírito do povo do litoral de Santa Catarina.
Consegue agradar todas as gerações com sua melodia gostosa de ouvir,como o barulho suave das ondas em dia de calmaria."

Arantinho,do Pântano do Sul

"Meu amigo Jorge Coelho sintetiza com muita maestria,através de sua arte,a profundidade e a beleza de nossa cultura açoriana."
Luís Meira,músico

"Jorge Coelho é um artista genial.Quando em incursões na linha musical,sabe como ninguém transformar as crônicas do quotidiano em canções. Agora,ingressando nos caminhos da literatura,mostra suas maiores virtudes:inteligência,humor,conhecimento,capacidade de observação e síntese. É um grande contador de histórias."
 Iriê Silva,compositor

"O mar sussurrou rimas sonoras na crista das ondas da Imbituba das baleias, do Divino,do Jorge Coelho e suas raízes profundas.O vento sul deu carona ao poeta-cantor e,da Ilha, sua alma fala da terra,das gentes e dos Açores com paixão."
 Lélia Pereira da Silva Nunes

No Triângulo das Bernunças de Jorge Coelho, o Prefácio de  Sérgio da Costa Ramos:JORGE,CANTADOR E CONTADOR

JORGE, CANTADOR E CONTADOR
     Sérgio da Costa Ramos

Jorge Coelho, como Villa-Lobos, é uma extensão do próprio violão, cuja anatomia curvilínea sempre foi submissa ao seu colo e sensível ao contato dos seus dedos.
O compositor festejado de Ilha – o segundo hino da Ilha de Santa Catarina – e de tantos outros sucessos, como Paixão Açoriana, Morena Tirana, Segura a Onda, Tosse de Orador, Saia no Dente, Furacão da Costeira, Indomável Prazer, Zimba, Sem, Açúcar, Sem Afeto, Perdido Amor, Gato por Lebre, Esse Piá e Roda Pião, entre dezenas de outras criações, Santa Catarina não só reconhece, como ama e cultiva.
O Jorge Coelho contador de histórias nós vamos conhecer agora.
Um Jorge telúrico, que vai às raízes da infância e da adolescência em Imbituba – sua Zimba querida – Laguna e Floripa, para de lá extrair casos e “causos” gravados no consciente e no inconsciente, “estórias” soltas, pastoreadas no cercadinho da memória e colocadas a pastar no ar livre do seu bom humor.
Há algo de felliniano nas lembranças de Jorge, revivendo seu “Amarcord” na Zimba em que o vento “Siroco” se chama “Teimoso” – um nordestão meio selvagem, que mexe com a psiquê das pessoas e torna inesquecíveis os seus verões.
Em Zimba nasce a criativa generosidade do menino Jorge, que convive em grande harmonia e tolerância com o caricato, o lado chapliniano da vida. É esse humor simples – mas nunca simplório – que torna cada uma das crônicas deste Triângulo das Bernunças um pequeno tratado de como levar a vida rindo da divina e humana comédia – “rindo dos outros, mas também sabendo rir de nós mesmos”.
Cascão, hilária, é crônica que daria comédia clássica de um Mario Monicelli, um Vitorio De Sicca, um Giuseppe Tornatore – o Tornatore de Cine Paradiso, talvez. Jorge Coelho também foi um Totó, garoto curioso que um dia se tornou, ele próprio, um criador de sucessos, sem deixar de colocar-se, ele mesmo, sob o olho indiscreto da câmera mergulhada em sua infância profunda.
O Jorge Coelho, criança, que transformou em comédia a bíblica liturgia do “lava-pés”, em Cascão.
Depois desse banho, descubra como a “raça” ludibriava o cobrador do “Imbituba-Laguna”, trem Maria Fumaça a bordo do qual as crianças de Zimba chegavam até a escola lagunense. O vai-e-vem da molecada tonteava o “guarda-trem”, que gostava de um “Undemberg”…
Sinta-se na erógena pele do autor de Nos tempos de secura, quando os coquetéis de testosterona remetiam os adolescentes aos altares de Onã, em tempo de descoberta de pecados.
Entre para a banda de Rock “The Hits”, e embarque num Ford A, 1929, a bordo do qual Jorge e seus blue caps abrilhantariam a soirée do Itapirubá Clube – em cujo tombadilho chegaram dispersos – e náufragos, com o “ônibus” da companhia no fundo do Oceano Atlântico.
Confira nos termômetros da Paixão Açoriana, a devoção do netinho Jorge à querida vovó Hermínia (que ele não conta, mas há de tê-lo salvo da medonha surra insinuada na crônica Cascão…), a quem o compositor dedica emotivo poema-canção – o contador cantando a sua história de duplo Édipo, para acalentar a memória de quem “era bendita, era bonita, tal como a Lua no Canto dos Araçás”.
Chacoalhe de rir, ao espiar por trás de um bambuzal, a frustrada Serenata em Capoeiras. Desastre completo: a musa a ser homenageada não só não estava em casa. Foi muito pior: chegou de carro com a família, “flagrando” os “serenautas”. E ainda trazia no braço um namorado oficial. Violão e versos jogados fora…
Si non é vero, é bene trovato e Jorge deixa claro que seus causos não precisam provar verossimilhança: “há causos que são verdadeiras pérolas. Quer sejam verídicos ou não, isso não tem a menor importância” – admite um Jorge confessional, em O Encanador.
Manezinho do “Triângulo Zimba-Laguna-Floripa”, o autor testemunha um bloco de sujos em Carnaval na Praça XV, autodenominado Contaminados pelo Cézio – pode?! – vai a um baile no Bola Preta do Rio, servindo de álibi para um tio boêmio, e até compõe para o carná de Floripa, por encomenda do mané Irê Silva. Uma marcha-rancho de indecoroso apelo: A Linguiça do Carlinho… Pode?!
No “Triângulo” do Jorge pode.
Até porque o cantador-contador de histórias toma o bem-humorado zelo de avisar bem na porta do livrinho:
– Nada aqui é para ser levado tão a sério.

Notas Biográficas:
SERGIO DA COSTA RAMOS: O mais festejado cronista da Ilha de Santa Catarina. Advogado e Jornalista. Escritor. Membro da Academia Catarinense de Letras. Ilhéu, nascido em Florianópolis. Brinda-nos,diariamente, com sua crônica no Diário Catarinense.
Da sua produção literária mais recente, destacam-se as obras: Sorrisos meio sacanas; O plano surreal; Rapsódias do mundo Bin – Ou não confia nem no carteiro;Costela de Adão – De um fiel às mulheres e a boa mesa e Duas Violas Arteiras (com Flávio Cardozo),Piloto de Bernunça.

sergiodacostaramos@diario.com

JORGE COELHO:Natural de Imbituba,antiga armação das baleias,no Sul catarinense. Toca violão desde os 16 anos, participando de grupos musicais e destacando-se como compositor. Muda-se para Florianópolis em 1975, forma-se em Engenharia Elétrica na UFSC e continua a carreira musical sob a influência da MPB.
 Paixão Açoriana(1997) foi seu primeiro CD. Segue-se: Zimba (1999),Farol dos Naufragados(2003) e a sair em breve Santa Terra. Recebe Prêmio Cultura Viva,Fundação Catarinense de Cultura,1997. Assina a trilha e faz a Direção Musical do curta metragem ILHA (2001), do diretor Zéca Pires, premiado no Festival de Cinema de Gramado(RS). Em 2005 se apresenta nos Açores à convite da Direção Regional das Comunidades e em 2006 participa na Ilha de São Miguel (Açores) do projeto "Construir Culturas" com artistas dos Açores,Estados Unidos,Canadá e Brasil, resultando na produção de um CD e livro.
Na sua estréia literária, o compositor talentoso se revela um delicioso contador de história, a sua e  a dos outros desde a paradisíaca Imbituba.
Jorge Coelho é homenageado, por seus muitos amigos e admiradores por sua lealdade aos valores culturais telúricos, por sua paixão a sua terra Catarina e aos Açores,por sua grandeza humana, por sua Arte que encanta, pelo grande artista que todos reverenciam.

Crédito Imagens:
Capa: arte gráfica Mauro José Pereira - MAUZÉ;
Organização do livro: Berenice (Sell) e Luíz T. do Vale Pereira

Foto: Luíz T.do Vale Pereira







por : Lélia Pereira da S. Nunes
Tags : Brasil,Açores

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2009-11-16 22:28:10

Flávio José Cardozo e Jair Francisco Hamms juntos em "BATUQUE BEM TEMPERADO"


Das crônicas do Flávio José Cardozo publicadas no "Diário Catarinense" e das do Jair Hamms  no jornal "O Estado" de saudosa lembrança e no "Jornal de Santa Catarina", reunidas num rito de grande cumplicidade, nasceu o Batuque  bem Temperado, livro  editado pela Insular em parceria com a Academia Catarinense de Letras.
 A irreverência do ilhéu Jair e a picardia sutil do cronista que veio do sopé da Serra do Rio do Rastro resultou num batuque ritmado, cadenciado pelo humor e muito bem temperado, como tem que ser quando o tamborim e a caixa se encontram.   É mais que uma dupla, é quase uma escola de samba inteira onde  só se ouve o batuque vibrante que chega conquistando a todos e arrasando na Avenida.
Abrem alas para o BATUQUE BEM TEMPERADO do Flávio e do Jair!
        Lélia Pereira da S.Nunes

Flávio José Cardozo e Jair Francisco Hamms juntos em  BATUQUE BEM TEMPERADO

Dois Trechos do BATUQUE BEM TEMPERADO nos quais um Autor fala do Outro:

Às três e trinta, com apenas hora e meia de atraso, ela chegou. Não era bem como eu a havia imaginado, gordinha e nos seus vinte e dois anos, nem como a imaginou minha mulher, ossuda e com pelo menos cinquenta. Desde que o Jair, sabedor de nossas pretensões, me disse que tinha falado com uma tal de Leocádia e que ela estaria conosco amanhã às duas em ponto para trocar idéias sobre o assunto, ficamos a desenhá-la mentalmente. Minha mulher chegou a vê-la em sonho, vestida de verde e com uma estrela na cabeça. Eu, mais moderado, apenas esperei, confiando que o bom Deus nos dava enfim uma grande oportunidade. E ali estava ela: Dona Leocádia, nem gorda nem magra, quarentas anos prováveis, vinte vezes mais feia que bonita, mas nada disso interessava, pois mesmo que estivéssemos diante da suprema feiúra do universo nós a faríamos entrar festivamente.
- O Dr. Jair pediu que eu viesse aqui.
- O Jair é um santo amigo, poxa.

(Flávio José Cardozo, na crônica “Entrevista com a mulher que o Jair mandou”)

*
Sabes, Flávio, naquele tempo, a gente dizia assim: quando eu for grande, quero ser tal coisa. Variava muito: aviador, bombeiro, médico, sargento da polícia, barbeiro, advogado, chofer de ônibus, professor, sapateiro.
Por exemplo: o Chico sonhava ser goleiro do Figueirense; o Dagmar, que era canhoto, queria ser ponta-esquerda do Avaí. Já o Joca, muito esganado, queria ser o dono da Padaria Brasil só para que, dia e noite, enchesse o pandulho de doce, empada, cocada.
Era época da guerra. Bombardeios na Inglaterra, bombardeios na Itália, bombardeios na Alemanha. Chovia bombas na Europa. Havia uma revista, chamada Em Guarda − lembras, não é? − que estampava fotos de simpáticos e sorridentes aviadores ianques, vestindo roupas de couro, toucas de couro e com óculos reluzentes. O Xandoca queria ser aviador, Flávio.
(Jair Francisco Hamms, na crônica “Um bombardeiro azul”)

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Os autores:

Flávio José Cardozo nasceu em Lauro Müller, SC, em 1938. Frequentou o Curso de Jornalismo da PUC-RS. Trabalhou na Editora Globo de Porto Alegre, foi diretor da Imprensa Oficial de Santa Catarina e da Fundação Catarinense de Cultura. É membro da Academia Catarinense de Letras.
Escreveu os livros de contos Singradura, Zélica e outros e Guatá. Como cronista publicou Água do pote, Beco da lamparina, Tiroteio depois do filme, Senhora do meu Desterro, Trololó para flauta e cavaquinho (com Silveira de Souza), Uns papéis que voam, Duas violas arteiras (com Sérgio da Costa Ramos) e Sopé (com o desenhista Tércio da Gama). Na área da literatura infanto-juvenil, publicou O tesouro da Serra do Bem-bem.

*

Jair Francisco Hamms nasceu em Florianópolis, SC, em 1935. Formado em Direito, atuou na publicidade, no jornalismo e no magistério superior. Na Universidade Federal de Santa Catarina, exerceu diversas funções administrativas, entre elas a de Chefe de Gabinete do Reitor e de Diretor de Intercâmbio e Extensão Cultural. Pertence à Academia Catarinense de Letras.
É autor dos livros Estórias de gente e outras estórias, O vendedor de maravilhas, O detetive de Florianópolis, A cabra azul e Samba no céu, todos de crônicas. Publicou também o ensaio Santa Catarina, um caleidoscópio étnico. Sua crônica “A Sobrinha da Senhora Dodsworth” deu origem ao premiado curta-metragem Alumbramentos, de Laine Milan.

Referências: Batuque Bem Temperado,Ed.Insular e ACL,Florianópolis,2009


por : Lélia Pereira Nunes
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2009-11-16 20:38:05

ENTREM NESTA RODA... Mário Pereira e o "Batuque Bem Temperado" de Flávio José Cardozo e Jair Francisco Hamms

"Cronistas em dueto. Uma boa ideia e uma feliz combinação. Se os cronistas em contraponto forem Flávio José Cardozo e Jair Francisco Hamms, que soem as trombetas, pois aí vem coisa boa, de primeira. Recomendo ao leitor que mergulhe logo na leitura das crônicas de um e outro."

Eis a recomendação de quem sabe das coisas, o escritor Mário Pereira autor do texto da primeira orelha de BATUQUE BEM TEMPERADO

ENTREM NESTA RODA... Mário Pereira  e o Batuque Bem Temperado de Flávio José Cardozo e Jair Francisco Hamms

                ENTREM NESTA RODA
                   Mário Pereira


Cronistas em dueto. Uma boa ideia e uma feliz combinação. Se os cronistas em contraponto forem Flávio José Cardozo e Jair Francisco Hamms, que soem as trombetas, pois aí vem coisa boa, de primeira. Recomendo ao leitor que mergulhe logo na leitura das crônicas de um e outro.
No terreiro deste Batuque bem temperado, a roda não se abre para os atabaques e as umbigadas, mas para que dois dos melhores escritores catarinenses do nosso tempo mostrem-nos como se dança o “minueto no meio de uma batalha”, conhecida metáfora usada por Machado de Assis, certa feita, para definir a crônica.
Flávio e Jair são mestres consumados nesta escrita ligeira e esperta, que parece um bate-papo amistoso no balcão do cafezinho. Eles nos oferecem uma estimulante dose dupla de talento e criatividade nas quarenta crônicas aqui reunidas – vinte de um, vinte de outro.
A crônica busca os seus temas preferenciais no cotidiano, nos pequenos dramas e comédias da vida real. Há que ter sensibilidade maiúscula e olhar arguto para identificá-los e catá-los no chão do dia a dia. Mas não é só. Sob o disfarce de conversa descontraída e sob a aparente simplicidade do gênero, esconde-se a sua maior dificuldade. Ser simples é muito complicado, como sabeis.
Os bons cronistas são aqueles que conseguem conferir aos seus temas um significado maior como representação do humano e da nossa história comum, sem perder o jeitinho de quem nada quer além de divertir o leitor e fazer-lhe alguns afagos.
Entendo, também, que os melhores cultores do gênero são aqueles que conseguem traduzir a voz e a sabedoria do povo nas ruas, nos chamam a atenção para o que não vemos, e expressam, com eloquência e leveza, com humor e compaixão, em delicada alquimia, tanto a nossa indignação quanto a nossa esperança.
Flávio e Jair. Jair e Flávio. Deste dueto de virtuoses, emerge a crônica com os saborosos temperos e os perfumes da terra amada. Quem entrar neste batuque em tão boa companhia dele sairá gratificado e de alma lavada, pois terá convivido com dois escritores de proa que se inserem na melhor tradição da crônica brasileira.
Eis textos de impecável talhe, que fluem como a água límpida de um regato a correr sobre leito de seixos. Eles nos proporcionam momentos de refrigério e de encantamento. A grande arte da narrativa transparece em cada uma dessas quarenta crônicas.
Entrem na roda para conferir. Mergulhem no “Poço da noite” com o Flávio, façam uma “Viagem a lugares comuns” na companhia do Jair, e, com eles, dancem jubilosos na roda do Batuque bem temperado.
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Sobre o Autor Mário Pereira:

O jornalista e escritor Mário Pereira, editor de opinião do Diário Catarinense, é o mais novo membro a ocupar a cadeira número 8 da Academia Catarinense de Letras. Com nove livros publicados sendo um sobre a História de Florianópolis.
Nascido em Porto Alegre(RS) há 62 anos. Com 40 anos no exercício da profissão de jornalista, começou a carreira como repórter e chegou a editor-chefe de importantes jornais do País. Trabalhou ainda em emissoras de televisão na capital gaúcha até decidir mudar para Florianópolis onde ajudou a fundar o Diário Catarinense na década de oitenta.



por : Lélia Pereira Nunes
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Este blogue é  sobre a perspectiva da distância, o olhar de quem vive os Açores radicado na América do Norte, na Europa, no Brasil, ou em qualquer outra região. É escrito por personalidades de referência das nossas comunidades com ligações intensas ao arquipélago dos Açores.

 

Irene Maria F. Blayer - Canadá
Nasceu na Vila das  Velas, São Jorge, Açores. Reside no Canadá. Doutorada em Linguística Românica. Professora Catedrática da Brock University, Ontário, Canadá. Neste espaço procura-se a colaboração de colegas e amigos cujos textos, depoimentos, e outros -em Inglês, Português, Francês, ou Castelhano- sejam vozes que testemunhem a  nossa 'narrativa' diaspórica, ou se remetam a uma pluralidade de encontros onde se enquadra um universo  que  contempla uma íntima proximidade e cumplicidade com o nosso imaginário cultural e identitário.--Born in  the  Azores, and lives in Canada since 1977.  Holds a Ph.D. in Linguistics (1992) and is a Full Professor at Brock University.

 

Lélia Pereira da Silva Nunes - Brasil
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga, professora universitária, escritora e, sobretudo, uma apaixonada pelos Açores. Este é um espaço, sem limites nem fronteiras, aberto ao diálogo plural sobre as nossas comunidades. Um espaço que, aproximando geografias, reflete mundivivências a partir do "olhar distante e olhar de casa," alicerçado no vínculo afetivo e intelectual com os Açores. Vozes açorianas, onde quer que vivam, espalhadas pelo mundo e, aqui reunidas num grande abraço fraterno, se fazem ouvir.

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