ComCiência

Notícias e reportagens de ciência, tecnologia e inovação, quer produzidas especificamente para este blogue quer recuperadas de outros canais da RTP. Actualização permanente

Vasco Matos Trigo

2011-04-12 14:18:15

Modelo animal geneticamente modificado permite estudar Degenerescência Macular

Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram um modelo que permite estudar e conhecer melhor os mecanismos de génese e desenvolvimento da doença.
A Degenerescência Macular Relacionada com a Idade (DMRI) é a principal causa de cegueira a partir dos 60 anos. É conhecida como "Alzheimer do Olho".

O trabalho destes investigadores foi feito em colaboração com a Universidade de Tufts, Boston (Estados unidos). Eles introduziram na retina de um modelo animal transgénico um mutante da proteína ubiquitina, que tem um papel essencial em diversos asapetos da regulação celular (incluindo a marcação de proteínas obsoletas que devem ser eliminadas).

A DMRI surge devido a uma acumulação progressiva de proteínas lesadas por falência dos sistemas celulares de reparação e degradação proteicas.

Paulo Pereira, membro da equipa, explicou que "ao longo do envelhecimento há um conjunto de lixo biológico que se vai acumulando, ou seja, durante o envelhecimento muitas proteínas tornam-se obsoletas e tóxicas para as células. É então necessário assegurar que essasa proteínas obsoletas sejam eliminadas de forma adequada através de uma espécie de triturador ou incinerador de lixo biológico".

Os investigadores estão a estudar os processos que impedem a degradação das proteínas lesivas e pretendem conhecer melhor os mecanismos capazes de eliminar as proteínas obsoletas.

Em sequência pretendem avançar para a definição de estratégias terapêuticas não só farmacológicas mas essencialmente de origem genética.


por : Vasco Matos Trigo
Tags : genética,ciências da vida,ciência

2010-10-04 10:55:42

Nobel Medicina para pioneiro da fertilização in vitro

Nobel Medicina para pioneiro da fertilização in vitro
SXC.hu Robert Edwards ganhou este ano o Nobel de Medicina. Este médico britânico e o já falecido Patrick Steptoe desenvolveram a técnica de fertilização dos óvulos fora do corpo da mulher e da sua implantação no útero depois de fertilizados, criando assim o chamado "bebé-proveta".
Desde que, em 1978, Louise Joy Brown foi o primeiro "bebé-proveta", mais de 4 milhões de pessoas nasceram graças à fecundação in vitro. A técnica desenvolvida por Robert Edwards abriu uma nova esperança para os cerca de 10% de casais no mundo com problemas de fertilidade.

O Instituto Karolinska de Estocolmo acaba de anunciar a atribuição do Nobel de Medicina deste ano a Edwards. Este médico iniciou as suas investigações sobre fertililzação in vitro nos anos 50 do século XX


por : Vasco Matos Trigo
Tags : tecnologia,ciência,ciências da vida,saúde,genética

2010-07-16 17:11:24

Gene do esperma tem 600 milhões de anos

Um dos genes responsáveis pelo esperma do homem tem 600 milhões de anos e resistiu aos efeitos da evolução animal, segundo um estudo da Universidade norte-americana Northwestern hoje divulgado. Descoberta pode ajudar a desenvolver anticonceptivo masculino.
Segundo o investigador e professor de obstetrícia Eugene Xu, o gene denominado Boule é o mais antigo gene de produção de esperma alguma vez descoberto.

Os resultados desta investigação foram hoje revelados na revista académica científica PLOS Genetics.

Ficou demonstrado, de acordo com o autor principal, que a capacidade de produzir esperma "é muito mais antiga do que se pensava e teve provavelmente origem no início da evolução animal".

Eugene Xu acredita que fica provado que a produção de esperma animal e humana tem uma única origem.

O gene em questão foi descoberto pelo mesmo investigador em 2001, mas nada indicava até ao momento que houvesse uma origem comum no esperma de tantas espécies animais.

Na investigação, Eugene Xu usou material recolhido em seres humanos, peixes, esquilos, galos, ouriços-do-mar e mosca da fruta.

Os especialistas da Universidade de Northwestern acreditam que a descoberta e exploração das características do gene Boule permitirá compreender melhor a infertilidade humana.

Outra possibilidade é o desenvolvimento de um anticoncetivo masculino, já que os cientistas eliminaram esse gene num rato e conseguiram que não produzisse esperma.


por : LUSA
Tags : ciência,ciências da vida,genética

2010-06-18 09:04:35

Investigador português descobre factores genéticos associados à malária cerebral

Uma equipa internacional de investigadores liderada por um português descobriu que há factores genéticos associados ao risco de desenvolvimento de malária cerebral. As conclusões deste estudo foram publicadas esta quinta-feira na revista científica norte-americana PLoS ONE.



por : Vítor Mesquita
Tags : genética,saúde,ciência

2010-05-11 11:41:16

Investigadores portugueses anunciam tratamento eficaz para artrite em ratinhos

Investigadores portugueses anunciam tratamento eficaz para artrite em ratinhos
Instituto de Medicina Molecular (Fac. Medicina de Lisboa) O modelo animal usado tem muitas semelhanças com a artrite reumatóide humana.
Cientistas do Instituto de Medicina Molecular (Fac. Medicina de Lisboa) acabam de publicar um artigo sobre uma nova forma de tratamento da artrite reumatóide. O artigo foi publicado na revista PLoS One e tem por base um estudo liderado por Luís Graça.

A artrite reumatóide caracteriza-se pela inflamção e mesmo destruição das articulações, provocando incapacidade progressiva. Está associada a mortalidade prematura.

A doença pertence à família das doenças autoimunes crónicas. É provocada por causas genéticas e ambientais, causando uma resposta imunitária complexa envolvendo uma série de células diferentes, incluindo vários tipos de glóbulos brancos.

Neste estudo, os cientistas trataram ratinhos com o anticorpo anti-CD4. Este anticorpo é um medicamento biológico que bloqueia a molécula CD-4 na superfície dos glóbulos brancos.

Os resultados do estudo mostram que a administração do anti-CD4 altera o equilíbrio entre dois tipos de células do sistema imunitário, favorecendo a imunotolerância, ou seja, dificultando o desenvolvimento de doenças autoimunes como a artrite reumatóide.

Legenda da fotoAs imagens da esquerda mostram ao microscópio a articulação do tornoselo (em cima) e da base dos dedos dos pés (em baixo) de animais com artrite. Observa-se uma grande quantidade de células que causam inflamação e destroem a articulação.
As imagens da direita mostram as mesmas articulações em animais tratados com anti-CD4. Observa-se a preservação da articulação, podendo reconhecer-se o encaixe perfeito entre os dois ossos.

Autores do estudo: Joana Duarte, Ana Água-Doce, Vanessa Oliveira, João Eurico Fonseca e Luís Graça.
Título do artigo: Modulation of IL-17 and Foxp3 Expression in the Prevention of Autoimmune Arthritis in Mice.


por : Vasco Matos Trigo
Tags : ciência,ciências da vida,saúde,genética

2010-04-29 22:40:51

Sequenciado genoma do sapo

Sequenciado genoma do sapo
David Cannatella/Universidade do Texas Xenopus tropicalis é o primeiro anfíbio a entrar para o grupo dos seres vivos cujo genoma foi sequenciado. O objectivo foi conseguido por uma equipa do Laboratório Nacional de Lawrence Berkeley, na Califórnia, chefiada pela bioinformática Uffe Hellsten.

Os anfíbios derivaram dos outros vertebrados há cerca de 350 milhões de anos e prosseguiram na sua própria evolução separada dos mamíferos, dos répteis e das aves.

O trabalho agora desenvolvido por Uffe Hellsten, e cujas conclusões são publicadas esta semana na revista Science, não permite ainda fazer uma ordenação cromossoma a cromossoma. Mas foi possível identificar diversas sequências com sequências idênticas no genoma humano e da galinha.

Ou seja, é possível concluir que certas sequências se mantiveram intactas ao longo de 350 milhões de anos.


por : Vasco Matos Trigo
Tags : ciência,ciências da vida,biodiversidade,genética

2010-04-27 11:42:27

Um só mecanismo controla produção de costelas e músculos

Um só mecanismo controla produção de costelas e músculos
Imagem cedida por Moises Mallo Equipa de Moisés Mallo no Instituto Gulbenkian de Ciência revela processo de formação de costelas. O estudo acaba de ser publicado na revista científica Developmental Cell (*).

A formação das costelas requer a actividade de uma classe especial de genes: os genes Hox. Não é um processo passivo, ao contrário do que se pensava. A demonstração foi feita por investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência, que geraram ratinhos com costelas excedentárias.

Pensava-se que a região sem costelas do embrião de ratinho resultava da acção inibitória dos genes Hox10. Resultados anteriores mostravam que ratinhos em que os genes Hox10 estavam inactivos desenvolviam costelas excedentárias.

Porém, ao forçar a activação de outra classe de genes (os Hox6) na região que dá origem à região lombar sem costelas, os cientistas conseguiram também gerar ratinhos com costelas excedentárias, tanto na região cervical como a seguir à caixa toráxica, até à cauda (imagem da direita), revelando um esqueleto semelhante ao de uma cobra.

As cobras têm entre 200 e 400 pares de costelas, do pescoço à cauda. Mas o ratinho possui apenas 13 pares (imagem da esquerda) e os humanos 12, em ambos os casos formando a caixa toráxica.

De acordo com Moisés Mallo, os dois grupos de genes equilibram-se. "Um promove activamente a formação de costelas, enquanto o outro bloqueia a actividade na região lombar".

Os investigadores fizeram ainda outra descoberta: o processo tem início nos genes dos músculos, do embrião. Esses genes é que enviam depois sinais para activar os genes das costelas, de modo a que a formação das costelas e dos músculos que as suportam seja um processo coordenado.

(*) Vinagre et al.: "Evidence for a Myotomal Hox/Myf Cascade Governing Nonautonomous Control of Rib Specification within Global Vertebral Domains." Developmental Cell 18, 655-661, April 20, 2010


por : Vasco Matos Trigo
Tags : ciência,genética

2010-03-29 15:03:30

Mutação num só gene pode criar supertomates

Mutação num só gene pode criar supertomates
Variedades híbridas de tomateiro podem ser levadas a produzir maior quantidade de frutos mais doces, em resultado da mutação de um simples gene. Gene mutante foi testado em mais de 5 mil variedades de tomate híbrido. Os investigadores acreditam que as conclusões poderão servir para outros tipos de culturas.

A mutação numa cópia do gene em causa fez disparar a produção de tomate em cerca de 60%, ao mesmo tempo que aumentava o teor de açúcar do fruto, de acordo com um estudo publicado na revista Nature Genetics, da autoria de Zachary Lippman (Cold Spring Harbor Laboratory - Nova Iorque).

"Quando esse gene está a funcionar a meia-velocidade, acontece um reequilíbrio no crescimento ao longo da planta que conduz a esse aumento na produção", afirmou o investigador à agência Reuters.

O referido gene controla o momento de floração da planta. O efeito foi verificado em diferentes variedades de tomateiro e em diferentes ambientes.

De acordo com Lippman, "independentemente do tipo de solo, do tipo de irrigação e do tipo de fertilização, obtém-se sempre algum efeito". Uma estimativa conservadora aponta para 60% de aumento.

Quando as duas cópias do gene estão a funcionar, o resultado é uma planta normal. Mas quando só uma cópia funciona, regista-se a heterose. "Essa é que é a magia da nossa descoberta", afirmou Zachary Lippman.

A heterose é também designada como "vigor híbrido", um mecanismo genético através do qual a descendência de plantas cruzadas surge mais vigorosa do que os seus progenitores. (VER "Ostras que crescem devagar desperdiçam energia")

O estudo mostrou igualmente que técnicas clássicas de criação de plantas podem permitir aumentos da produção tão grandes como o uso de organismos geneticamente modificados. Os tomates foram uma das primeiras culturas geneticamente modificadas para melhor resistirem a doenças.


por : Vasco Matos Trigo
Tags : biodiversidade,ciência,genética

2010-03-26 16:51:40

Ostras que crescem devagar desperdiçam energia

Ostras que crescem devagar desperdiçam energia
Biólogos marinhos querem saber porque é que algumas crianças crescem mais do que qualquer dos pais. Os resultados podem servir para criar ostras capazes de resolver os problemas da alimentação mundial.

Os oceanos podem ser um factor chave para alimentar uma população mundial que não pára de crescer. Num cenário de esgotamento dos recursos piscícolas e quando for atingido o limite de exploração das culturas em terra, as ostras podem tornar-se o "milho do mar". O conceito é introduzido por Donal Manahan, director do Instituto Wrigley para Estudos Ambientais da Universidade do Sul da Califórnia.

Este investigador e a sua equipa estudaram os genes associados ao crescimento das ostras e concluiram que as ostras que crescem mais lentamente desperdiçam energia por duas vias: produzem demasiadas proteínas e depois têm de se ver livres delas. A esta ineficiência chamaram "taxação metabólica". Por seu lado, as ostras que crescem mais rapidamente só produzem as proteínas de que necessitam em cada momento, que por isso são totalmente aproveitadas.

Esta teoria da "taxação metabólica" (metabolic taxation) ainda precisa de ser verificada, mas se se confirmar pode ajudar a responder a duas questões fundamentais:
a) Porque é que alguns animais crescem muito e outros ficam pequenos?
b) Qual é o preço de um crescimento rápido: menor resistência a doenças, talvez, e um sabor menos intenso?
Linha de montagemNa comparação com a produção de automóveis, a linha de montagem na célula é o ribossoma, que produz e associa os componentes das proteínas a partir da informação genética. No estudo agora divulgado foram identificados 17 genes relacionados com o ribossoma. A expressão desses genes mostrou-se desequilibrada nas ostras de crescimento lento. Os investigadores suspeitam que isso se deve a falta de coordenação na produção dos componentes das proteínas. "Não se trata de rapidez, mas sim de coordenação", afirma, surpreendido, Donal Manahan.

A verificar-se a "taxação metabólica", os animais que crescem mais depressa são, simplesmente, mais eficientes na produção de proteínas e não precisam de sacrificar outras características. As proteínas são fundamentais para o crescimento porque constituem a estrutura dos músculos, dos órgãos e dos tecidos animais.
Vigor híbridoO objectivo de longo prazo é a identificação dos genes responsáveis pelo "vigor híbrido": a capacidade de algumas crianças ultrapassarem o crescimento dos progenitores. Muitas plantas têm essa propriedade, explorada desde os anos 20 do século passado para produção de culturas como o milho híbrido. Manahan acha que o processo pode ser aplicado para obter mais alimentação do oceano.

A maior parte dos animais não possuem "vigor híbrido", mas as ostras sim, o que as torna fortes candidatas para aquacultura.

O estudo, desenvolvido em parceria com Eli Meyer (Universidade do Texas em Austin) foi publicado no The Journal of Experimental Biology de Março.


por : Vasco Matos Trigo
Tags : biodiversidade,ciências do mar,inovação,ciência,genética

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Perfil

 

Vasco Matos Trigo (contacto)

Jornalista na RTP entre 1988 e 2011, dedicou-se à Ciência e Tecnologia a partir de 1996.
www.facebook.com/vascomatostrigo
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