Entrevista a Manuel Sebastião, presidente da Autoridade da Concorrência.
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Num destes almoços de "vida boa", a conversa levou-nos ao cinema. Mas em vez dos filmes, falámos do que é isso de falar sobre filmes.
Na era em que a televisão comandava a vida de qualquer terrestre, a série Star Trek fazia parar as brincadeiras com as bonecas e as correrias de bicicleta. Os amigos do meu irmão juntavam-se lá em casa e eu, pequenina e de olhos tímidos tentava espreitar por entre as cabeças do sofá, para a pequena televisão Philips a preto e branco, que a minha tia tinha trazido da Alemanha Ocidental. Por ser sossegada, a expulsão da reunião de rapazes era sempre provável mas nunca concretizada. Houve até um dia em que a cena estava a ser tão cruel com o meu querido e preferido Spock que eu tive de fugir quintal adentro com medo que lhe acontecesse algo de muito grave. E eu, não queria ver.
O meu sonho de futuro sempre teve portas que se abriam sózinhas, naves que viajavam para lá da lua, pistolas de raios luminosos, telefones com visor e seres extraterrestres que até poderiam ser bons. O meu sonho de futuro era uma viagem imensa pelo infinito do céu e pelas inteligências brilhantes de uma humanidade destemida. E depois veio Spielberg e o sonho chegou ao olhar das crianças, que como eu, só queriam sentir um pouco mais de esperança. Dá para perceber a importância da ficção científica na minha vida?
A preto e branco, como o tempo da história há 35 anos.Os homens solenes e uma junta do poder novo, antes mesmo de se espalharem pla rua, as vozes cruzadas das pessoas contentes. A poucos dias do dia, lembro-me desta que é uma das mais importantes obras do Portugal livre e sem medos coragens levantadas por um punho no ar e rostos abertos a sorrisos de fraternidade. O documentário "Bom Povo Português" é um filme assumidamente político, assumidamente inconveniente, feito sob o olhar crítico e premonitório de Rui Simões de um país deslumbrado pla luz da Liberdade, mas desatento às sombras interesseiras que se aproximavam.
Mais do que uma homenagem a este povo alimentado por nova esperança de igualdade, o filme que está editado em DVD para alegria sincera dos mais irreverentes, é um espelho iluminado dos novos tempos e das suas agressivas ausências de ideais e valores humanos. Atento este olhar de 1980 que se nos diz quem somos.
"Bom Povo Português" a ver, agora que se diz:
25 de Abril.
por: Teresa Nicolau