Científica Mente

Ciência e Tecnologia

Ana Paula Gomes

2012-04-21 08:50:09

Diagnosticar tuberculose com ouro

Diagnosticar tuberculose com ouro
Nanotecnologias podem revolucionar diagnóstico da doença. Um teste fiável e barato já foi desenvolvido por investigadores da Universidade Nova de Lisboa a pensar nas condições efetivas dos países em desenvolvimento, dispensando por isso a utilização de equipamentos e laboratórios sofisticados.


Tratar a tuberculose é um desafio cada vez maior, à medida que o bacilo vai ganhando resistência aos antibióticos. O teste utiliza partículas de ouro para detetar o bacilo e permite perceber se ele é resistente aos medicamentos.
Nesta EDIÇÃO conversamos com Pedro Viana Baptista, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL.
Pedro Viana Baptista tem uma formação de base nas causas moleculares do cancro e foi esta a doença que começou por analisar quando em 2005 se virou para o potencial da nanotecnologia aplicada ao diagnóstico, mas a tuberculose tornou-se central depois de conhecer Miguel Viveiros Bettencourt, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.
O projeto recebeu o Prémio de Mérito Científico Santander Totta - Universidade Nova de Lisboa, no valor de 25 mil euros, que vai servir para testar este método no terreno.

95% dos casos de tuberculose ocorrem nos países em desenvolvimento. Mas é também aqui que menos meios estão à disposição quer para tratar quer, antes disso, para diagnosticar a doença. As tecnologias são desenvolvidas muitas vezes até ao ponto em que estão prontas para sair do laboratório, mas se não houver retorno financeiro provável, não fazem o resto do caminho. Pedro Viana Baptista sublinha que no caso desta doença – a tuberculose – o disgnóstico pouco tem evoluído e espera que após validação deste teste haja empresas interessadas em o transformar num produto comercializável.
A cada minuto três pessoas morrem de tuberculose no planeta. 
É como se todos os dias 15 aviões se despenhassem sem deixar sobreviventes.

...

Nesta edição conversamos também com Pedro Figueira, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto. 
Uma equipa de investigadores desta instituição e do Observatório de Genebra analisou dados do espectrógrafo HARPS e do satélite Kepler, demostrando que as órbitas de outros sistemas planetários, na nossa galáxia, a Via Láctea, são alinhadas, tal como acontece no nosso sistema solar.

O resultado do trabalho foi aceite para publicação pela revista Astronomy&Astrophysics e o primeiro autor do artigo é Pedro Figueira que começa por nos explicar que a pergunta estava na mira de várias equipas.

No trabalho agora publicado foram simulados 100 milhões de sistemas planetários com as características previstas pelo censo do HARPS e com dispersão variável dos planos orbitais. A simulação calculou as frequências com que ocorrem trânsitos, em particular duplos trânsitos.

Os resultados foram comparados com os dados obtidos pelo Kepler e concluiu-se que são compatíveis apenas nos sistemas com um plano orbital comum, ou seja, em que as órbitas dos planetas estão inclinadas menos de 1 grau entre si.

Os resultados agora publicados mostram que as órbitas planetárias são predominantemente alinhadas, reforçando a ideia de que os planetas se formam num disco em redor das estrelas. A ordem que encontramos no nosso sistema solar é afinal uma regra.

Pedro Figueira explica os dados com que a equipa trabalhou e os métodos que se utilizam para calcular as órbitas dos planetas extrasolares.


por : Ana Paula Gomes
Tags : Portugal

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2012-04-07 08:43:36

18 Maio 2012 Dia do Fascínio das Plantas



Nelson SaiboEste ano, pela primeira vez, 18 de maio será o Dia do Fascínio das Plantas.
A proposta partiu da Organização Europeia de Ciência de Plantas, EPSO, e muitos países, quer na Europa quer fora dela, já se associaram à ideia.

Em Portugal, a iniciativa é coordenada pela Sociedade Portuguesa de Fisiologia Vegetal. Dzenas de instituições já responderam ao desafio e vão organizar atividades para trazer o fascínio das plantas mais perto do público.

Nesta edição conversamos com Nelson Saibo, coordenador nacional deste Dia do Fascínio das Plantas, ele próprio um investigador no Laboratório de Genómica do Stress das Plantas, no ITQB, Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa. 


por : Ana Paula Gomes

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2012-04-04 08:52:47

Paulo Moreira distinguido com Prémio Fernando Távora

Um musseque de Luanda é o terreno do trabalho agora premiado.

Foi anunciado no dia 2 de Abril de 2012, o vencedor da 7ª edição do Prémio Fernando Távora: arquitecto Paulo Moreira, com a proposta Exploratório Urbano da Chicala: Um percurso alternativo pela topografia pós-colonial de Luanda, Angola.

O Júri da 7ª edição, presidido pelo Historiador José Mattoso, consideraram que a proposta vencedora “se distingue por recuperar a importância da função social do arquitecto, num ambiente urbano pós-colonial, tendo a cidade de Luanda como destino de viagem e reflexão”.

“Este papel do arquitecto, suscitado e experienciado nas décadas de 1960 e 1970, em diversas partes do mundo, teve um especial reflexo na prática da “Escola do Porto”, através do contributo, entre outros, de Fernando Távora, no levantamento das más condições de vida da Área Urbana da Ribeira-Barredo, e depois das chamadas “ilhas do Porto”, um conhecimento directo que informou ainda o Processo SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local)”.

Para o Júri, a proposta de Paulo Moreira “prolonga, para um novo contexto geográfico, e para uma nova realidade social, esse papel pró-activo do arquitecto na procura de um envolvimento, através da organização de um workshop amplamente participado, da população autóctone, assim como das instituições e dos cursos de arquitectura locais, no sentido de valorizar alguns aspectos do tecido do “musseque” de Chicala enquanto parte integrante da história da construção de Luanda.

O carácter laboratorial da viagem permitirá, na visão do júri, chamar a atenção para uma realidade urbana global, particularmente comum a tantos outros países de miscigenação cultural semelhante, procurando assinalá-la enquanto fenómeno contemporâneo”.

Ouça AQUI a conversa que o Científica Mente manteve com o Arquiteto em dezembro de 2011.


por : Ana Gomes

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2012-03-31 09:15:35

Cetáceos de São Tomé e Príncipe

Cetáceos de São Tomé e Príncipe
Cristina Oliveira e Inês Carvalho A Operação Tunhã levou a São Tomé duas biólogas portuguesas, Cristina Brito e Inês Carvalho, para fazer formação junto dos técnicos da ong santomense MARAPA
A organização pretende iniciar atividades de whale watching e esta formação, embora direcionada para as especificidades dessa atividade de observação, incluiu também técnicas que permitem o desenvolvimento de atividades de investigação científica.


Nesta edição conversamos com Inês Carvalho sobre esta formação e sobre o trabalho desenvolvido por esta bióloga na região. Inês Carvalho estudou as baleias corcunda no Golfo da Guiné e concluiu que esta é uma região frequentada sobretudo por fêmeas acompanhadas pelas respetivas crias, sendo por isso uma área chave para a conservação da espécie.

A investigação e a conservação de cetáceos em São Tomé e Príncipe foi um dos temas apresentados em Lisboa, no Colóquio promovido pelo Centro de Estudos Africanos do ISCTE-IUL e IICT.


por : Ana Paula Gomes
Tags : São Tomé e Príncipe,Portugal

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2012-03-24 09:43:37

Genes e Língua em São Tomé e Príncipe


Nesta edição conversamos com Jorge Rocha sobre o trabalho desenvolvido em S. Tomé e agora apresentado, em Lisboa, no Colóquio promovido pelo ISCTE-IUL e IICT.

Jorge Rocha é Professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e investigador do CIBIO.

O trabalho apresentado no Colóquio, em conjunto com Tjerk Hagemeijer, investigador do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, revelou como a genética e a linguística oferecem caminhos diferentes para, neste caso, corroborar a mesma hipótese. Em estudo esteve a língua e a genética dos Angolares e Jorge Rocha explica que os resultados do trabalho permitem pensar num episódio fundador único, no caso deste grupo, mais do que no acumular de vagas sucessivas de escravos fugidos. As linhagens masculinas da comunidade apontam neste sentido, enquanto as femininas apresentam um maior grau de miscigenação. Os resultados são também compatíveis com uma origem localizada em Angola e Congo, mais do que no Delta do Níger, o que a linguística vem confirmar através da presença significativa de palavras de origem bantu no crioulo falado pelos Angolares.


por : Ana Paula Gomes
Tags : Portugal,São Tomé e Príncipe

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2012-03-17 07:49:38

`Linguagem` das bactérias pode ser usada para as combater

`Linguagem` das bactérias pode ser usada para as combater
JOANA MOSCOSO

No complexo mundo das bactérias há fatores que podemos usar a nosso favor na luta que travamos contra as que são patogénicas. No Imperial College, em Londres, a portuguesa Joana Moscoso estudou a Pseudomonas aeruginosa para confirmar que a molécula que determina o estilo de vida da bactéria, a di-GMP cíclico, está também associada ao diferente estilo de infeção que esta provoca, conforme as concentrações que apresenta.
Esta bactéria é altamente resistente a antibióticos e é uma das causas mais comuns de infeções hospitalares, causando elevadas taxas de mortalidade em doentes vulneráveis.
O estudo publicado na revista Environmental Microbiology investiga a capacidade de P. Aeruginosa provocar diferentes tipos de infeções consoante o seu padrão de vida: bactérias vivendo isoladas e muito móveis causam infeções agudas enquanto que bactérias que vivem em colónias sedentárias estão associadas a um modo de infeção crónico. 
O artigo revela que os níveis de di-GMP cíclico são o fator chave responsável por esta diferença de comportamento da bactéria e também pela consequente diferença entre o tipo de infeção e sugere que a manipulação destes níveis, ao alterar as características e consequentemente as vulnerabilidades da bactéria, pode servir de base para novas e melhores terapias.

Nesta Edição (17-03-2012) falamos ainda com Alexandra Moura, do CESAM - Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, sobre o trabalho que avaliou a resistência a antibióticos de bactérias presentes em águas residuais urbanas. A equipa que o desenvolveu conclui pela necessidade de criação de normas europeias que obriguem à quantificação e eliminação de genes e bactérias multiresistentes a antibióticos neste tipo de efluentes, de modo a evitar a sua proliferação no ambiente.

O Científica Mente inclui também, a partir desta semana, A Química das Coisas.


por : Ana Paula Gomes

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2012-03-10 09:23:44

Entender bactérias: porque é que algumas doenças resultam da presença de apenas 10 bactérias no nosso organismo e outras só se manifestam acima dos dez milhões.

Entender bactérias: porque é que algumas doenças resultam da presença de apenas 10 bactérias no nosso organismo e outras só se manifestam acima dos dez milhões.
Francisco Dionísio

Porque é que algumas bactérias nos põem doentes mesmo que só existam em pequeno número no nosso corpo e outras só mostram ao que vêm quando se juntam aos milhares ou mesmo milhões?
Dois grupos de investigação, um em Portugal, outro em França, trabalharam em conjunto e chegaram à conclusão que podemos dividir as bactérias patogénicas em dois grandes grupos: as que são eficazes em menor número e que têm um alvo bem definido, os macrófagos do nosso próprio sistema imunitário e as que se multiplicam primeiro, até serem muitas, para então iniciarem o processo de infecção. 

Nesta edição conversamos com Francisco Dionísio, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Instituto Gulbenkian de Ciência, um dos autores do trabalho, que explica que embora haja muita informação sobre bactérias na comunidade científica e na comunidade médica não era claro porque é que existem estas diferenças na dose infecciosa de cada uma, ou seja, o número a partir do qual conseguem atuar.

Uma das componentes fundamentais deste trabalho, que culminou com a publicação de um artigo na PLoS Pathogens, uma revista científica de acesso livre, publicada na Internet, foi uma extensa e cuidadosa revisão de artigos publicados ao longo das últimas décadas, com dados sobre estes valores de dose infecciosa. Depois, em França, no Instituto Pasteur, uma outra equipa explorou as características genéticas destas bactérias.

A primeira fase do trabalho viria a revelar-se mais difícil do que à partida se poderia esperar, como nos explica o primeiro autor deste artigo, João Gama, da Faculdade deCiências.
Uma conversa que passa ainda pelo livro de divulgação científica de Francisco Dionísio Uma Tampa Para Cada Tacho.


por : Ana Paula Gomes
Tags : Portugal

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Ana Paula GomesCientífica Mente é um programa da RDP-África realizado e apresentado por Ana Paula Gomes (ana.gomes@rtp.pt)

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