Pedro Viana Baptista tem uma formação de base nas causas moleculares do cancro e foi esta a doença que começou por analisar quando em 2005 se virou para o potencial da nanotecnologia aplicada ao diagnóstico, mas a tuberculose tornou-se central depois de conhecer Miguel Viveiros Bettencourt, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.
O projeto recebeu o Prémio de Mérito Científico Santander Totta - Universidade Nova de Lisboa, no valor de 25 mil euros, que vai servir para testar este método no terreno.
95% dos casos de tuberculose ocorrem nos países em desenvolvimento. Mas é também aqui que menos meios estão à disposição quer para tratar quer, antes disso, para diagnosticar a doença. As tecnologias são desenvolvidas muitas vezes até ao ponto em que estão prontas para sair do laboratório, mas se não houver retorno financeiro provável, não fazem o resto do caminho. Pedro Viana Baptista sublinha que no caso desta doença – a tuberculose – o disgnóstico pouco tem evoluído e espera que após validação deste teste haja empresas interessadas em o transformar num produto comercializável.
A cada minuto três pessoas morrem de tuberculose no planeta.
É como se todos os dias 15 aviões se despenhassem sem deixar sobreviventes.
...

Nesta edição conversamos também com Pedro Figueira, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto.
Uma equipa de investigadores desta instituição e do Observatório de Genebra analisou dados do espectrógrafo HARPS e do satélite Kepler, demostrando que as órbitas de outros sistemas planetários, na nossa galáxia, a Via Láctea, são alinhadas, tal como acontece no nosso sistema solar.
O resultado do trabalho foi aceite para publicação pela revista Astronomy&Astrophysics e o primeiro autor do artigo é Pedro Figueira que começa por nos explicar que a pergunta estava na mira de várias equipas.
No trabalho agora publicado foram simulados 100 milhões de sistemas planetários com as características previstas pelo censo do HARPS e com dispersão variável dos planos orbitais. A simulação calculou as frequências com que ocorrem trânsitos, em particular duplos trânsitos.
Os resultados foram comparados com os dados obtidos pelo Kepler e concluiu-se que são compatíveis apenas nos sistemas com um plano orbital comum, ou seja, em que as órbitas dos planetas estão inclinadas menos de 1 grau entre si.
Os resultados agora publicados mostram que as órbitas planetárias são predominantemente alinhadas, reforçando a ideia de que os planetas se formam num disco em redor das estrelas. A ordem que encontramos no nosso sistema solar é afinal uma regra.
Pedro Figueira explica os dados com que a equipa trabalhou e os métodos que se utilizam para calcular as órbitas dos planetas extrasolares.