Entrevista ao secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Carlos Nuno Oliveira
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O filme "Entre Les Murs" (Entre Paredes) rodado por Laurent Cantet durante um ano, numa sala de aula de um liceu, recebeu a palma de ouro. Lição de democracia, obra universal sobre os problemas do ensino, considerou o júri presidido por Sean Penn que quebrou um longo jejum do cinema francês - desde "Sob o Sol de Satanás", de Maurice Pialat, que um filme francês não ganhava o maior prémio do festival de Cannes. A festa, fez-se com a presenca dos alunos que participaram nesta filmagem. No palmarés, destaca-se a presença plena do cinema italiano e de actores latinos nas categorias de intepretação.
Foto de familia: a turma de Laurent Cantet recebe a Palma de Ouro
PALMA DE OURO - "Entre Les Murs" (Entre Paredes) de Laurent Cantet
GRANDE PRÉMIO - "Gomorra" (Camorra) de Matteo Garrone
PREMIO ESPECIAL DO 61º FESTIVAL - Catherine Deneuve por "Un Conte de Noëll" (Um Conto de Natal), de Arnaud Desplechin e Clint Eastwood por The Exchange (A Troca)
REALIZAÇÃO - "Üç Maymun" (Três Macacos) de Nuri Bilge Ceylan
INTERPRETAÇÃO MASCULINA - Benicio Del Toro por "Che"
INTERPRETAÇÃO FEMININA - Sandra Corvelone por "Linha de Passe"
ARGUMENTO - Jean-Pierre e Luc Dardenne por "Le Silence de Lorna" (O Silêncio de Lorna)
PRÉMIO DO JURI - "Il Divo" de Paolo Sorrentino
por: João Lopes
Uma composição de David Lynch, um poster para a história do festival, um mistério desvendado.
Exista um mistério no poster da 61ª edição do festival de Cannes: quem era a mulher que David Lynch tinha fotografado? Poucos dias antes do desfecho, o festival revelou que o realizador fixou a imagem de Anouck Margueritte, uma performer e dançarina do Crazy Horse de Paris, um cabaret celebrizado pelos espectáculos baseados na coreografia do corpo a partir da sombra e da luz.
A imagem captada no exterior do palácio do festival, exibindo a mítica escadaria vermelha e o cartaz na fachada do edifício, continua actual: Cannes comecou debaixo de chuva - alguém exclamou: festival molhado, festival abençoado! - e termina com um dia tempestuoso.
A performer Anouck Marguerite desvenda o olhar que Lynch tapou com uma fita de celulóide
por: Tiago AlvesVemos, lá ao fundo, a angústia suspensa na pose do jovem actor Devon Bostick. Mas a energia do momento pende toda toda para esta mulher misteriosa, tão escondida e tão ambiguamente exposta: os olhos de Arsinee Khanjian são, inevitávelmente, o ponto de fuga que nos atrai para a imagem.
E uma imagem do filme ADORATION, de Atom Egoyan, é que pode resumir uma certeza paradoxal que este Festival de Cannes nos deixa. Assim, por um lado, a proliferação de filmes rodados em digital permite-nos perceber que as bases tecnológicas da produção cinematográfica estão a mudar de forma acelerada e irreversível; por outro lado, nada disso confirma o pânico de há alguns anos segundo o qual os actores (... e as actrizes) se tornariam "dispensáveis" face aos novos seres de corpo imaterial, fabricados por computador.
Podemos mesmo dizer que Cannes nos confrontou com alguns espantosos trabalhos de composição, desses a partir dos quais um filme pode organizar-se — e encontrar o seu modo de ser e comunicar.
Deixo três exemplos, a meu ver marcantes:
— Benicio Del Toro: o seu Che Guevara, no CHE, de Steven Soderbergh, é um caso extraordinário de calculada colisão entre a iconografia mitológica e a revelação humana (porventura demasiado humana) de uma paradoxal verdade.
— Angelina Jolie: sem ofensa para os mais pessimistas, mas há muito tempo que me parece evidente que a sua imagem "tablóide" é uma mera estupidez mediática, sendo ela uma espantosa actriz — Clint Eastwood dirige-a em THE EXCHANGE numa personagem de fria coexistência entre a luminosidade do Bem e a densidade do Mal (não tem nada de arriscado dizer, desde já, que ela será uma das cinco nomeadas ao próximo Óscar de melhor actriz).
— Arta Dobroshi: nome desconhecido do Kosovo, surgiu no novo filme dos irmãos Dardenne (LE SILENCE DE LORNA) como símbolo exemplar de um realismo à flor da pele, convulsivo e comovente.
Isto sem esquecermos: Louis Garrrel e Laura Smet, em LA FRONTIERE DE L'AUBE (Philippe Garrel, Franca); Maria Onetto, em LA MUJER SIN CABEZA (Lucrecia Martel, Argentina); e, claro, o espantoso efeito coral dos actores de UN CONTE DE NOEL (Arnaud Desplechin, Franca), incluíndo Mathieu Amalric, Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni.
Em resumo: vale a pena continuar a ir ao cinema para ver os actores. E as actrizes.
por: João LopesO ressurgir do cinema político italiano, os sinais da emergência do south american way no contexto do cinema enquanto fenómeno global.
Benicio Del Toro intepretando Che Guevara
Quatro filmes sul americanos em competição - os brasileiros "Cegueira", de Fernando Meirelles e "Linha de Passe", de Walter Salles, os argentinos "A mulher sem Cabeça", de Lucrecia Martel, e "Leonera", de Pablo Trapero; a presença simbólica de Maradona através de um documentário filmado por Emir Kusturica; a antestreia do filme espanhol de Woody Allen rodado em Barcelona, com Penélope Cruz no elenco; e, finalmente, o maior biopic sobre a figura mítica de Ernesto Guevara, o "Che" do norte-americano Steven Soderbergh, com um elenco ibero-americano: o porto riquenho Benicio Del Toro, a colombiana Catalina Sandrino Moreno, o brasileiro Rodrigo Santoro, o cubano Jorge Perurrogia, o mexicano Demian Bichir, o português Joaquim de Almeida. Espanha marca presença na maioria destas produções e o Brasil começa a afirmar-se neste contexto. Cannes, que costuma estar à frente do tempo, dimensiona esta nova realidade no contexto da produção global. Em termos meramente inconográficos não deixa de ser relevante que a acção do novo Indiana Jones, exibido pela primeira vez neste festival so south american way, aconteca algures no interior da Amazónia.
Este Festival de Cannes confirmou ainda a revitalização do cinema italiano, sobretudo do cinema político, através dos dois filmes exibidos na competição: "Gomorra", de Matteo Garrone, filme denúncia sobre as ramificações da mafia napolita, e "Il Divo", biopic de Paulo Sorrentino centrado em Giulio Andreotti, uma sátira delirante sobre os meandros da corrupção no poder político e judicial italiano. O cinema italiano acerta contas com os poderes (políticos, económicos...) mais obscuros do país e dessa forma tenta recuperar o fulgor de uma certa tradição perdida.
"Il Divo", satira de de Paolo Sorrentino
por: Tiago Alves|
A TROCA |
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A TURMA |
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UN CONTE DE NOËL (Um Conto de Natal) |
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ÜÇ MAYMUN (Os Três Macacos) |
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CHE
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