No futebol português os enredos chegam com a força do calor, ocorrem mais próximo dos finais de época, quer porque só são detectados quando o desespero ganha o lugar da esperança, quer porque têm uma gestação demorada, cumprindo penosas etapas nos diferentes órgãos de justiça. Inesgotável, no entanto, na arte de nos espantar, desta feita a encrenca acontece em Janeiro, com a Liga de Clubes a patrocinar um imbróglio face ao Regulamento da Taça da Liga por si elaborado.
Com o Belenenses e Vitória de
Guimarães igualados em pontos (4) no Grupo C, e de acordo com o próprio
Regulamento, o critério de desempate obedece à observância dos seguintes
pontos:
- melhor goal-average;
- maior número de golos marcados;
- média etária mais baixa dos
jogadores utilizados durante a respectiva fase.
Ao incluir no Regulamento o «goal-average», a Liga tropeçou no
equívoco de identificar o termo como sendo a diferença entre os golos marcados e sofridos, quando a expressão -
importada da pátria do futebol, portanto, com dezenas de anos de rodagem - significa o apuramento da divisão dos golos marcados pelos golos
sofridos.
Atempadamente, sentindo as dores de uma decisão que o afastava do
acesso às meias-finais – já não bastava o que lhe sucedera no estádio da Luz
com o patrocínio da arbitragem… -, o
Belenenses fez eco das suas razões, procurando sensibilizar a Liga de Clubes
para o rigoroso cumprimento do seu próprio Regulamento. Debalde.
Depois do lapso na aplicação
do termo «goal-average» no Regulamento, a Liga de Clubes insistiu no engano
quando, no seu esclarecimento de anteontem, referiu que «…A referida expressão
«goal-average» reporta-se à diferença entre golos marcados e sofridos; tal
corresponde ao entendimento comum na linguagem corrente do futebol e,
certamente por isso, como tal, foi interpretado pela generalidade da
comunicação social, designadamente as televisões quando traçaram os cenários de
apuramento em face dos resultados que se iam verificando nos jogos da última
jornada da 3ª fase».
Que a Liga dos Clubes tenha
feito uma errada interpretação do termo «goal-average», não é brilhante, mas
associar «…a comunicação social, designadamente as televisões…» já me parece
pretender encontrar associados de um
lapso que, oportuna, corajosa e humildemente deveria ter assumido antes do
sorteio das meias-finais. Neste emaranhado, podem designar-se três intérpretes:
- um inocente - Vitória de
Guimarães;
- um punido - Belenenses
- um culpado - Liga de Clubes.
Face ao óbvio protesto do
Belenenses, a Liga remeteu a decisão para o Conselho de Justiça. Qualquer que
seja o entendimento deste órgão de julgamento, de uma coisa tenho a certeza: diferença de golos marcados e sofridos
não significa «goal-average». Nem
hoje, nem ontem, nem há quarenta anos. …Por mais que a Liga de Clubes se
esforce em explicar a sua adaptação
livre.
Presenças em grandes competições de futebol:
- Campeonatos do Mundo de 1990, 1994, 1998 e 2006
- Campeonatos da Europa de 1984, 1988, 1992, 2000 e 2004
- Finais da Taça (Liga) dos Campeões de 1991, 1993, 1997
- Final da Taça UEFA de 1987
- Final da Taça das Taças de 1992
- Fase final da Taça das Nações Africanas de 1992