sexta, 12 março 2010 | 19:39

A Jogada

Joaquim Rita

2009-09-30 10:54:58

Os argumentos dos candidatos

Os argumentos dos candidatos
Foto:EPA Com os olhares dos «grandes» (Nacional incluído nesta amostragem...) virados para as competições europeias, é, no entanto, do diferente desempenho dos candidatos ao título no Campeonato que decorre a agitação que se faz sentir, enquanto o Sporting de Braga, serenamente refastelado na sua inesperada liderança, aproveita para medir o potencial daqueles que o tentarão derrubar do cadeirão.


Com os bracarenses já derreados de tantos e tão merecidos elogios, a algazarra está focalizada no F.C.Porto, Sporting e Benfica (ordem do ultimo Campeonato...), sendo obviamente os «leões» os que mais sofrem com a intempérie de maus resultados que lhe tem fustigado as ambições, com a agravante de os seus parceiros de luta (mais) directa estarem a percorrer caminhos substancialmente mais entusiasmantes. De uma forma demasiado apressada, fria e simplista, após meia dúzia de jornadas, pode concluir-se o seguinte:

                 - F.C. Porto cumpre a normalidade - 5 pontos perdidos;

                 - Benfica supera as expectativas - dois pontos cedidos;

                 - Sporting roça a desilusão - 8 pontos desperdiçados.

À luz de uma objectividade descomprometida e distanciada, não me parece chocante o «ponto de situação» actual face ao peso específico dos respectivos planteis, depois de descontados os efeitos das saídas e entradas que ocorreram em relação à época passada. Com as razões financeiras como tabuleiro das movimentações ocorridas - «quem não tem dinheiro não tem vícios»... - e sem embargo de, amanhã, emendarmos a agulha, nesta altura é possível retirar algumas ideias:

                 - Benfica adquiriu jogadores que acrescentaram qualidade - Saviola, Javi Garcia, Ramires, Shaffer, Fábio Coentrão - e reciclou outros que tinham andado atordoados - Cardozo, Aimar, Di Maria, David Luís;

                 - F.C. Porto conseguiu jogadores que têm disfarçado saídas importantes - Belluschi, Falcao, Álvaro Pereira, Varela;

                 - Sporting demora em retirar dividendos dos que chegaram de novo, ao ponto de se poder dizer que apenas Matias Fernandez tem oferecido alguns lamirés de qualidade, para lá de não ter ressuscitado quem quer que fosse - se é que havia algumas esperanças nesse propósito.

Nesta frouxidão de rendimento sportinguista importa, porventura, enquadrar a longa espera por Izmailov (lesionado há largos meses) e o tremendo contraste que é possível estabelecer entre o antigo guerreiro Derlei (abandonou Alvalade) e o pachorrento Caicedo que, ou muito me engano, ou terá ficado com a dieta que era seguida por Rochemback, o que o leva a ter para aí uns três-cinco quilos a mais do que seria suposto, mesmo descontando o peso da vistosa e provavelmente incómoda cabeleira do equatoriano.  

Terão bastado seis jornadas para perceber que são diferentes os argumentos dos anunciados candidatos ao título. E melhor do que ninguém sabe-o o... Sporting de Braga.




por : Joaquim Rita
Tags : Benfica,Sporting,Porto

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2009-09-28 02:41:09

As faces do mesmo ruído

As faces do mesmo ruído
Foto: LusaVítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional Era demasiado previsível que o ruído em redor da nomeação de Duarte Gomes para o primeiro «clássico» da temporada se faria sentir muito para lá dos muros que delimitaram os noventa minutos do «Dragão». Essa condenação reforça a estranheza da decisão de Vítor Pereira quando se sabe que prever é uma das qualidades de quem lidera.



Qualquer que tenha sido a arquitectura de pensamento do presidente da Comissão de Arbitragem ao assumir a paternidade de uma nomeação com distintos contornos temporais, provavelmente, só para Vítor Pereira seria «igual a todas as outras», bastando, para tanto, contabilizar os diferentes momentos por que passou:

- desaconselhada antes do jogo face à existência de um conflito entre duas das três partes envolvidas no confronto de sábado;

- embaraçosa para quem, durante o jogo, teve que conviver com o fantasma de estar a julgar (árbitro) e a ser julgado (sportinguistas) num ambiente de inevitável suspeição;

- inquietante pelo que transbordou de algumas decisões do árbitro e que, fatalmente, são creditadas como subsídios ao contencioso existente.

Sabia-se que neste litigio Sporting-Duarte Gomes era, afinal, Vítor Pereira o actor principal face a uma estado de guerrilha que se foi estendendo e com diversos actos avulsos, ao ponto de o representante «leonino» ter abandonado a Direcção da Liga de Clubes, exactamente por discordar de decisões do presidente da C.A. Aí - e bem! - Hermínio Loureiro não cedeu a pressões e defendeu o «seu» homem da arbitragem, mantendo-se, assim, Vítor Pereira em funções. Não sei qual a interpretação que o presidente da Comissão de Arbitragem fez do sinal de solidariedade institucional que lhe foi concedido pelo presidente da Liga. Menos sei se o aproveitou da forma mais adequada e justa na defesa do futebol e da arbitragem. Mas sei que, nas vésperas do «clássico», José Eduardo Bettencourt foi exorbitantemente... magnânimo ao afirmar que tinha confiança em quem fazia as nomeações dos árbitros. E aqui emerge um conflito comportamental que se expressou em dois planos opostos:

- José Eduardo Bettencourt, embora queixoso no processo que está para apreciação no Conselho de Justiça da FPF, procurou pacificar o ambiente pré-jogo;

- Vítor Pereira, depois de se aperceber das labaredas que a sua decisão provocara e com tempo mais do que suficiente para recuar no erro, persistiu nele, incendiando irremediavelmente o jogo.

Nem sequer está em causa a qualidade do trabalho de Duarte Gomes - que desejei que fosse o «melhor em campo» -, mas toda a trapalhada da mecânica de uma nomeação que apenas para Vítor Pereira era «igual a todas as outras». Repito: quem lidera tem a obrigação de prever e, neste processo, Vítor Pereira, de duas, uma: ou não foi capaz de prever o óbvio ou, tendo a certeza dos «custos» da sua escolha, preferiu a provocação. Alguém ganhou?



por : Joaquim Rita
Tags : Sporting,Porto,Vítor Pereira,Duarte Gomes

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2009-09-25 14:15:10

O incendiário imprevisto

O incendiário imprevisto
Foto: LusaVítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga Sem declarações dos intervenientes no «clássico» minimamente capazes de o tornar mais apaladado ou propício a um ambiente emocionalmente mais denso ou susceptível de lhe elevar a tensão, o F.C. Porto-Sporting de amanhã tem sido flamejado pela nomeação do árbitro Duarte Gomes para o confronto do «Dragão», numa escolha que, no dizer de Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, «foi igual a todas as outras»



Há nas declarações de Vítor Pereira um pecado original que radica do condicionalismo que emerge da existência de um processo que opõe um dos clubes (Sporting) ao árbitro Duarte Gomes e que aguarda julgamento por parte do Conselho de Justiça da FPF. A partir deste empecilho objectivo, havia razões substantivas para não expor Duarte Gomes a um risco gratuito e que só pode ter acontecido por uma de duas razões:

               - a nomeação resultou de uma inadequada ponderação quanto aos contornos que a desaconselhavam - IMPRUDÊNCIA na escolha;

               - a nomeação foi conscientemente amadurecida nas suas consequências - PROVOCAÇÃO a um dos intervenientes no jogo.

Nesta bizarra opção por Duarte Gomes para o «clássico» não está em causa a competência do árbitro, o estatuto de que dispõe no futebol português, os eventuais resquícios de lamento que possam existir por parte do clube a ou do clube b. Mais: oxalá Duarte Gomes venha a cotar-se como o «melhor em campo» no embate no «Dragão». O que está em apreço antecede o desempenho do árbitro, as suas decisões - que se desejam o mais acertadas possível -, a sua passagem pelo jogo sem o macular com juízos desajustados.

Radica da decisão de Vítor Pereira alguma perplexidade quando o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga sustenta que o diferendo que opõe o Sporting a Duarte Gomes «está encerrado», sabendo de sobejo que o clube de Alvalade recorreu para o Conselho de Justiça da decisão (de primeira instância) do Conselho de Disciplina, que julgou em beneficio do árbitro, ao abrigo do «estado de necessidade desculpante» (estranha linguagem jurídica, hermética, quase codificada...). Por mais distraído que possa andar - e seguramente não anda!... - não é imaginável que Vítor Pereira ignore o trajecto do recurso do Sporting, ao ponto de suportar a sua escolha no convencimento (?) de que o «assunto está encerrado». Deixemo-nos de ingenuidades pacóvias. Ao nomear Duarte Gomes, o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga deixa claro o seguinte:

                  - usa um poder desproporcionado porque escolhe sem atender aos factores inibidores dessa opção - o processo que opõe Sporting a Duarte Gomes e que está a aguardar sentença do CJ;

                  - coloca o árbitro sobre um escusado acréscimo de pressão, por maior e mais sincera que tenha sido a disponibilidade do juiz lisboeta para dirigir o jogo - só se fosse um robot não sentiria o ruído em seu redor.

E esta é outra fragilidade da decisão de Vítor Pereira: quando se deseja serenidade e silêncio de modo a tornar os 90 minutos mais propícios ao talento dos artistas, foi o líder da arbitragem a assumir o papel de incendiário imprevisto. Lamentável.  



por : Joaquim Rita
Tags : Sporting,Porto,Vítor Pereira,Duarte Gomes

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2009-09-23 00:17:24

Vícios que nunca mudam

Vícios que nunca mudam
EPA Foram os penalties tresmalhados nos jogos dos «grandes» que marcaram a ultima jornada, com os contabilistas das minuciosas inventariações dos prejuízos sofridos pelos respectivos clubes a promoverem as devidas actualizações, numa espécie de «lista negra» que serve para demonstrar os beneficiados de sempre - F.C.Porto, Sporting e Benfica (ordem do último Campeonato...)


Dessa chinfrineira, tipo «cada cor seu paladar» e na qual se tornou mais fácil e apetecível - porque surgiu mais cristalino aos olhos de cada interessado... - detectar a clareza dos erros em favor dos clubes adversários do que a colheita dos benefícios próprios, ressaltaram, no entanto, duas opiniões apaziguadoras e misericordiosas em relação a decisões erradas das equipas de arbitragem que dirigiram os seus clubes. Vejamos:

            - o treinador do Sporting de Braga, Domingos Paciências, que considerou «excelente o trabalho das três equipas», portanto, com o árbitro Pedro Proença incluído na excelência do trabalho desenvolvido na «pedreira» minhota, tendo o campeão como opositor;

             - o presidente do Olhanense, Isidoro Sousa, para quem «errar é humano», adiantando mesmo que «não quero pôr em causa a honestidade da equipa de arbitragem» liderada por Rui Costa e que dirigiu o jogo da sua equipa com o Sporting em Alvalade.

Nesta linha de crédito concedido aos árbitros Pedro Proença (Sporting de Braga-F.C. Porto) e Rui Costa (Sporting-Olhanense) por Domingos Paciência e Isidoro Sousa não deixa de ser curiosa a facilidade com que ambos desvalorizaram erros grosseiros das equipas de arbitragem, faltando saber o seguinte:

                   - se Domingos Paciência não viu um «penalty» que ficou por marcar a favor da sua equipa (18 minutos), desconhecendo-se como o presidente António Salvador interpretou (ou poderia interpretar...) esse lapso visual do competente técnico arsenalista;

                   - se Isidoro Sousa expressou, tão-só, uma estratégia comportamental do seu clube, visando colocar os algarvios longe dos olhares atravessados (e corporativistas?) da comunidade da arbitragem.   

Apenas com cinco jornadas decorridas e em véspera do primeiro «clássico», a disputar no sábado, no «Dragão», entre F.C. Porto e Sporting, são já inúmeras as páginas dos prejuízos e benefícios resultantes de erros de arbitragem. Com uma certeza: os beneficiados são os «outros»; os prejudicados somos «nós». Há vícios que nunca mudam e contemplam sempre os mesmos. Siga o jogo!



por : Joaquim Rita
Tags : Benfica,Rui Costa,Sporting,Porto,Arbitros,Sporting de Braga

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2009-09-21 12:43:15

Distinção Bracarense

Distinção Bracarense
APEduardo Carvalho e João Pereira, do SP Braga Num futebol monótono e de domínio pouco menos do que asfixiante como aquele que, desde há anos, tem sido exercido pelo F.C. Porto, é saudável e refrescante quando surge uma equipa a querer imitar aquilo que o Boavista conseguiu há um par de anos quando, contra todas as tendências - azuis, verdes ou vermelhas - se sagrou campeão.

Admito que os adeptos dos três «grandes» não apreciem qualquer tipo de intromissão no espaço desigual das candidaturas ao título. A paixão clubista como que desaconselha qualquer tipo de abertura que favoreça o aparecimento de equipas capazes de estorvar a caminhada dos mais poderosos. O êxito do Boavista em 2000/01 como que serviu de campainha de alarme para o perigo de a discussão do título se alargar, com os coleccionadores de Campeonatos a demorarem em perceber que o triunfo axadrezado significara uma contundente derrota para si próprios. Nessa altura, o desconforto do desaire foi atenuado pela circunstância de ter triunfado um «pequeno». Fraco consolo...

Ainda com o Campeonato no seu amanhecer, nem por isso deixa de ser espantosa a alvorada do Sporting de Braga, com cinco triunfos em outras tantas jornadas, sobressaindo duas razões para a torrente de elogios que tem desabado sobre os bracarenses:

                 - a qualidade do futebol desenvolvido, surgindo as vitórias como inevitável consequências desse seu tecido produtivo;

                 - as demonstrações de competência oferecidas contra as duas equipas que têm pontificado nas últimas épocas na Liga - F.C. Porto e Sporting - sem que os triunfos minhotos tenham tido quaisquer salpicos de acidentais.

Foi contra o Sporting e F.C. Porto que os arsenalistas de Braga aproveitaram para explicar o seu amadurecimento e dimensão, não se limitando a vencer, mas fazendo-o de forma convincente. Sem novas contratações sonantes - apenas Hugo Viana é inquilino recente do vistoso edifício minhoto -, tem ressaltado das exibições bracarenses um notável equilíbrio entre a segurança a defender e a arte a atacar. Não sei se o Sporting de Braga vai manter esta (sua) pedalada por muito mais tempo. Para a valorização do Campeonato, seria desejável que os bracarenses  esticassem o mais possível este seu andamento, quanto mais não seja para se estabelecer um reconfortante contraste com a pobreza franciscana a que não têm escapado diversas equipas. Será legítimo falar-se de um Sporting de Braga candidato ao título? Não conheço a resposta, mas lá que passou com distinção nos dois «exames» que já teve esta época, isso ninguém pode negar.     





por : Joaquim Rita
Tags : Sporting de Braga,FC Porto

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2009-09-18 13:23:45

Sofrimento como prato do dia

Sofrimento como prato do dia
Foto: ReutersLiedson, o "mágico" da noite europeia Na digestão da jornada europeia é inevitável a tentação para interpretar os diferentes desempenhos das equipas portuguesas, não, apenas, com os resultados como medida de aferição, mas com outro tipo de indicadores exportados das exibições produzidas. Numa análise singelamente redutora, dir-se-ia que F.C.Porto, Sporting, Benfica e Nacional não destoaram da lógica perante a tipologia dos adversários que defrontaram.

Nessa embrulhada abençoada pela UEFA e apesar do triunfo em terreno alheio, terão sido os «leões» a sugerir maiores motivos de reflexão, sobretudo porque os três golos com a assinatura de Liedson acabaram por maquilhar aspectos teimosamente estranhos da actuação sportinguista, numa linha de continuidade que lhe tem marcado toda a temporada, à excepção dos jogos com a Fiorentina.

Perante um adversário raquítico de qualidade, o Sporting voltou a revelar algum retrocesso em relação à época passada, como se as ausências dos lesionados Izmailov e Grimi e as debandadas de Derlei e Romagnoli pudessem explicar as imensas clareiras de rendimento que o «levezinho»  disfarça e (ainda) torna suportáveis. Sem ser exaustivo na procura, ressaltam diversos tópicos na equipa de Alvalade. Estes:

               - a tremideira  de jogadores adultos como Polga, Abel (Pedro Silva), Caneira, para lá do já despachado Rochemback;

               - o recuo de rendimento (nem se trata de estagnação...) de João Moutinho, Vukcevic, Djaló e Postiga;

               - a demora de imposição de Caicedo, Matias Fernandez, sem esquecer Grimi que, segundo informação apresentada à CMVM, custou a loucura de 3,95 milhões de euros;

               - o esbracejar decidido de Miguel Veloso e Carriço, assumindo-se determinantes na produção global da equipa;

               - o desmoronamento da concentração competitiva que, no passado, servia de rastilho aos bons resultados, mesmo que as grandes exibições ficassem bastas vezes adiadas;

                - o suplício das bolas paradas defensivas, onde, em regra, é Carriço (menos de 1,80 m.) quem marca o melhor cabeceador adversário enquanto Polga parece grudado ao relvado;

                 - o medo que vários jogadores deixam transparecer, transportando esse fantasma para dentro de campo, como se pressentissem um qualquer (novo) fracasso;

                 - a frouxidão de liderança (João Moutinho), porventura menos visível na época passada na qual sobressaía - pelo menos em campo - o espírito guerreiro de Derlei. (será, agora, Tiago «a voz» do balneário?);

                 - a solidão de Liedson enquanto operacional capaz de resgatar a equipa de comprometedores afundamentos produtivos.   

Não sei se a vitória contra o débil Heerenveen deixou os «leões» inchados. Mesmo vencendo, a equipa deixou perceber insuficiências que não serão eliminadas com um simples estalar de dedos. Há toneladas de ansiedade sobre os ombros dos jogadores «leoninos» e enquanto essa carga não for aliviada, em Alvalade, o prato do dia será sempre o mesmo - sofrimento.  



por : Joaquim Rita
Tags : Sporting

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2009-09-16 13:30:04

A coragem de não ter medo

A coragem de não ter medo
EPAAnelka, do Chelsea e Freddy Guarin, do FCP Na Liga dos Campeões, os «prémios de consolação» diluem-se na frustração dos euros por arrecadar. Na competição de elite do futebol europeu há um compromisso quase sagrado entre a componente desportiva e a financeira, num envolvente caminhar entrelaçado por entre obstáculos de diversa natureza que vão surgindo, como se ali colocados maliciosa e sorrateiramente para identificar a real dimensão das equipas. É na «Champions» que se vê a verdadeira cara das equipas, bastas vezes travestidas na sua própria valia por força da fragilidade competitiva dos seus Campeonatos domésticos.

Sem entrar nas miudezas do Chelsea- F.C. Porto, do confronto de «Stamford Bridge» ressaltaram dois atributos portistas: a personalidade que o levou a tratar o adversário por tu, e a coragem de se revoltar nos largos minutos finais, durante os quais encaixotou o opositor no meio campo londrino, fazendo-o sofrer desalmadamente de modo a segurar a vantagem conseguida por Anelka (portentosa execução no remate, infelizmente vitorioso).

O bom desempenho portista não pode, no entanto, maquilhar duas realidades. Estas:

                  - a maior capacidade do Chelsea, expressa, sobretudo, na segunda metade da primeira parte;

                  - a maior diversidade londrina de jogadores capazes de decidir o jogo, de Lampard a Anelka, de Ballack a Malouda.

Terá sido a serena consciencialização do poderio contrário que levou Jesualdo Ferreira a adoptar uma estratégia mais prudente, ao chamar Guarin para apoiar Fernando no preenchimento do espaço central do meio campo, o que levou a que o F.C. Porto balanceasse entre o 4.2.3.1 quando não dispunha da bola e o 4.3.3 logo que se projectava para o ataque. Como lhe competia, depois de sofrer o golo inglês, Jesualdo Ferreira foi promovendo alterações de incidência atacante na procura do golo. E foi aí, nessa assunção de risco, que o F.C. Porto mostrou o seu ADN competitivo, capaz do seguinte:

                - roubar ao adversário o comando do jogo, obrigando-o mesmo a trocar um avançado (Kalou) por um defesa (Beletti) que foi jogar no meio campo - o sentido das substituições londrinas foi o inverso das operadas pelos portistas;

                - deslocar o «teatro de operações» para a proximidade da grande área de Petr Cech, num tu-cá-tu-lá de inegável atrevimento.

Talvez a pesada derrota (4-0) sofrida na época passada, contra o Arsenal, também na fase de Grupos, tenha servido de sebenta para a forma como o F.C. Porto olhou ontem o Chelsea. Na «Champions» o medo é o primeiro passo para o fracasso porque a experiência e qualidade dos jogadores adversários rapidamente o detectam. Se é certo que o F.C. Porto saiu de mãos vazias de «Stamford Bridge», por outro lado acabou por receber uma prenda com proveniência do «Vicente Calderon», onde o presunçoso Atlético de Madrid empatou com o ingénuo Apoel. Afinal, nem tudo foi mau para os portistas no arranque da Liga dos Campeões.

           



por : Joaquim Rita
Tags : FC Porto,Liga dos Campeões

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2009-09-14 14:52:38

As sondagens no futebol

As sondagens no futebol
Em tempo de sondagens eleitorais, o futebol também sugere algumas leituras resultantes da amostragem das quatro jornadas já disputadas. Como nas auscultações políticas, também os resultados obtidos no futebol podem suscitar diferentes tipos de análise, onde a euforia e o desencanto (já) se misturam em doses apreciáveis.







Embora sabendo que o universo sobre o qual incidiu a colheita de indicadores é escasso - quatro jornadas é muito pouco numa eleição de trinta escrutínios - não me parece desajustado reflectir sobre alguns sinais evidenciados:

- o vigoroso sprinte inicial do Sporting de Braga;

- o exuberante adiantamento de produção de F.C. Porto e Benfica em relação ao Sporting;

- o elevado número de equipas que abordaram a competição ao pé coxinho (Vitória de Setúbal, Académica, Naval, Leixões);

- a maior fragilidade do tecido produtivo de diversas equipas, comparativamente com o seu rendimento standard da época passada.

Mesmo esquecendo os 8-1 do Benfica ao Vitória de Setúbal, têm acontecido outras remessas inquietantes, deixando antever o empobrecimento global da competição, com o pelotão dos aflitos mais denso e mais definido desde cedo.

Depois da pandemia de empates das jornadas iniciais, ultimamente observámos resultados desnivelados, decorrendo esta distância de duas realidades:

- o empobrecimento da generalidade dos planteis face à época passada;

- o acentuado decréscimo na resposta de diversas equipas, castigadas com doses de golos pouco habituais.

Pode ser que me engane, mas não ficarei admirado se, esta época, as mudanças de treinador acontecerem mais vezes e mais cedo. Admito mesmo que alguns dirigentes, além do presidente da Naval, sintam já esse apelo, como se a construção dos respectivos planteis tivesse sido obra de terceiros ou se muitos dos seus jogadores tivessem caído no(s) clube(s) de pára-quedas. Como quer que seja, com mais ou menos «chicotadas psicológicas» nas programações dos clubes, as quatro jornadas já disputadas sugerem duas ideias:

- muitos dos empates resultaram da enorme pobreza franciscana das equipas em confronto;

- muitos dos resultados desnivelados reflectiram assimetrias de qualidade impossíveis de disfarçar.

Oxalá as coisas melhorem, mas a sondagem destas quatro jornadas não é animadora. Mas, como os políticos costumam dizer - quando lhes dá jeito! - «as sondagens valem o que valem». No futebol também.






por : Joaquim Rita
Tags : Liga

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2009-09-11 11:00:11

Portugal «perto» da Argentina

Portugal «perto» da Argentina
Na caminhada para a África do Sul, entre as selecções europeias, apenas França e Portugal esbracejam com embaraços inesperados para garantirem a viagem, embora teime em pensar que ambas estarão na fase final do «Mundial 2010», a menos que um estúpido sorteio no play-off (entre os oito melhores 2ºs classificados) nos emparelhe com os «galos». Longe vá o agoiro, até pela (triste) sina que temos de ser empurrados pelos «bleus». Chegar ao 2º lugar no grupo será o nosso passo seguinte.


Já com dez selecções apuradas, para lá do anfitrião (Brasil, Paraguai, Inglaterra, Espanha, Holanda, Austrália, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Japão e Gana), é no grupo sul-americano que se concentram toneladas de angústia face ao risco de a Argentina ficar sem bilhete. Sob o comando de Maradona, a «celeste» tem decepcionado, ocupando um modesto 5º lugar com 22 pontos em 16 jogos (6 vitórias, 4 empates e 6 derrotas) e com um denso pelotão de perseguidores, composto pelo Uruguai e Venezuela (21 pontos) e Colômbia (20), quando se sabe que são apurados os 4 primeiros do grupo e o 5º classificado disputará uma repescagem com o 4º da Zona Norte, Centro América e Caribe.

Compreende-se o desassossego de perto de 40 milhões de almas, incrédulas com o desempenho do «rei» Maradona e do seu extensíssimo séquito, composto por nada menos de 41 - sim, 41! - jogadores já utilizados, incluindo no role o benfiquista Di Maria. Há alguma (ou muita...) legitimidade para o rebuliço que se estende de Buenos Aires a Mar del Plata, de Córdova a Tucumán, de Rosário a Mendoza, tendo em apreço o seguinte:

                - o valor facial da escola argentina;

                - o potencial dos jogadores seleccionáveis;

                - a presença de Messi como «homem do leme»;

                - a liderança entregue ao «Deus Maradona»;

                - a antecipação do Brasil na reserva da viagem, ocorrida em Rosário (1-3) no passado dia 5.

Definitivamente: são imensas as razões que concorrem para as dores de alma do povo argentino, incapaz de admitir, mesmo por hipótese académica, que pode ficar excluído da gala sul-africana. Embora tão distantes, há, esta altura, algo que aproxima Portugal da Argentina: o receio - ou será medo? - que um qualquer acidente de percurso nos impeça a viagem até à terra de Nelson Mandela. Um «Mundial» sem Ronaldo e Messi seria sempre um «Mundial» menor. Como eu compreendo os argentinos!  



por : Joaquim Rita
Tags : Selecção,Carlos Queiroz

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2009-09-09 09:04:52

Primeira Liga vai madrugar

Primeira Liga vai madrugar
Foto: EPA
Sem complexos rascas de ser acusada de «copiadora» do modelo inglês, a Liga de Clubes vai estrear, no próximo domingo, um jogo (Marítimo-Sp. Braga) em horário inédito no principal escalão - 11.15 horas. Inovar impõe sempre alguns riscos, haverá sempre quem torça o nariz, quem entenda que jogar de manhã é para os escalões mais jovens, que não temos militância clubista para madrugar e ir «à bola». Pese este tipo de argumentação, a ideia parece-me excelente se dela resultar a (quase) eliminação das absurdas noitadas das segundas-feiras com os estádios desoladoramente às moscas.



Conhecida a extrema dependência dos clubes - de todos os clubes! - das receitas televisivas, não espanta que aqueles se submetam aos interesses de quem paga - e paga sempre por antecipação -, na elaboração dos horários dos jogos. Por outro lado, há quem, romântica e nostalgicamente, defenda que os jogos deveriam ocorrer à tarde, de modo a seduzir mais espectadores, cedendo apenas um confronto para o horário nocturno, portanto, para poder ser transmitido pela televisão. Este seria, porventura, o modelo ideal, não fora o peso das receitas televisivas nos orçamentos dos clubes, independentemente de receberem muito ou pouco, de o clube a dever receber mais ou menos do que o clube b, de as negociações com o comprador dos direitos deverem ser feitas individualmente ou por atacado. Não é disso que se trata. O que está em causa é o seguinte:

                 - entre um jogo às 11.15 horas de domingo ou às 20.30 h. de segunda-feira, qual o horário que puxa mais espectadores ao estádio?

                 - qualquer jogo às 11.15 horas permitirá à equipa visitante o regresso a casa após o jogo, com a viagem a decorrer durante o dia, enquanto muitos jogos no horário nocturno de segunda-feira só permitiam o retorno dos forasteiros no dia seguinte ou, regressando a seguir ao jogo, tendo de viajar pela noite dentro;

                  - do ponto de vista económico, também os jogos matinais suscitam vantagens porque os clubes, em várias situações, podem poupar uma noite de hospedagem, sobretudo nas deslocações à Madeira ou quando os clubes madeirenses actuam no Continente.

Perante a assustadora tendência para a diminuição do número de espectadores nos estádios - só Benfica e F.C. Porto são excepção! - esta estreia de um jogo da Primeira Liga às 11.15 h. de domingo servirá apenas de apalpação ao público, havendo óbvia necessidade repetir a dose, quanto mais não seja para (tentar) criar a habituação. Esta inovação não deve, no entanto, retirar a segunda-feira do calendário da Liga principal, deixando essa reserva para as equipas que jogam nas competições da Uefa às quintas-feiras.

Do ponto de vista fisiológico não me parece que a resposta dos jogadores surja enfraquecida por jogarem de manhã, quanto mais não seja porque estão habituados a treinar-se a essa hora. O futebol como aperitivo para o almoço domingueiro parece-me boa ideia...

   




por : Joaquim Rita
Tags : Liga de Clubes

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JOAQUIM RITA
Perfil biográfico:
- Iniciou a carreira de jornalista em 1968, no jornal «A BOLA», onde foi colaborador, redactor e chefe de Redacção.
- Director de «A Bola Magazine»
- Director -adjunto de «O JOGO»
- Comentador de futebol na SPORTtV
- Comentador de futebol na RDP (Antena 1)
- Jornalista português que vota para a eleição da «Bola de Ouro da revista «France Football»


Presenças em grandes competições de futebol:
- Campeonatos do Mundo de 1990, 1994, 1998 e 2006
- Campeonatos da Europa de 1984, 1988, 1992, 2000 e 2004
- Finais da Taça (Liga) dos Campeões de 1991, 1993, 1997
- Final da Taça UEFA de 1987
- Final da Taça das Taças de 1992
- Fase final da Taça das Nações Africanas de 1992

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