Terça, 9 de Fevereiro de 2010
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Fátima Rosado

Lisbeth Salander é a minha nova heroína

Publicado: 2009-11-16 10:27:09 | Actualizado: 2009-11-16 10:27:09
Por: Luciano Barcelos
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Lisbeth Salander é a minha nova heroína. A história é conhecida: o jornalista e escritor Sueco, Stieg Larsson, perito no estudo e investigação de movimentos antidemocráticos e nazis, propôs-se  escrever uma série de dez volumes sobre temas como fascismo, racismo, máfia, corrupção judicial nos governos e nas grandes empresas, violência sobre as mulheres, etc. Os assuntos de sempre - "dinheiro, sexo e poder". Infelizmente, só escreveu  três volumes: «Os Homens que Odeiam as Mulheres», «A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo» e «A Rainha no Palácio das Correntes de Ar». Larsson morreu  aos 50 anos,  de ataque cardíaco. Os livros, conhecidos como a “Trilogia Millennium”, têm um carácter viciante, não só pela  trama multifacetada como pela  plêiade  de personagens fantásticas, entre as quais destaco  Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, mas a personagem que me apaixona mesmo, é, sem dúvida, Lisbeth Salander. Mas, o que é que aquela rapariga, com corpo de criança, reservada, teimosa, gótica,  punk anti-social, cheia de tatuagens e piercings, tem de fascinante? Tem tudo - seduz-me a coragem, a determinação, a capacidade de renascer,  o desígnio de vida, o sentido do bem e do mal. Lisbeth  tem um lema: castigar os "sacanas", que não gostam das mulheres e as maltratam. "Ela é um como um bicho!”, diz uma amiga  minha. Sim, eu também acho que ela tem um sentido de justiça primário, violento e visceral. Ela representa qualquer coisa de muito primitivo, caótico e profundo, que  existe em cada um de nós, porque se vinga, de forma até às vezes cruel, daqueles que se portaram mal e a maltratam. E como ela foi maltratada! Depois é, ao mesmo tempo, uma personagem actual, extremamente inteligente e incorruptível - perita em informática e uma hacker excepcional. Para ela não há barreiras informáticas, nem computador a que não acesse. Mas, tem também a fragilidade própria das mulheres: Stieg Larsson, refere as Amazonas, guerreiras mitológicas, que para melhorar o manejo das lanças, cortavam os seios, Lisbeth  praticamente não tem seios, e não lhe sente a falta até ao dia em que se apaixona pelo “Super Sacana Blomkvist” e quer melhorar a aparência. Enfim, adorei e “devorei” os livros e pergunto-me com raiva: porque foste morrer sem escrever os outros “Super Sacana” Stieg Larsson?

 
Fátima Rosado - Natural de Coimbra, açoriana de coração, é professora aposentada do Ensino Superior Politécnico.
Licenciada em Filosofia e Mestre em Pedagogia da Saúde foi directora da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra.
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